sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Até quando, Senhor?

Foto: internet

Dário José

Habacuque, perplexo, disse em meio a dor
Que açoitava sua’lma: “Até quando, Senhor?”
A pergunta não teve a resposta desejada
Pois vaticinava disciplina à nação amada
Israel havia se afastado do Fiel Pastor

Há séculos a mesma pergunta é repetida
Por quem busca em Deus sua guarida
Ao ver tanta injustiça campeando
E um total descontrole se avizinhando
Quando reservas de força é exaurida

Há “gritos” que nunca serão percebidos
Mistura de lágrima, sussurro e gemido
“Até Quando, Senhor?”- se diz baixinho
Não ouve os filhos, o cônjuge, o vizinho
Não escuta nem o melhor dos amigos

Há dominadores, injustiça, violência
Há vítimas, dor, escórias, carências
A verdade é duramente rejeitada
Enquanto a mentira é aceita e amada
Gerando a sensação de impotência

Há um único caminho a se percorrer
Por quem procura a Deus obedecer
Mesmo que faltem amigos e bens
Nunca se tornar do pecado refém
Pois o justo só pela fé deverá viver

Como Habacuque, temos a mesma indagação
“Até quando, Senhor?” – só ecoa no coração
De quem sabe seu grito nos lábios silenciar
Pois discerne que há cuidadoso apascentar
Do Pastor que sempre socorre com salvação


sexta-feira, 15 de julho de 2016

Fazemos tudo para a glória de Deus?

Dário José

“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (I Coríntios 10.31).

Comer e beber. Essas duas palavras quando na Bíblia aparecem juntas, pode significar subsistência da vida física sobre a terra. O verbo fazer (do grego poieo), conforme o texto acima significa produzir, construir, formar, modelar, efetuar, executar, celebrar; considerar ou designar alguém, etc.

Glória. A palavra glória no Antigo Testamento em hebraico é kãbhôdh, que é de uma raiz vinda dos termos como “dignidade” e “peso”.  No Novo Testamento glória, do grego, é doxa que além de significar esplendor e brilho, também tem o sentido de opinião positiva, ponto de vista e julgamento a respeito de alguém, que resulta em louvor, honra, e glória.

Portanto, comer, beber ou fazer qualquer outra coisa para a glória de Deus envolve um leque de atividades. Tem a ver com tudo que pensamos, tudo que falamos e tudo que realizamos.

Glória de Deus e glória humana

As realizações, a sabedoria, o status, a riqueza ou o poderio de uma pessoa é visto como a sua glória. Mas essa glória humana é meramente passageira (Isaías 40.6-8). Esse tipo de glória difere da glória que é exclusiva de Deus e que não pode ser direcionada ou transferida aos homens (Salmos 115.1; Isaías 42.8).

A glória de Deus indica a presença de dEle na história da humanidade. Na Bíblia temos exemplos da glória (visível) de Deus numa nuvem acompanhando a caminhada do povo, no monte Sinai se manifestando através de raios e trovões, no Templo de Jerusalém, nas visões de Ezequiel, de Isaias, etc. A manifestação da excelência e da dignidade de Deus é a beleza de suas perfeições multiformes (Isaías 44.23; João 12.28; 13.31-32).

A presença da glória de Deus estava na Pessoa e na obra de Jesus, através dos milagres e sinais, na transfiguração, ressurreição e ascensão (Lucas 2.9-14; João 1.14).

Fazer tudo para a glória de Deus ou para a nossa?

É perigoso transferir a glória de Deus para qualquer outra pessoa ou coisa (Romanos 1.20-23). É extremamente danoso fazer algo por vã glória (Filipenses 2.3-8) ou por puro exibicionismo religioso (Mateus 6.1-8, 16-18). Quem se gloriar glorie-se no Senhor (II Coríntios 10.17).

Nossa salvação não é baseada em obras para que não haja glorificação pessoal (Efésios 2.8-10). Na verdade, toda obra salvífica gera glória e louvor ao nosso Deus (Efésios 1.5,6). Há um “peso de glória” no tempo presente que é dosado e permeado com sofrimento (II Coríntios 4.16-18), pois há uma glória que ainda será revelada em nós no futuro (Romanos 8.17,18; II Timóteo 4.6-8; I Pedro 5.4).

Fazer tudo para a glória de Deus é reconhecer a sua magnificência, excelência, preeminência, dignidade, graça, majestade, etc. Glorificá-LO é responder com honra e adoração às suas manifestações, como adoradores, por meio do louvor dos lábios, das ações de graça e da obediência a ele e a sua Palavra (João 17.4; Romanos 4.20; 15.6,9; I Pedro 4.12-16)!


Soli Deo Gloria!

domingo, 12 de junho de 2016

Uma bela vitrine e um velho espelho

Dário José
Imagens: internet

– EU SOU de grande importância! – declara a bela vitrine.

– Por quê?  – Pergunta um velho espelho.

– SOU EU que revelo as últimas tendências da moda mundial aos transeuntes e à sociedade! – esnoba a vitrine.

– Mas que importância tem isso?  – indaga o espelho.


– De onde você é afinal? Pelo visto não entende nada de moda! EU SOU muito procurada... – retruca a vitrine.

– Você não respondeu a minha pergunta: 'o que há de tão importante exibir looks de Paris, Londres, Nova Iorque ou São Paulo, para os que passam?'  – Questiona pacientemente o velho espelho.

– Bem... EU SOU muito importante para ficar perdendo tempo com um velho e empoirado espelho jogado na calçada e prestes a ser recolhido para o lixo! – Grita a vitrine irritada.

– É verdade, não passo de um espelho envelhecido e aparentemente descartável. Vivi na parede de um belo prédio perto daqui, por mais de dois séculos. Lá os nobres e suas três gerações me procuravam no corredor principal daquela mansão, pois queriam se ver, saber como estavam vestidos e ornamentados. Eles passaram. A mansão também. Vim parar aqui pelas mãos de um mendigo que me abandonou e não sei como vai ser o meu futuro... Mas de uma coisa tenho certeza, nunca fui falso nem menti a ninguém. Quando se posicionaram em minha frente, nobre ou mendigo, apenas refleti o que eles de fato eram... – Finaliza o velho espelho.

No fim da tarde daquele dia um antiquário, ao passar pela calçada, viu o desbotado e envelhecido espelho. Seu olhar clínico o fez entender que se tratava de uma bela e valiosa peça, então levou-o  para ser restaurado. No mesmo dia, no final do expediente, quando a loja fechou suas portas, toda decoração da bela vitrine foi mudada, devido às exigências das novas e voláteis tendências.

Moral da estória: a vitrine apenas mostra a moda que muda, mas espelho não muda para mostrar o que não somos!


Direitos autorais: Dário José

terça-feira, 12 de abril de 2016

Vigilâncias trocadas?

Imagem: Internet
Dário José

O que é vigiar? É espiar, tomar conta de, observar atentamente a; estar prestando atenção; fazer guarda; proteger; fiscalizar; controlar. Vigiar no sentido figurativo é cuidar.

Somos tendenciosos a nos preocuparmos muito com "tudo aquilo" que reputamos ser valioso e que na realidade não é. Negligenciamos, porém, a não observância do que de fato deveria ser o foco de toda a nossa atenção, cuidado e desvelo. A não observância do que nos ensina as Escrituras Sagradas cria “embaraços” à nossa caminhada rumo aos Céus (Hebreus 12.1-3).

O apóstolo Paulo em sua carta aos cristãos de Éfeso descreve tanto o passado de morte espiritual que estes vivenciaram em relação ao pecado quanto à vivificação por serem salvos e pertencerem à Igreja de Cristo. Mas ele diz que há três forças poderosas reunidas contra os efésios que ainda age nos filhos da desobediência: o mundo, a carne e o diabo:

E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência; Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também - Efésios 2.1-3 (Almeida Corrigida e Revisada Fiel - grifos nosso).

Mesmo havendo entre os cristãos conceitos e teorias diferenciadas sobre essas três influências, o que fica evidente é que as forças que se opõem contra os filhos de Deus sempre serão oriundas do mundo, da carne e do diabo.

Vigilâncias trocadas

É aí que reside o problema: trocamos as vigilâncias! Fortalecemos mais a guarda sobre apenas dois inimigos bíblicos que elegemos como mais perigossos: o diabo -"o príncipe das potestades do ar" que estar ao nosso derredor, e o mundo – “oposição de um ambiente hostil” - a nossa volta.

Por outro lado, enfraquecemos nossa vigilância quanto a um terceiro inimigo: as inclinações profundas para o mal -"os desejos da nossa carne"- que vem de nosso interior e só nós e Deus sabemos.

Pulsa em nós a curiosidade sobre a vida alheia. Somos tendenciosos a cuidarmos muito mais do que é dos outros. E de nós, cuidamos? Precisamos olhar, primeiramente, para nós mesmos (Mateus 7.1-5; Atos 20.28; I Coríntios 10.12; I Timóteo 4.16; II João 1.8). Sempre!

É no nosso interior que pode se engendrar e hospedar o mal (Tiago 1.13-16). O pior é que podemos nos tornar insensíveis, por descuidar da vigilância, ao ponto de expelirmos toda a sorte de males através da nossa conduta e, mesmo assim, demonstrarmos uma falsa piedade (II Timóteo 3.1-5). 

A frase "vamos dá uma espiadinha" de um famoso reality show da TV, aguça fortemente natureza humana. Sendo um programa de "conteúdo" pobre e apodrecido, mesmo assim mexe com a cabeça de muita gente que não consegue deixar de "espiar” um pouquinho da intimidade alheia "vendável" e "acessível".  O que é isso senão o círculo vicioso que “alimenta” a natureza humana decaída?

No universo das redes sociais não é diferente, pois nesse crescente mundo virtual somos tentados, pelas razões mais diversas, a exibirmos tanto as nossas mediocridades como espiarmos as dos outros!

Exibe-se o que se “reputa” como mais valioso e importante. Mas sendo sinceros com nós mesmos, perceberemos que a maioria das coisas que encontramos ou expomos nas redes sociais não são em nada valiosas. Não passam de lixo midiático. Será que tudo isso não é a evidência de que estamos sendo dominados e vencidos pela nossa própria natureza (a carne)?

O cuidado

Mesmo entendendo que através da fé em Jesus Cristo somos libertos do domínio dessas (três) forças, não podemos nunca esquecer que ainda não estamos totalmente livres de suas influências. Cada uma delas continua se opondo e tentando-nos a sucumbir diante das escolhas: ou pecar ou se santificar.

O mal assume muitas e variadas formas, que pode surgir tanto de dentro como de fora, pois enfrentamos inimigos tanto esfera física como na espiritual. Precisamos entender que a nossa vigilância deve ser plena em relação ao mundo, a carne e ao diabo. Enfatizar um dos três como sendo mais importante em detrimento dos outros pode ser perigoso e poderá levar-nos a “baixar guarda” na constante batalha espiritual.

Precisamos nos santificar! A santificação indica um processo pelo qual o Espírito Santo gradativamente vai mudando nossa vida e nos capacitando a vencer o pecado. É bom lembrar que não existe santificação teórica. A santificação é sempre prática e contínua (Romanos 6.19, 22; I Pedro 1.14-16).  Este processo atual de santificação dura enquanto vivermos sobre a terra (I João 1.8-10). Precisa-se resistir ao pecado sempre, pois estamos sendo santificados pelo poder de Deus.

Necessitamos nos equipar (nos armar) para resistir à vasta gama de forças do mal que conspiram contra nós e entendermos melhor o poder que advém de Cristo que nos capacita a vencê-las (Efésios 6.10-18; II Coríntios 10.3-6). 

Precisamos continuar  vigiando o diabo, o mundo e a nossa natureza humana!

terça-feira, 29 de março de 2016

A Soberania de Deus!

Imagem: Internet
Dário José

Há um trabalhar de Deus que não é visível
Mesmo sendo à maioria imperceptível
À mentalidade humana incompreensível
E às leis da ciência meramente impossível

Deus trabalha se opondo ao previsível
Mantém-se a tudo e a todos Sensível
Ama ao homem caído e repreensível
Sua Soberania atinge o inatingível

O ateu vocifera: “Um Deus Soberano é algo inadmissível!”
O cético indaga: “Um Deus com toda autoridade? É possível?”
O do teísmo aberto fataliza: “Deus é Soberano, mas é Impassível!”
O cientismo questiona: “Se não tem como provar é implausível?”

Mas o que crer fundamenta-se naquEle que é Invisível
Espera firme na promessa que até não é entendível
Confia no trabalhar daquEle que sempre é Invencível
Pela fé vislumbra antes de alcançar o que não é tangível

O trabalho de Deus só no final é aplausível
Quando o seu querer firma-se irreversível
Pois o “seu” tempo ao nosso é compatível
Mas o “nosso” ao seu sempre é inatingível

segunda-feira, 21 de março de 2016

À poesia

imagem: internet
Dário José

Alma de poeta vive e alimenta-se de poesia
Tudo a sua volta vital inspiração propicia
Também se inspira na dor ou na alegria

Absorve a mais simples cena com empatia
Declama sobre morte e vida sem fantasias
Traz beleza à negra noite como ao claro dia

Entalhar cada estrofe causa agonia
Organizar cada palavra com maestria
E buscar rima certa cansa, até aturdia

Mas, nunca produz limites ou entedia
Pelo contrário, estimula e até desafia
A fazer, desfazer e refazer a mesma poesia

21 de março é Dia Mundial da Poesia. Criado pela UNESCO em 16 de novembro de 1999, visando celebrar a diversidade do diálogo, a livre criação de ideias através das palavras, da criatividade e da inovação. 

quarta-feira, 16 de março de 2016

A Bíblia e a corrupção brasileira

Imagens: internet
Dário José

Na língua portuguesa a palavra corrupção, que é um substantivo feminino, traz a ideia de algo (ou alguém) que está em processo de deterioração, decomposição física (ou moral); putrefação. É algo (ou alguém) que sofreu modificação ou adulteração das características originais.

O assunto do dia é a corrupção nos altos escalões do governo brasileiro. Com as passeatas e manifestações do último domingo (13) nas principais cidades de todo o país, clamando contra a corrupção na política, contra a presidente da República, Dilma Rousseff, contra o PT e  contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, fica claro que esse é o tema recorrente do momento.

Das manifestações que ocorreram em todos os estados do país (mais de 300 municípios), o maior número de pessoas se reuniu na Avenida Paulista, em São Paulo, o que faz deste ato o maior já registrado na cidade, superando inclusive a manifestação das Diretas Já em 1984, que reuniu 400 mil.

A Polícia Militar contabilizou 3,6 milhões de pessoas nas ruas do país, e os organizadores, 6,9 milhões. Também houve em alguns lugares, protestos de apoio ao governo Dilma, a Lula e ao PT, mas em números bem menores.

O que a Bíblia diz sobre corrupção

A Palavra de Deus diz o que sobre atitudes corruptas? As Escrituras rejeitam, julgam e sentenciam juízos sobre os que exercem liderança de maneira fraudulenta. Deixemos que o Livro Sagrado fale e responda acerca da corrupção:

Corrupção no poder executivo. Hoje quem exerce o poder executivo são prefeitos, governadores, presidentes. A Bíblia, à sua época, fala a príncipes e reis que se associavam com bandidos, se envolvendo em suas práticas.

“Os teus príncipes são rebeldes, e companheiros de ladrões; cada um deles ama as peitas, e anda atrás das recompensas; não fazem justiça ao órfão, e não chega perante eles a causa da viúva.” - Isaías 1.23;

“O rei com juízo sustém a terra, mas o amigo de peitas a transtorna.” - Provérbios 29.4;

“Abominação é aos reis praticarem impiedade, porque com justiça é que se estabelece o trono” - Provérbios 16.12.

Corrupção por parte dos que assessoram. Assessorar significa ajudar, auxiliar, assistir como conselheiro uma pessoa ou organização em uma determinada área ou tarefa. A Bíblia já alerta do perigo das assessorias apodrecidas que adoecem a boa governabilidade.

“Tira o ímpio da presença do rei, e o seu trono se firmará na justiça.” - Provérbios 25.5.

Corrupção no poder legislativo. Por poder Legislativo é exercido, hoje, por vereadores, deputados estaduais, deputados federais e senadores. A Bíblia, numa linguagem atemporal, sentencia a juízo todos que criam e manipulam leis para o próprio benefício.

“Ai dos que decretam leis injustas, e dos escrivães que prescrevem opressão. Para desviarem os pobres do seu direito, e para arrebatarem o direito dos aflitos do meu povo; para despojarem as viúvas e roubarem os órfãos! Mas que fareis vós no dia da visitação, e na desolação, que há de vir de longe? A quem recorrereis para obter socorro, e onde deixareis a vossa glória, Sem que cada um se abata entre os presos, e caia entre mortos? Com tudo isto a sua ira não cessou, mas ainda está estendida a sua mão” - Isaías 10.1-4.

Corrupção na força policial. Força policial tem a ver com os que fazem a segurança pública e nacional, ou seja, policiais civis e militares, bem como as forças armadas. A Bíblia pontua a necessidade da honestidade e da ética dos que devem proteger os seus concidadãos.

“E uns soldados o interrogaram também, dizendo: E nós que faremos? E ele lhes disse: A ninguém trateis mal nem defraudeis, e contentai-vos com o vosso soldo” - Lucas 3.14.

Corrupção no funcionalismo público. Os funcionários púbicos são todos aqueles que mantêm vínculos de trabalho com entidades governamentais. Quando a Bíblia fala de publicano, está se referido a um cobrador de impostos, ou seja, um agente alfandegário.

“E chegaram também uns publicanos, para serem batizados, e disseram-lhe: Mestre, que devemos fazer? E ele lhes disse: Não peçais mais do que o que vos está ordenado” - Lucas 3.12-13.

Corrupção na liderança do povo de Deus. O líder é alguém que guia e encaminha pessoas a um alvo. Encaminhar é o mesmo que conduzir, dirigir, orientar, inspirar, aconselhar, encorajar, levar, incitar, impelir; entregar-se, dedicar-se, dispor-se, devotar-se, consagrar-se.

A Bíblia, no Antigo Testamento, chama atenção dos chefes ou cabeças (anciãos, reis), sacerdotes, profetas a não se corromperem quanto à liderança dos israelitas:

“Os seus chefes dão as sentenças por suborno, e os seus sacerdotes ensinam por interesse, e os seus profetas adivinham por dinheiro; e ainda se encostam ao Senhor, dizendo: Não está o Senhor no meio de nós? Nenhum mal nos sobrevirá” (Miquéias 3.11).

No Novo Testamento os líderes são alertados quanto ao cuidado de não se corromperem ao apascentar o rebanho do Sumo Pastor Jesus – a Igreja:

“Olhai, pois, por vós, e por todo o rebanho sobre que o Espírito Santo vos constituiu bispos, para apascentardes a igreja de Deus, que ele resgatou com seu próprio sangue” (Atos 20.28).

“Apascentai o rebanho de Deus, que está entre vós, tendo cuidado dele, não por força, mas voluntariamente; nem por torpe ganância, mas de ânimo pronto; Nem como tendo domínio sobre a herança de Deus, mas servindo de exemplo ao rebanho. E, quando aparecer o Sumo Pastor, alcançareis a incorruptível coroa da glória” (I Pedro 5.2-4).

Corrupção no poder judiciário. Advogados, ministros, juízes, desembargadores estão aqui sob a mira das Escrituras. Nos tempos bíblicos, quem julgava o povo eram os líderes levantados por Deus: sacerdotes, anciãos, juízes (espécie de líder militar ou libertador), reis.

“Não torcerás o juízo, não farás acepção de pessoas, nem receberás peitas; porquanto a peita cega os olhos dos sábios, e perverte as palavras dos justos. A justiça, somente a justiça seguirás; para que vivas, e possuas em herança a terra que te dará o Senhor teu Deus.” - Deuteronômio 16.19-20. Atentemos para outros textos que alertam sobre o pecado do suborno e da negação de justiça aos justos (Êxodo 23.8; Provérbios 17.23; Isaías 5.22,23; Salmos 82.2-5; Levítico 19.15; Miquéias 7.2-3).

Corrupção no meio empresarial. Os empresários (empregadores e fornecedores de bens e serviços) não devem ser gananciosos, usar juros abusivos e menosprezar os direitos dos funcionários e dos clientes. A Bíblia fala contra os comerciantes da época que se deixavam levar pela avareza.

“Presentes receberam no meio de ti para derramarem sangue; usura e juros ilícitos tomaste, e usaste de avareza com o teu próximo, oprimindo-o; mas de mim te esqueceste, diz o Senhor Deus. E eis que bati as mãos contra a avareza que cometeste, e por causa do sangue que houve no meio de ti” - Ezequiel 22.12,13.

Há outros textos falando do mesmo tema (Provérbios 16.8; 22.16; 28.8; Ezequiel 18.5,7-9; Êxodo 22.25; Salmos 112.4-5,9; Jó 31.13-14; Malaquias 3.5; Colossenses 4.1; Levítico 19.13; Oséias 12.7; Deuteronômio 25.13-16; Provérbios 11.1; 16.11; Miquéias 6.11; Levítico 19.35-36).

Nós e o “jeitinho” brasileiro

Mas a corrupção não está só lá no Planalto Central. Quando nós, como cidadãos brasileiros, agimos e cultivamos o “jeitinho brasileiro”, sempre visando à obtenção de alguma vantagem pessoal ou financeira, não estamos sendo corruptos?

Gritamos bem alto contra a corrupção; saímos às ruas; erguemos faixas com frases de efeito; irritamos-nos contra as injustiças sociais. Não obstante todo esse nosso posicionamento contra a elevada onda de corrupção que vem sobre nossa nação, poderemos não nos aperceber quanto, no dia a dia, estamos nos corrompendo e sendo corrompidos nos “pequenos” deslizes morais e éticos que cometemos.

Precisamos estar bem conscientes que somos também tão corruptos:

Quando recebemos um valor a mais num troco e não devolvemos;
Quando consumimos produtos num supermercado e não pagamos;
Quando estacionamos na vaga de portadores de alguma deficiência sem sermos deficientes;  
Quando violamos a lei do silêncio;
Quando furamos a filas de caixa de certos estabelecimentos usando desculpas esfarrapadas;
Quando sentamos no coletivo e fingimos dormir, enquanto idosos e gestantes ficam em pé;
Quando trocamos e negociamos votos por qualquer coisa;
Quando recebemos salários sem nunca comparecermos ao ambiente de trabalho;
Quando falamos ao celular enquanto dirigimos;
Quando usamos a força de um cargo para autobeneficiamento;
Quando saqueamos cargas de veículos acidentados ou de estabelecimentos vandalizados;
Quando falsificamos assinaturas e documentações;
Quando não declaramos “certas” mercadorias à Receita Federal em voos internacionais;
Quando fazemos cópias ilegais de tudo que possui direitos autorais;
Quando sonegamos o Imposto de Renda;
Quando “fazemos hora” para ganhar extras (sem trabalhar);
Quando, no ambiente de trabalho, “gastamos” tempo com cafezinhos e outras (in)atividades;
Quando estacionamos nas calçadas sob placas proibitivas;
Quando num congestionamento, trafegamos pela direita do acostamento;
Quando comercializamos objetos doados às campanhas de socorro a catástrofes;
Quando alteramos o velocímetro do carro para vendê-lo com “menos” quilômetros rodados;
Quando encontramos algum objeto perdido e não o devolvemos;
Quando pagamos um “cafezinho” para quem “finge” não vê nosso erro;
Quando pegamos atestado médico sem estarmos doentes;
Quando “levamos” da empresa para casa um simples clipe sem autorização;
Quando a serviço da empresa, “acrescentamos” à nota fiscal o dobro do que gastamos;
Quando escondemos em casa “macaco” na luz, “jacaré” na água e “gato” na TV a cabo, etc.

O que Jesus diz?

Finalizo este post com cinco observações do nosso Senhor Jesus sobre ética comportamental. Na verdade, seu ensino sobre integridade versus deterioração moral é bem vasto, mas pontuo apenas cinco: ser verdadeiro em tudo, ser cumpridor dos deveres sociais, pregar o evangelho com as atitudes, sempre se colocar no lugar do próximo e procurar nunca fazer espetáculo da prática do bem.

Acerca da sinceridade, disse: “Seja, porém, o vosso falar: Sim, sim; Não, não; porque o que passa disto é de procedência maligna” (Mateus 5.37).

Acerca dos impostos, disse: “... Dai pois a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus” (Mateus 22.16-21).

Acerca da nossa postura diante do mundo, disse: "Vocês são o sal da terra. Mas se o sal perder o seu sabor, como restaurá-lo? Não servirá para nada, exceto para ser jogado fora e pisado pelos homens. Vocês são a luz do mundo. Não se pode esconder uma cidade construída sobre um monte. Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus" (Mateus 5.13,14,16).

Acerca da empatia, disse: “Portanto, tudo o que vós quereis que os homens vos façam, fazei-lho também vós, porque esta é a lei e os profetas” (Mateus 7.12).

Acerca do senso e da prática de justiça, disse: “Pois eu lhes digo que se a justiça de vocês não for muito superior à dos fariseus e mestres da lei, de modo nenhum entrarão no Reino dos céus” (Mateus 5.20).

Como uma doença, a corrupção no Brasil hoje não é apenas endêmica nem epidêmica (localizada), mas pandêmica (generalizada). Para a maioria, usar o “jeitinho brasileiro” no afã da obtenção de vantagens é esperteza. Mas tudo isso não passa de corrupção!

Devemos lutar para acabar com a corrupção? Sim! Mas deve começar a ser contida a partir de mim!