quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Para que (não) serve o púlpito?




Dário José

A palavra púlpito vem do latim pulpitum, que traduzindo significa palco, estrado. Local de onde fala um orador, geralmente dentro de um templo religioso. Praticamente, todas as igrejas (protestantes ou não), se utilizam desse móvel, colocando-o no centro da plataforma, geralmente elevada, talvez para trazer a conotação de autoridade e centralidade. Dali, pregadores costumam se dirigir à congregação para expor suas pregações, preleções, homilias, doutrinas, ministrações, depois das leituras das Sagradas Escrituras, a Bíblia. 

Mas infelizmente, pastores e outros líderes estão usando esse espaço físico (o púlpito) e o precioso tempo de que dispõem para outras (in)utilidades, roubando, muitas vezes, a única oportunidade da semana que têm com seus ouvintes (as ovelhas). Vejamos o quê o púlpito não é: 

Púlpito não é lugar de autocomiseração, onde o “pregador” fala de suas lamúrias buscando sensibilizar os ouvintes das suas “coitadices”. Isso é reclamação, nunca deve ser visto como pregação.

Púlpito não é palco de stand up comedy, onde se conta anedotas, piadas e estórias engraçadas, buscando arrancar risos da “platéia”. Isso é não é estar sob a graça, é ser engraçado.

Púlpito não é divã de analista, onde pregadores tentam aliviar sua frustrações diárias com seus “desabafos” pessoais à Igreja. Isso não é apascentar, mas “apausentar” ovelhas (dá paulada).

Púlpito não é tribunal de júri, onde líderes procuram se defender, tentando mostrar  “a  transparência” das suas ações.  Isso é falsidade maquiada de santidade.

Púlpito não é lugar da “mensagem de carapuça” (mensagem que soa como uma crítica, como feita de encomenda), quando se tenta solucionar os problemas dos membros da congregação através de pregações dirigidas indiretamente. Isso é pastoreio à distância.

Púlpito não é lugar de fofocas, onde se expõem confidências de gabinetes pastorais e de conversas pessoais com a membresia. Isso é assédio moral.

Púlpito não é palanque político, onde candidatos têm neles, suas tribunas para referendarem e promoverem suas campanhas. Isso é trocar o sagrado pelo comum.

Púlpito não é balcão de SPC, onde se expõe e se cobra as ”dívidas” dos fieis. Isso é afronta pessoal, não cuidado pastoral.

Púlpito não é mesa de barganha financeira, onde “tentam” negociar com Deus dízimos, ofertas e contribuição afins. Isso é pressão psicológica, não exposição teológica.

Púlpito não é lugar para palestras motivacionais ou de autoajuda, onde os ouvintes buscam ouvir o que desejam. Isso é alimentar o povo com “fast food” e não com alimento sólido.


Então, para para você líder, pregador e/ou ensinador, para que serve o púlpito? 

6 comentários:

  1. É... meu prezado... o negócio está brabo. Já está dando trabalho discernir púlpitos de púlpitos. Que Deus nos guarde em sua sabedoria.

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  2. Muito bem colocado, Pr. Dário!!
    Fico revoltada com a má utilização dos púlpitos na igreja e o que mais me irrita é o povo aceitar tudo calado.
    Como está escrito em Oseias 4.6, o povo de Deus está sendo destruído por falta de conhecimento e deixando se enganar por um pseudo evangelho.
    Que Deus nos dê ousadia para pregar contra as práticas citadas neste texto!
    Míriam Nunes - Ribeirão PReto - SP

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