quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Vitrine ou espelho?

Imagem: internet
Dário José

Na vitrine não há reflexos, mas exposição de imagens.
No espelho há feedback da nossa própria imagem exposta.

A vitrine mostra nossas tendências passageiras.
O espelho mostra que somos passageiros e tendenciosos.

Na vitrine se enxerga o que é montado para ser visto por todos.
No espelho só o que poucos podem veem pode ser desmantelado.

Na vitrine mudamos alguma coisa na imagem para não parecer o que é.
No espelho a imagem refletida nunca será diferente do que ela é de fato.

Há pressa e celeridade de nos expormos às vitrines.
Há vagaridade de nos colocarmos ante aos espelhos.

Nossa mediocridade passa adiante pelo vidro da vitrine.
A lâmina do espelho nos devolve nossa falsa humildade.

A vitrine nos entorpece e nos torna tão fúteis!
O espelho nos abre os olhos de quanto somos repugnantes.

Na vitrine, somos atores buscando reconhecimento e fama.
Ante ao espelho, somos gente que limpa a maquiagem pesada.


 A “vitrine” é amiga do mundo enganador (I João 2.15). O que expomos nas vitrines está eivado de engano.  O “espelho” é símbolo da Palavra (Tiago 1.21-25), que nos alerta, adverte, avisa, denuncia. A Palavra de Deus é eterna (I Pedro 1.24,25). O mundo passa, porém quem faz a vontade de Deus permanece para sempre (I João 2.17).

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Até quando, Senhor?

Foto: internet

Dário José

Habacuque, perplexo, disse em meio a dor
Que açoitava sua’lma: “Até quando, Senhor?”
A pergunta não teve a resposta desejada
Pois vaticinava disciplina à nação amada
Israel havia se afastado do Fiel Pastor

Há séculos a mesma pergunta é repetida
Por quem busca em Deus sua guarida
Ao ver tanta injustiça campeando
E um total descontrole se avizinhando
Quando reservas de força é exaurida

Há “gritos” que nunca serão percebidos
Mistura de lágrima, sussurro e gemido
“Até Quando, Senhor?”- se diz baixinho
Não ouve os filhos, o cônjuge, o vizinho
Não escuta nem o melhor dos amigos

Há dominadores, injustiça, violência
Há vítimas, dor, escórias, carências
A verdade é duramente rejeitada
Enquanto a mentira é aceita e amada
Gerando a sensação de impotência

Há um único caminho a se percorrer
Por quem procura a Deus obedecer
Mesmo que faltem amigos e bens
Nunca se tornar do pecado refém
Pois o justo só pela fé deverá viver

Como Habacuque, temos a mesma indagação
“Até quando, Senhor?” – só ecoa no coração
De quem sabe seu grito nos lábios silenciar
Pois discerne que há cuidadoso apascentar
Do Pastor que sempre socorre com salvação


sexta-feira, 15 de julho de 2016

Fazemos tudo para a glória de Deus?

Dário José

“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (I Coríntios 10.31).

Comer e beber. Essas duas palavras quando na Bíblia aparecem juntas, pode significar subsistência da vida física sobre a terra. O verbo fazer (do grego poieo), conforme o texto acima significa produzir, construir, formar, modelar, efetuar, executar, celebrar; considerar ou designar alguém, etc.

Glória. A palavra glória no Antigo Testamento em hebraico é kãbhôdh, que é de uma raiz vinda dos termos como “dignidade” e “peso”.  No Novo Testamento glória, do grego, é doxa que além de significar esplendor e brilho, também tem o sentido de opinião positiva, ponto de vista e julgamento a respeito de alguém, que resulta em louvor, honra, e glória.

Portanto, comer, beber ou fazer qualquer outra coisa para a glória de Deus envolve um leque de atividades. Tem a ver com tudo que pensamos, tudo que falamos e tudo que realizamos.

Glória de Deus e glória humana

As realizações, a sabedoria, o status, a riqueza ou o poderio de uma pessoa é visto como a sua glória. Mas essa glória humana é meramente passageira (Isaías 40.6-8). Esse tipo de glória difere da glória que é exclusiva de Deus e que não pode ser direcionada ou transferida aos homens (Salmos 115.1; Isaías 42.8).

A glória de Deus indica a presença de dEle na história da humanidade. Na Bíblia temos exemplos da glória (visível) de Deus numa nuvem acompanhando a caminhada do povo, no monte Sinai se manifestando através de raios e trovões, no Templo de Jerusalém, nas visões de Ezequiel, de Isaias, etc. A manifestação da excelência e da dignidade de Deus é a beleza de suas perfeições multiformes (Isaías 44.23; João 12.28; 13.31-32).

A presença da glória de Deus estava na Pessoa e na obra de Jesus, através dos milagres e sinais, na transfiguração, ressurreição e ascensão (Lucas 2.9-14; João 1.14).

Fazer tudo para a glória de Deus ou para a nossa?

É perigoso transferir a glória de Deus para qualquer outra pessoa ou coisa (Romanos 1.20-23). É extremamente danoso fazer algo por vã glória (Filipenses 2.3-8) ou por puro exibicionismo religioso (Mateus 6.1-8, 16-18). Quem se gloriar glorie-se no Senhor (II Coríntios 10.17).

Nossa salvação não é baseada em obras para que não haja glorificação pessoal (Efésios 2.8-10). Na verdade, toda obra salvífica gera glória e louvor ao nosso Deus (Efésios 1.5,6). Há um “peso de glória” no tempo presente que é dosado e permeado com sofrimento (II Coríntios 4.16-18), pois há uma glória que ainda será revelada em nós no futuro (Romanos 8.17,18; II Timóteo 4.6-8; I Pedro 5.4).

Fazer tudo para a glória de Deus é reconhecer a sua magnificência, excelência, preeminência, dignidade, graça, majestade, etc. Glorificá-LO é responder com honra e adoração às suas manifestações, como adoradores, por meio do louvor dos lábios, das ações de graça e da obediência a ele e a sua Palavra (João 17.4; Romanos 4.20; 15.6,9; I Pedro 4.12-16)!


Soli Deo Gloria!

domingo, 12 de junho de 2016

Uma bela vitrine e um velho espelho

Dário José
Imagens: internet

– EU SOU de grande importância! – declara a bela vitrine.

– Por quê?  – Pergunta um velho espelho.

– SOU EU que revelo as últimas tendências da moda mundial aos transeuntes e à sociedade! – esnoba a vitrine.

– Mas que importância tem isso?  – indaga o espelho.


– De onde você é afinal? Pelo visto não entende nada de moda! EU SOU muito procurada... – retruca a vitrine.

– Você não respondeu a minha pergunta: 'o que há de tão importante exibir looks de Paris, Londres, Nova Iorque ou São Paulo, para os que passam?'  – Questiona pacientemente o velho espelho.

– Bem... EU SOU muito importante para ficar perdendo tempo com um velho e empoirado espelho jogado na calçada e prestes a ser recolhido para o lixo! – Grita a vitrine irritada.

– É verdade, não passo de um espelho envelhecido e aparentemente descartável. Vivi na parede de um belo prédio perto daqui, por mais de dois séculos. Lá os nobres e suas três gerações me procuravam no corredor principal daquela mansão, pois queriam se ver, saber como estavam vestidos e ornamentados. Eles passaram. A mansão também. Vim parar aqui pelas mãos de um mendigo que me abandonou e não sei como vai ser o meu futuro... Mas de uma coisa tenho certeza, nunca fui falso nem menti a ninguém. Quando se posicionaram em minha frente, nobre ou mendigo, apenas refleti o que eles de fato eram... – Finaliza o velho espelho.

No fim da tarde daquele dia um antiquário, ao passar pela calçada, viu o desbotado e envelhecido espelho. Seu olhar clínico o fez entender que se tratava de uma bela e valiosa peça, então levou-o  para ser restaurado. No mesmo dia, no final do expediente, quando a loja fechou suas portas, toda decoração da bela vitrine foi mudada, devido às exigências das novas e voláteis tendências.

Moral da estória: a vitrine apenas mostra a moda que muda, mas espelho não muda para mostrar o que não somos!


Direitos autorais: Dário José

terça-feira, 12 de abril de 2016

Vigilâncias trocadas?

Imagem: Internet
Dário José

O que é vigiar? É espiar, tomar conta de, observar atentamente a; estar prestando atenção; fazer guarda; proteger; fiscalizar; controlar. Vigiar no sentido figurativo é cuidar.

Somos tendenciosos a nos preocuparmos muito com "tudo aquilo" que reputamos ser valioso e que na realidade não é. Negligenciamos, porém, a não observância do que de fato deveria ser o foco de toda a nossa atenção, cuidado e desvelo. A não observância do que nos ensina as Escrituras Sagradas cria “embaraços” à nossa caminhada rumo aos Céus (Hebreus 12.1-3).

O apóstolo Paulo em sua carta aos cristãos de Éfeso descreve tanto o passado de morte espiritual que estes vivenciaram em relação ao pecado quanto à vivificação por serem salvos e pertencerem à Igreja de Cristo. Mas ele diz que há três forças poderosas reunidas contra os efésios que ainda age nos filhos da desobediência: o mundo, a carne e o diabo:

E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência; Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também - Efésios 2.1-3 (Almeida Corrigida e Revisada Fiel - grifos nosso).

Mesmo havendo entre os cristãos conceitos e teorias diferenciadas sobre essas três influências, o que fica evidente é que as forças que se opõem contra os filhos de Deus sempre serão oriundas do mundo, da carne e do diabo.

Vigilâncias trocadas

É aí que reside o problema: trocamos as vigilâncias! Fortalecemos mais a guarda sobre apenas dois inimigos bíblicos que elegemos como mais perigossos: o diabo -"o príncipe das potestades do ar" que estar ao nosso derredor, e o mundo – “oposição de um ambiente hostil” - a nossa volta.

Por outro lado, enfraquecemos nossa vigilância quanto a um terceiro inimigo: as inclinações profundas para o mal -"os desejos da nossa carne"- que vem de nosso interior e só nós e Deus sabemos.

Pulsa em nós a curiosidade sobre a vida alheia. Somos tendenciosos a cuidarmos muito mais do que é dos outros. E de nós, cuidamos? Precisamos olhar, primeiramente, para nós mesmos (Mateus 7.1-5; Atos 20.28; I Coríntios 10.12; I Timóteo 4.16; II João 1.8). Sempre!

É no nosso interior que pode se engendrar e hospedar o mal (Tiago 1.13-16). O pior é que podemos nos tornar insensíveis, por descuidar da vigilância, ao ponto de expelirmos toda a sorte de males através da nossa conduta e, mesmo assim, demonstrarmos uma falsa piedade (II Timóteo 3.1-5). 

A frase "vamos dá uma espiadinha" de um famoso reality show da TV, aguça fortemente natureza humana. Sendo um programa de "conteúdo" pobre e apodrecido, mesmo assim mexe com a cabeça de muita gente que não consegue deixar de "espiar” um pouquinho da intimidade alheia "vendável" e "acessível".  O que é isso senão o círculo vicioso que “alimenta” a natureza humana decaída?

No universo das redes sociais não é diferente, pois nesse crescente mundo virtual somos tentados, pelas razões mais diversas, a exibirmos tanto as nossas mediocridades como espiarmos as dos outros!

Exibe-se o que se “reputa” como mais valioso e importante. Mas sendo sinceros com nós mesmos, perceberemos que a maioria das coisas que encontramos ou expomos nas redes sociais não são em nada valiosas. Não passam de lixo midiático. Será que tudo isso não é a evidência de que estamos sendo dominados e vencidos pela nossa própria natureza (a carne)?

O cuidado

Mesmo entendendo que através da fé em Jesus Cristo somos libertos do domínio dessas (três) forças, não podemos nunca esquecer que ainda não estamos totalmente livres de suas influências. Cada uma delas continua se opondo e tentando-nos a sucumbir diante das escolhas: ou pecar ou se santificar.

O mal assume muitas e variadas formas, que pode surgir tanto de dentro como de fora, pois enfrentamos inimigos tanto esfera física como na espiritual. Precisamos entender que a nossa vigilância deve ser plena em relação ao mundo, a carne e ao diabo. Enfatizar um dos três como sendo mais importante em detrimento dos outros pode ser perigoso e poderá levar-nos a “baixar guarda” na constante batalha espiritual.

Precisamos nos santificar! A santificação indica um processo pelo qual o Espírito Santo gradativamente vai mudando nossa vida e nos capacitando a vencer o pecado. É bom lembrar que não existe santificação teórica. A santificação é sempre prática e contínua (Romanos 6.19, 22; I Pedro 1.14-16).  Este processo atual de santificação dura enquanto vivermos sobre a terra (I João 1.8-10). Precisa-se resistir ao pecado sempre, pois estamos sendo santificados pelo poder de Deus.

Necessitamos nos equipar (nos armar) para resistir à vasta gama de forças do mal que conspiram contra nós e entendermos melhor o poder que advém de Cristo que nos capacita a vencê-las (Efésios 6.10-18; II Coríntios 10.3-6). 

Precisamos continuar  vigiando o diabo, o mundo e a nossa natureza humana!

terça-feira, 29 de março de 2016

A Soberania de Deus!

Imagem: Internet
Dário José

Há um trabalhar de Deus que não é visível
Mesmo sendo à maioria imperceptível
À mentalidade humana incompreensível
E às leis da ciência meramente impossível

Deus trabalha se opondo ao previsível
Mantém-se a tudo e a todos Sensível
Ama ao homem caído e repreensível
Sua Soberania atinge o inatingível

O ateu vocifera: “Um Deus Soberano é algo inadmissível!”
O cético indaga: “Um Deus com toda autoridade? É possível?”
O do teísmo aberto fataliza: “Deus é Soberano, mas é Impassível!”
O cientismo questiona: “Se não tem como provar é implausível?”

Mas o que crer fundamenta-se naquEle que é Invisível
Espera firme na promessa que até não é entendível
Confia no trabalhar daquEle que sempre é Invencível
Pela fé vislumbra antes de alcançar o que não é tangível

O trabalho de Deus só no final é aplausível
Quando o seu querer firma-se irreversível
Pois o “seu” tempo ao nosso é compatível
Mas o “nosso” ao seu sempre é inatingível

segunda-feira, 21 de março de 2016

À poesia

imagem: internet
Dário José

Alma de poeta vive e alimenta-se de poesia
Tudo a sua volta vital inspiração propicia
Também se inspira na dor ou na alegria

Absorve a mais simples cena com empatia
Declama sobre morte e vida sem fantasias
Traz beleza à negra noite como ao claro dia

Entalhar cada estrofe causa agonia
Organizar cada palavra com maestria
E buscar rima certa cansa, até aturdia

Mas, nunca produz limites ou entedia
Pelo contrário, estimula e até desafia
A fazer, desfazer e refazer a mesma poesia

21 de março é Dia Mundial da Poesia. Criado pela UNESCO em 16 de novembro de 1999, visando celebrar a diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, da criatividade e da inovação.