quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Seis sonhos e um reino – Capítulo 2


Dário José

Uma Ferida Mortal


Era uma vez, um simples Camponês que continuava morando numa casa simples, distante do Palácio Real.

Ele me procurou mais uma vez, com ar de preocupado, para contar o segundo sonho que teve: “Me encontrava, caminhado estrada afora, quando de repente vi o Príncipe, o mesmo do sonho anterior, vindo em direção oposta a minha. 

“A cena que vi era o oposto da primeira, pois o Príncipe estava conduzindo uma carruagem muito velha, caindo aos pedaços. Mas não havia mais baú e nem tampouco o segredo nele contido. A imagem do Príncipe era terrível: estava seminu, muito magro, sujo e tinha uma perfuração de punhal no lado direito do corpo, na altura do abdômen, próximo a pelve. 

“O Príncipe quando me viu, parou a carruagem e olhou profundamente nos meus olhos, mas não disse nenhuma só palavra. Entretanto, o seu olhar suplicava por ajuda. Corri ao seu encontro buscando socorrê-lo, mas me senti impotente diante daquela situação. Enquanto me preocupava em saber o que deveria fazer para ajudá-lo, mais uma vez, acordei”. 

O Camponês me disse também que contou o segundo sonho à esposa, mas, como ambos continuavam sem nada entender, resolveu não contar a mais ninguém. Inclusive, o próprio Príncipe, figura central dos seus sonhos, deveria ser poupado dessas informações, pois tinham a forte sensação que tal relato não seria bem recebido por ele. Só eu, seu confidente, gozo do privilégio de ouvir os seus “sonhos proféticos”.
 
Dois anos depois...


Dois anos se passaram, e devido à abdicação do Rei anterior, o Príncipe recebeu a coroa real sobre a sua cabeça. E o Camponês? Bem, não me pergunte como (sou apenas o narrador dessa estória), mas o Camponês tornou-se Marquês e passou a residir em uma casa, menos simples, nas proximidades do Palácio Real. 


Passando algum tempo, o agora Marquês, recebeu como por iluminação divina a interpretação parcial do primeiro sonho que tivera com o antigo Príncipe. Então, ele me procurou e relatou a sua “descoberta”:


“Meditando, a sós com Deus em minha casa, entendi com clareza que a insígnia real que vi bordada na veste, do lado esquerdo do peito do então Príncipe, era a sua ascensão ao trono, como de fato aconteceu. E o baú cheio de segredo, fala da condição, da função e da responsabilidade que a monarca precisa para governar o povo, sob os auspícios de Deus.  


“Sobre a queda que ele sofreu, deixando à mostra o segredo do baú, não me veio nenhuma interpretação até o momento. E isso tem me deixado aflito. E sobre o segundo sonho, também não tenho nenhuma explicação plausível, principalmente a ferida mortal no abdômen do Príncipe. Talvez um dia eu tenha a interpretação...”



Não perca, neste mesmo Blog, a continuação de Seis Sonhos E Um Reino. Nosso próximo capitulo: A Família Real.



P.S. Será que o Marquês terá a interpretação da “queda do Príncipe” do primeiro sonho? E o segundo sonho? Será que ele chegará a alguma elucidação?



Dário José (direitos autorais reservados).

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