segunda-feira, 22 de outubro de 2012

O paradoxo da esperança



Dário José

Há um dito popular que diz: "a esperança é a última que morre...” A esperança é tida como uma crença emocional que vislumbra a possibilidade de resultados positivos relacionados com eventos e circunstâncias da vida pessoal. A esperança é calcada na perseverança, pois acredita que algo é possível de acontecer, mesmo quando tudo se mostra contrário. Esta é uma explicação simples da esperança.

No Antigo Testamento há várias citações (e exemplos) daqueles que viram em Deus a Fonte de sua esperança (Salmos 39.7; 62.5; 71.5; Jeremias 17.7 etc.).

Como cristão, vivenciando o Evangelho de Cristo que pulsa dentro de mim e procurando obedecê-lo integralmente, não obstante as circunstâncias adversas, sou “capitaneado” por este Evangelho a crer na realidade da real esperança. À luz do Evangelho, como qualificaria esta esperança? Confiança no cumprimento de um desejo ou de uma expectativa.

O apóstolo Paulo diz que as principais virtudes da vida cristã formam um trio: fé, esperança e amor (I Coríntios 13.13). Então a esperança é a segunda virtude desse trio. Paulo também diz a esperança se baseia na (inteira e total) confiança em Deus (Romanos 15.13) e que Cristo é a nossa esperança (I Timóteo 1.1; Colossenses 1.27). 

Mas, há momentos na nossa vida que parece que “tudo está andando ao contrário”, mesmo que “latejem” no coração as promessas e a mente não se esqueça dos “sonhos” e “revelações proféticas”. Então, para conforto nosso Paulo nos lembra que “Abraão, esperando contra a esperança, creu, para vir a ser pai de muitas nações, segundo lhe fora dito: Assim será a tua descendência” (Romanos 4.18 – grifos nosso). Vejo isso como “o paradoxo da esperança”! E o que um paradoxo? É toda opinião contrária à comum; aquilo que é contraditório e incompatível com a realidade que se vive.

O símbolo da esperança é a âncora (Hebreus 6.17-20). A âncora só fica à mostra quando o navio navega sobre as águas tranquilas. Mas há momentos que ela fica oculta: quando o navio está parado no porto ou quando enfrenta alguma tempestade, que a melhor alternativa é lançá-la ao mar para que a embarcação não navegue à deriva. 

Haverá momentos que precisaremos “aportar” para nos “reabastecermos” e haverá momentos que enfrentaremos a força das “tempestades”, em ambos, precisaremos da “âncora”. Precisamos de esperança quando não sabemos o que iremos enfrentar e também quando estamos no meio da fúria dos ventos.

Tanto em mar calmo (no porto) como no meio dos temporais, somos testados e a nossa esperança é solidificada, robustecida, fortificada. Por isso, Paulo nos diz que a “tribulação gera perseverança, que gera experiência, que gera esperança” (Romanos 5.1). E quem tem essa esperança não vive “em confusão” (Romanos 5.5).

A verdadeira esperança atinge sua plenitude quando no meio do caos vislumbramos o cosmos, no meio da desordem enxergamos a ordem, no meio da completa aridez sentimos o cheiro de uma flor (Romanos 8.24).

É paradoxal a situação que nos confronta atualmente? Então “Guardemos firme a confissão da esperança, sem vacilar, pois quem fez a promessa é fiel” (Hebreus 10.23 – grifos nosso).

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