quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Os evangélicos e a política



 

Dário José

O Brasil tem mudado desde o final dos anos 70, quando havia por parte da população, forte submissão aos currais eleitorais [1].  O número dos evangélicos também cresceu e com esse crescimento veio também conscientização política (que penso ser ainda parcial e não total). Os evangélicos se tornaram um “grande filão” para os políticos, gerando “alianças“ entre os caciques políticos [2] e certos líderes cristãos.

É comum ouvir nos arraiais evangélicos frases com os seguintes teores: “Vamos eleger um evangélico, porque mesmo que não seja ‘tão certo’, mas é crente”. "Irmão só deve votar em irmão”. “Vamos colocar um crente lá para fazer a diferença”. Clique aqui e veja o nosso primeiro post sobre política.
É também comum ouvir algumas “argumentações bíblicas” de evangélicos que se enveredaram pela política: “José foi primeiro ministro no Egito”, ”Daniel foi político do alto escalão na Babilônia”, “Neemias, de copeiro de Artaxerxes voltou do cativeiro e tornou-se governador em Jerusalém”, “Ester foi líder (política) entre o seu povo”, “Jesus tinha entre seus discípulos, um senador, José de Arimateia”, 
Mas precisamos entender (corretamente) o porquê desses líderes acima citados estarem exercendo algum poder político em seu tempo:
  •       Eles não colocaram os seus nomes a disposição do povo, por meio de uma candidatura desejando o “sufrágio nas urnas”.
  •       Eles não escolheram estar onde estiveram, pois estavam dominados por algum império: José sob o domínio egípcio; Daniel sob os babilônicos; Neemias e Ester sob o império Persa; Jesus sob Roma (e José de Arimateia era apenas seu discípulo).
  •       Todos eles foram levantados (e foram usados) por Deus em um momento ímpar, para o cumprimento do seu Plano Eterno.
Muitos argumentam que os patriarcas, juízes, reis e até os sacerdotes, pela força dos  cargos, foram políticos. Sem dúvida, no exercício das suas lideranças, houve os elementos da prática política [3]. Mas querer trazer os exemplos do Antigo e Novo Testamento, usando textos isolados das Escrituras, sem fazer a interpretação correta à luz da hermenêutica bíblica, para querer respaldar as práticas hodiernas da política, é no mínimo infantilidade, para não dizer barbaridade.
Há candidatos que por terem nomes bíblicos, se apropriam de textos das Escrituras como slogan para referendarem suas campanhas políticas. Vamos supor que certo candidato por se chamar Daniel, usa o texto do livro do profeta Daniel, Capítulo 9, verso 23 e vocifera como grito de campanha: “Vote em Daniel! Ele é um homem amado por Deus!”. Qual a correlação que tem o texto bíblico com a candidatura do citado “Irmão”. Esse exemplo é fictício. Se houver semelhança, será mera coincidência.

Vivemos um momento da nossa história em que muitos líderes evangélicos que estão à frente de grandes rebanhos, estão também com muito espaço na mídia, alcançando as massas com suas pregações (ou seus discursos). E alguém diz: ”temos que colocar ‘um dos nossos’ lá para que ‘mude’ o sistema...” E se o sistema mudá-lo?
Em breve, voltaremos a declinar sobre esse tema. Um dia antes das Eleições (dia 6 de outubro), publicaremos o terceiro e último artigo sobre política.
[1] Curral eleitoral é uma expressão utilizada por historiadores brasileiros na República Velha que indicava uma região onde um político possuía grande influência, é bastante conhecido ou onde é muito bem votado. A origem da expressão vem do tempo em que o voto era aberto no Brasil. Assim, os coronéis mandavam capangas para os locais de votação, com objetivo de intimidar os eleitores e ganhar votos. As regiões controladas politicamente pelos coronéis eram conhecidas como currais eleitorais. Nesses locais o coronel oferecia ao eleitor trabalho, dinheiro, moradia, para votar em seu candidato.

[2] Cacique político é o chefe político local de uma determinada comunidade. Pode ser um deputado estadual, federal ou um senador. Seu domínio se espalha pelos currais eleitorais que estão a seu dispor.

[3] Política denomina arte ou ciência da organização, direção e administração de nações ou Estados; aplicação desta ciência aos assuntos internos da nação (política interna) ou aos assuntos externos (política externa). Nos regimes democráticos, a ciência política é a atividade dos cidadãos que se ocupam dos assuntos públicos com seu voto ou com sua militância.

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Depois...



Dário José

Para quem confia e espera inteiramente em Deus, baseado na sua Soberana Vontade, haverá um DEPOIS Feliz!

Depois do caos, vem o cosmo (Gênesis 1.1-25).
Depois da Queda, vem a Salvação (Gênesis 3.1-24; João 3.13-21).
Depois da cruz e do sepulcro, vem a ressurreição e ascensão (I Coríntios 15.1-28).
Depois de Eli com icabô (hb - sem glória), vem Samuel com ebenézer (hb – pedra de ajuda (I Samuel  4.12-22; 7.5-17).
Depois do sofrimento, vem a glorificação (Romanos 8.17).
Depois de Saul, vem Davi (I Samuel 16.1).
Depois de 400 anos de silêncio, vem João Batista (Malaquias 4.5,6; Mateus 17.10-13).
Depois do vale de Gerar, vem Berseba (Gênesis 26.1-30).
Depois da teoria, vem a prática (Jó 42.1-6).
Depois da semeadura de lágrimas, vem a colheita em risos (Salmos 126.5,6).
Depois da terrível amargura, vem as bênçãos sem medidas (Gênesis 49.22-26).
Depois da humildade, vem a honra (Provérbios 15.33).


Para quem confia em si mesmo, baseado na própria vontade, haverá um trágico DEPOIS!

Depois da soberba e altivez, vem a ruína devastadora (Provérbios 16.18).
Depois da desobediência, vem a rejeição divina (I Samuel 13.8-14;15.1-23;16.1).
Depois da ganância, vem a lepra (II Reis 5.20-27).
Depois do complô, vem a forca (Ester 7.1-10).
Depois da rebelião, vem o abismo (Números  16.1-35).
Depois da mentira, vem a morte (Atos  5.1-11).
Depois da autoescolha, vem a tragédia familiar (Gênesis 13.1-13; 19).
Depois da autoexaltação, vem a desconstrução de uma história (II Crônicas 26.1-23).
Depois de amar ao dinheiro, vem a tormenta de espírito (I Timóteo 6.6-10).
Depois do “perfume” do adultério, vem o “cheiro” da morte (Provérbios 7.1-27).
Depois da escolha do próprio caminho, vem a perdição (Provérbios 16.25).
Depois da cobiça e da inveja, vem a miséria (Tiago 4.1-4).
Depois de uma vida de pecado, vem a horrível expectação de juízo (Hebreus 10.26,27; Romanos 6.23).

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Ensinar é preciso! Mas...



Dário José

Ensinar é necessário, mas ensinar corretamente.  Nenhum de nós nasceu sabendo. Um dia desses vi e ouvi não de um líder cristão, mas de uma apresentadora de TV a seguinte expressão: “Quando eu te faço crescer (te ensino), eu me torno grande!” Ela estava falando do valor do “investimento” que podemos fazer nas outras pessoas, ou seja, ensiná-las e vê-las “crescer”. 

Há pessoas que acham que se ensinar algo a alguém, colocará em risco a “sua posição”. Com medo que os outros se sobressaiam melhor, nega-lhes o aprendizado.

Há os que ensinam o bem e há os que ensinam o mal. Há aqueles que ensinam o certo e aqueles que ensinam o errado. Há quem ensine tudo, há quem ensine pela metade e há quem nada ensine. 

Porém, quem quer ensinar, deve primeiro sentar para aprender. O Senhor Jesus é o Mestre por excelência (Mt 11.28-30). Quem ensina deve está cônscio da grande responsabilidade que “carrega sobre os ombros” e da prestação de contas que um dia dará a Deus (Rm 2.21; 12.7; I Co 11.1; Fl 3.17; Tt 2.7; Hb 5.12; 13.17; Tg 3.1).

Fomos chamados para ensinar (transmitir) alguma coisa para alguém, a alguns ou a muitos. Ensinamos mais com as ações (atitudes, comportamento, postura), do que com palavras.

Há um texto bíblico, onde o apóstolo Paulo incentiva o seu “filho” na fé Timóteo a ensinar (repassar) aos outros, o que aprendera:

“E o que de minha parte ouviste através de muitas testemunhas, isso mesmo transmite a homens fiéis e também idôneos para instruir a outros.”  II Timóteo 2.2

Em outro momento, Paulo relembra a Timóteo do valor de todo o ensinamento doutrinário que esse havia recebido desde a tenra idade:

“Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste”

“e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus.

“e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus.” II Timóteo 3.14,15

O apóstolo Paulo consciente da sua chamada de anunciar (ensinar) o Evangelho de Jesus Cristo, se via “devedor tanto de gregos como de bárbaros, tanto de sábios como de ignorantes”. Nele ardia um desejo: que os cristãos não fossem ignorantes (desconhecedores) dos mistérios que Deus o tinha revelado (Romanos 2.4; 6.3; 11.25; I Coríntios 10.1; 12.1; II Coríntios 2.11; I Tessalonicenses 4.13).

Assisti a um filme que não lembro o título, mas lembro de uma frase escrita num cartaz em uma sala. Na época, parei o filme (ainda em fita VHS, será que faz tempo...), e escrevi o que pode ser lido abaixo, e no meu fraco inglês, traduzi para melhor compreensão:

Teach the people

If you plan for a year, plant a seed.
If for ten years, plant a tree.
If for a hundred years, teach the people.

When you sow a seed once, you will reap a single harvest.
When you teach people, you will reap a hundred harvests.

Ensine as Pessoas

Se você planeja por um ano, plante uma semente.
Se por dez anos, plante uma árvore.
Se por cem anos, ensine as pessoas.

Quando semear uma semente uma vez, você terá uma simples colheita.
Quando você ensinar as pessoas, terá centenas de colheitas.

Aprenda primeiro, para depois ensinar. Continue com fome de aprender, enquanto ensina! Conserve a alegria e humildade quando estiver ensinando!

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Para quem gosta da língua portuguesa




Dário José

O fictício episódio abaixo revela a extrema necessidade da correta pontuação e acentuação no manuseio da nossa língua.

Certo cidadão deixou todas as suas economias (um tesouro) para alguém, mas a única prova (testamento) era um bilhete encontrado sobre a sua escrivaninha. Esse cidadão, de família, só tinha uma irmã e um sobrinho. Não deixou dívidas, a não ser uma pequena conta do último terno que fizera com o amigo alfaiate. Era um homem bom, pois mensalmente ajudava uma instituição de caridade da sua cidade. Só que havia um problema: o bilhete deixado por ele não tinha nenhum sinal de pontuação nem de acentuação. Veja o bilhete:

“Deixo os meus bens a minha irmã não ao meu sobrinho jamais será paga a conta do alfaiate nada aos pobres”

Agora vamos imaginar se um dos quatro personagens dessa estória (a irmã, o sobrinho, o alfaiate e o representante da instituição de caridade), tivesse tido acesso ao bilhete primeiro, pudendo acentuar e pontuar corretamente o texto, para quem iria a fortuna?

A irmã: “Deixo os meus bens à minha irmã. Não ao meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate! Nada aos pobres!”

O sobrinho: “Deixo os meus bens. À minha irmã, não, ao meu sobrinho. Jamais será paga a conta do alfaiate! Nada aos pobres!”

O alfaiate: “Deixo os meus bens. À minha irmã, não! Ao meu sobrinho, jamais! Será paga a conta do alfaiate. Nada aos pobres!”

O representante da instituição de caridade: “Deixo os meus bens! À minha irmã, não! Ao meu sobrinho? Jamais! Será paga a conta do alfaiate? Nada! Aos pobres!”