terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Maquiagem

Dário José

Maquiagem...

Não falo da maquiagem estética, o make up facial
De cílios, sobrancelhas, pálpebras e contorno labial
Que atenua em alguém traços da  imagem natural

Não me refiro da maquiagem cinematográfica
E à dos ensaios ante as lentes fotográficas
Ou a dos palcos das representações dramáticas

Falo da maquiagem que falsifica o que se diz
Que busca mostrar a realidade que não condiz
Que até tenta, mas em tudo sempre se contradiz

Falo daquela tão modificadora maquiagem
Que monta um incongruente personagem
Distanciando do indivíduo, sua real imagem

Maquiam-se bons gestos com apertos de mãos
Maquiam-se palavras suavizando a elocução
Maquia-se um sorriso divorciando-o do coração

É maquiagem que esconde n’alma “hematomas”
E não evidenciam na “derme” seus reais sintomas
É “fotografia” que mostra cenas e oculta aromas!

Ah! Como esse maquiar danifica a naturalidade!
Só consegue mostrar a face das ambiguidades
Pois cara real e limpa só quem tem é a verdade!

domingo, 22 de janeiro de 2017

O valor da verdadeira amizade!

Foto: Internet
Dário José

Estive pensando recentemente sobre amizade. Divagações vieram a minha mente após reencontrarmos uma amiga que não nos víamos há vinte e seis anos.  Ela reside com sua família em São Paulo e nós em Pernambuco. Conhecemo-nos no final dos anos 80, lá na terra da garoa, eu, minha esposa, ela e seu namorado à época, hoje esposo.

Firmarmos com eles uma sólida amizade. Mas, tendo que retornar à nossa terra natal, nos separamos, e, com o passar dos anos, perdemos a comunicação. Mas cerca de seis anos atrás (2011), por meio de um telefonema e de um posterior contato através de rede social, nos reencontramos, mesmo que virtualmente.

Mas, depois de duas décadas e meia, ao reencontrá-la pessoalmente aqui em nosso Estado, entendemos que a verdadeira amizade resiste à distância e ao tempo! É isso, verdadeiros amigos passam muitos anos sem se ver, mas ao reencontrar-se, parece que foi ontem!

O nosso maior exemplo de amizade é Jesus! É Ele que dá a melhor definição de uma verdadeira amizade: "Ninguém tem maior amor do que este: de dar alguém a própria vida em favor dos seus amigos. Vós sois meus amigos, se fazeis o que eu vos mando. Já não vos chamo servos, porque o servo não sabe o que faz o seu senhor; mas tenho-vos chamado amigos, porque tudo quanto ouvi de meu Pai vos tenho dado a conhecer" (João 15.13-15 – grifos nossos).

Jesus deu a sua vida por seus "amigos".  Qualquer um pode tornar-se Seu amigo, confiando nEle como o seu salvador pessoal, nascendo de novo e recebendo nova vida nEle.

Só os verdadeiros amigos são como irmãos (Provérbios 17.17; 18.24).

Só os verdadeiros amigos são realistas, nunca falsos (Provérbios 27.6,17).

Só numa verdadeira amizade se compartilha interesses idênticos (Amós 3.3).

Só a verdadeira amizade é sem reservas (João 15.13; Romanos 5,7,8).

Numa verdadeira amizade se compartilha confiança e respeito mútuo, dores e alegrias, perdas e vitórias, ostracismo e sucesso. 

Devemos, antes de querer ter amigos de verdade, sermos amigos verdadeiros! 

Uma amizade verdadeira é algo raro.É como um tesouro: difícil de achar, de um grande valor a se calcular e que exige enorme cuidado para se conservar. Verdadeiros amigos são presentes de Deus, são bênçãos humanas partilhadas por Ele a outros humanos.

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Ser engraçado ou viver com graça?



Dário José

É “sem graça” tentarmos convencer a todos, a todo custo, que estamos sob a graça, quando a suficiência da graça divina esbarra na nossa autossuficiência.

A ausência da graça atrai desgraça. Tal perda, de quem antes desfrutava junto a Deus, é desfavor, desvalimento, revés e infelicidade.

Desgraçado é quem está sem a graça. Não se espante com a palavra desgraçado, pois desgraça é o oposto da graça.

Graça é mais que o “favor imerecido”. O significado é muito mais abrangente. Viver debaixo da graça é saber que nada do que somos, fazemos ou possuímos seria possível se não fosse a mão de Deus sobre nós assistindo-nos graciosamente.

Quando entendemos o real valor da graça não reclamamos, clamamos; não murmuramos, suspiramos; não nos revoltamos contra Deus, mas nos voltamos para Ele!

Deus não tem a obrigação de nos abençoar, mas sempre nos abençoa por sua graça! Quem realmente sabe o que é graça, mesmo quando passa por tribulações, tem condições de louvá-LO.

Na verdade viver sem a graça é andar em zonas de riscos e perigos! A graça de Deus persegue os humildes, mas desvia-se dos autossuficientes!

A graça não nos faz meramente engraçados, mas nos torna felizes! O engraçado diverte e até provoca risos, pois é espirituoso e não há nada de errado nisso. Perigoso é ser engraçado sem a graça!

E o Deus de toda a graça, que em Cristo Jesus nos chamou à sua eterna glória, depois de havemos padecido um pouco, ele mesmo vos aperfeiçoe, confirme, fortifique e estabeleça.

A ele seja a glória e o poderio para todo o sempre. Amém. I Pedro 5.10,11

quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Vitrine ou espelho?

Imagem: internet
Dário José

Na vitrine não há reflexos, mas exposição de imagens.
No espelho há feedback da nossa própria imagem exposta.

A vitrine mostra nossas tendências passageiras.
O espelho mostra que somos passageiros e tendenciosos.

Na vitrine se enxerga o que é montado para ser visto por todos.
No espelho só o que poucos podem veem pode ser desmantelado.

Na vitrine mudamos alguma coisa na imagem para não parecer o que é.
No espelho a imagem refletida nunca será diferente do que ela é de fato.

Há pressa e celeridade de nos expormos às vitrines.
Há vagaridade de nos colocarmos ante aos espelhos.

Nossa mediocridade passa adiante pelo vidro da vitrine.
A lâmina do espelho nos devolve nossa falsa humildade.

A vitrine nos entorpece e nos torna tão fúteis!
O espelho nos abre os olhos de quanto somos repugnantes.

Na vitrine, somos atores buscando reconhecimento e fama.
Ante ao espelho, somos gente que limpa a maquiagem pesada.


 A “vitrine” é amiga do mundo enganador (I João 2.15). O que expomos nas vitrines está eivado de engano.  O “espelho” é símbolo da Palavra (Tiago 1.21-25), que nos alerta, adverte, avisa, denuncia. A Palavra de Deus é eterna (I Pedro 1.24,25). O mundo passa, porém quem faz a vontade de Deus permanece para sempre (I João 2.17).

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Até quando, Senhor?

Foto: internet

Dário José

Habacuque, perplexo, disse em meio a dor
Que açoitava sua’lma: “Até quando, Senhor?”
A pergunta não teve a resposta desejada
Pois vaticinava disciplina à nação amada
Israel havia se afastado do Fiel Pastor

Há séculos a mesma pergunta é repetida
Por quem busca em Deus sua guarida
Ao ver tanta injustiça campeando
E um total descontrole se avizinhando
Quando reservas de força é exaurida

Há “gritos” que nunca serão percebidos
Mistura de lágrima, sussurro e gemido
“Até Quando, Senhor?”- se diz baixinho
Não ouve os filhos, o cônjuge, o vizinho
Não escuta nem o melhor dos amigos

Há dominadores, injustiça, violência
Há vítimas, dor, escórias, carências
A verdade é duramente rejeitada
Enquanto a mentira é aceita e amada
Gerando a sensação de impotência

Há um único caminho a se percorrer
Por quem procura a Deus obedecer
Mesmo que faltem amigos e bens
Nunca se tornar do pecado refém
Pois o justo só pela fé deverá viver

Como Habacuque, temos a mesma indagação
“Até quando, Senhor?” – só ecoa no coração
De quem sabe seu grito nos lábios silenciar
Pois discerne que há cuidadoso apascentar
Do Pastor que sempre socorre com salvação


sexta-feira, 15 de julho de 2016

Fazemos tudo para a glória de Deus?

Dário José

“Portanto, quer comais, quer bebais ou façais outra coisa qualquer, fazei tudo para a glória de Deus” (I Coríntios 10.31).

Comer e beber. Essas duas palavras quando na Bíblia aparecem juntas, pode significar subsistência da vida física sobre a terra. O verbo fazer (do grego poieo), conforme o texto acima significa produzir, construir, formar, modelar, efetuar, executar, celebrar; considerar ou designar alguém, etc.

Glória. A palavra glória no Antigo Testamento em hebraico é kãbhôdh, que é de uma raiz vinda dos termos como “dignidade” e “peso”.  No Novo Testamento glória, do grego, é doxa que além de significar esplendor e brilho, também tem o sentido de opinião positiva, ponto de vista e julgamento a respeito de alguém, que resulta em louvor, honra, e glória.

Portanto, comer, beber ou fazer qualquer outra coisa para a glória de Deus envolve um leque de atividades. Tem a ver com tudo que pensamos, tudo que falamos e tudo que realizamos.

Glória de Deus e glória humana

As realizações, a sabedoria, o status, a riqueza ou o poderio de uma pessoa é visto como a sua glória. Mas essa glória humana é meramente passageira (Isaías 40.6-8). Esse tipo de glória difere da glória que é exclusiva de Deus e que não pode ser direcionada ou transferida aos homens (Salmos 115.1; Isaías 42.8).

A glória de Deus indica a presença de dEle na história da humanidade. Na Bíblia temos exemplos da glória (visível) de Deus numa nuvem acompanhando a caminhada do povo, no monte Sinai se manifestando através de raios e trovões, no Templo de Jerusalém, nas visões de Ezequiel, de Isaias, etc. A manifestação da excelência e da dignidade de Deus é a beleza de suas perfeições multiformes (Isaías 44.23; João 12.28; 13.31-32).

A presença da glória de Deus estava na Pessoa e na obra de Jesus, através dos milagres e sinais, na transfiguração, ressurreição e ascensão (Lucas 2.9-14; João 1.14).

Fazer tudo para a glória de Deus ou para a nossa?

É perigoso transferir a glória de Deus para qualquer outra pessoa ou coisa (Romanos 1.20-23). É extremamente danoso fazer algo por vã glória (Filipenses 2.3-8) ou por puro exibicionismo religioso (Mateus 6.1-8, 16-18). Quem se gloriar glorie-se no Senhor (II Coríntios 10.17).

Nossa salvação não é baseada em obras para que não haja glorificação pessoal (Efésios 2.8-10). Na verdade, toda obra salvífica gera glória e louvor ao nosso Deus (Efésios 1.5,6). Há um “peso de glória” no tempo presente que é dosado e permeado com sofrimento (II Coríntios 4.16-18), pois há uma glória que ainda será revelada em nós no futuro (Romanos 8.17,18; II Timóteo 4.6-8; I Pedro 5.4).

Fazer tudo para a glória de Deus é reconhecer a sua magnificência, excelência, preeminência, dignidade, graça, majestade, etc. Glorificá-LO é responder com honra e adoração às suas manifestações, como adoradores, por meio do louvor dos lábios, das ações de graça e da obediência a ele e a sua Palavra (João 17.4; Romanos 4.20; 15.6,9; I Pedro 4.12-16)!


Soli Deo Gloria!

domingo, 12 de junho de 2016

Uma bela vitrine e um velho espelho

Dário José
Imagens: internet

– EU SOU de grande importância! – declara a bela vitrine.

– Por quê?  – Pergunta um velho espelho.

– SOU EU que revelo as últimas tendências da moda mundial aos transeuntes e à sociedade! – esnoba a vitrine.

– Mas que importância tem isso?  – indaga o espelho.


– De onde você é afinal? Pelo visto não entende nada de moda! EU SOU muito procurada... – retruca a vitrine.

– Você não respondeu a minha pergunta: 'o que há de tão importante exibir looks de Paris, Londres, Nova Iorque ou São Paulo, para os que passam?'  – Questiona pacientemente o velho espelho.

– Bem... EU SOU muito importante para ficar perdendo tempo com um velho e empoirado espelho jogado na calçada e prestes a ser recolhido para o lixo! – Grita a vitrine irritada.

– É verdade, não passo de um espelho envelhecido e aparentemente descartável. Vivi na parede de um belo prédio perto daqui, por mais de dois séculos. Lá os nobres e suas três gerações me procuravam no corredor principal daquela mansão, pois queriam se ver, saber como estavam vestidos e ornamentados. Eles passaram. A mansão também. Vim parar aqui pelas mãos de um mendigo que me abandonou e não sei como vai ser o meu futuro... Mas de uma coisa tenho certeza, nunca fui falso nem menti a ninguém. Quando se posicionaram em minha frente, nobre ou mendigo, apenas refleti o que eles de fato eram... – Finaliza o velho espelho.

No fim da tarde daquele dia um antiquário, ao passar pela calçada, viu o desbotado e envelhecido espelho. Seu olhar clínico o fez entender que se tratava de uma bela e valiosa peça, então levou-o  para ser restaurado. No mesmo dia, no final do expediente, quando a loja fechou suas portas, toda decoração da bela vitrine foi mudada, devido às exigências das novas e voláteis tendências.

Moral da estória: a vitrine apenas mostra a moda que muda, mas espelho não muda para mostrar o que não somos!


Direitos autorais: Dário José