quinta-feira, 21 de março de 2013

Seis Sonhos E Um Reino – Capítulo 4



 
O Reino Roubado

Você se lembra do Camponês que se tornou Marquês? (Se não lembra ou não leu os posts anteriores, é só clicar e conferir: Capítulo 1, Capítulo 2, Capítulo 3). Bem, o Marquês que já me confidenciou três dos seus primeiros sonhos que tivera com o Príncipe que se tornara Rei, já havendo passado seis meses, tornou a me procurar para contar seu quarto sonho.

Sempre que me procura para contar mais um sonho, ele traz a interpretação do sonho anterior. Dessa vez, ele estava mais preocupado do que das vezes anteriores. Passou algum tempo em silêncio olhando para o chão, de repente de endireitou, olhou para mim e falou: “Não sei o porquê de Deus me mostrar todas ‘essas coisas’ em sonhos. Também não sei por que as interpretações só me vêem ao entendimento tempos depois. Tive um novo sonho, mas gostaria de falar primeiro da interpretação do meu sonho anterior.

“As cenas que vi no meu terceiro sonho, o do Salão de Reuniões Litúrgicas, Deus me fez compreender o seu significado. O Rei sozinho deitado e dormindo numa cama, fala da sua solidão na liderança e da sua demência espiritual em governar; estando seminu, mostra que ele se tornou repreensível diante do seu povo; o lugar (atrás do Salão Litúrgico), que mais parecia um depósito com móveis e equipamentos velhos, reflete a desorganização do seu reino; o seu sono ‘leve’ e a maneira assustada que acordou, aponta para as suas noites de ‘pesadelos’ em que reflete sobre seus próprios erros.

“A cena que vi ao me afastar do Rei e entrar no Salão de Reuniões Litúrgicas, foi a de um grupo de aproximadamente vinte pessoas entre fardos de tecidos coloridos, espalhados pelo chão, discutindo sem chegarem a um consenso, tendo pouquíssimo tempo para prepararem as cortinas daquele Salão, pois o sol já raiava. A irmã da esposa do Rei e o seu marido, que queriam ‘controlar’ aquela ‘desordem’, foram as únicas pessoas que reconheci no sonho.

“A interpretação dessa cena é a seguinte: esse grupo é a Família Real ‘envolvida’ em várias áreas do Reino, representada pelas cores dos tecidos; a discussão sem se chegar a um acordo reflete a desunião dessa família que ‘luta’ pelo poder; a noite já chegando ao seu fim, aponta para as ‘dificuldades’ geradas pela Família Real (estando o Rei ‘dormindo’), mas que há esperança no novo dia que está chegando; a eminência  da irmã da esposa do Rei e a do seu marido no sonho, reflete a influência (negativa) que esse casal exerce sobre o Rei.

“Procurei um velho sábio ancião que morava numa montanha próxima ao Palácio Real e confidenciei-lhes os três primeiros sonhos. Perguntei-lhe se deveria contar ao Rei. Ele olhou para mim, ponderou, ponderou e finalmente respondeu: ‘Se você não tem juízo, conte-lhe esses sonhos. Mas, se quiser preservar a sua vida e a da sua família, mantenha a boca fechada...”

Um quarto sonho

Após trazer a interpretação do sonho anterior e falar da conversa que teve com o sábio ancião, o Marquês me contou o seu quarto sonho: “Estávamos indo com o Rei, eu e outros marqueses, em várias carruagens, a um condado bem distante do Palácio Real, junto ao Mar do Norte. Eu entendia no sonho que o Rei estava indo buscar doações concedidas por um nobre conde daquelas terras: mesas, cadeiras, armários, papiros, penas e tintas para escrita.. Eu estava na segunda carruagem, atrás da Carruagem Real, que quem conduzia era o próprio Rei e éramos seguidos por outras carruagens. O interessante e intrigante é que só a Carruagem Real era puxada por cavalos e as demais carruagens estavam atreladas a ela.

“Era noite e havia chovido muito, pois havia no ar o frescor da umidade que vinha da grama e das folhas das árvores. Ao mesmo tempo em que enfrentávamos dificuldades na nossa jornada, por conta dos buracos da estrada, de vez enquanto vislumbrávamos a beleza da lua refletida nas poças de água.

”Percebi que o Rei estava muito preocupado, apreensivo e com pressa de chegar. Eu me sentia muito angustiado, pois sabia que nas carruagens em que estávamos indo, não teríamos condições de transportar todas as doações do conde. Mas, tanto eu como os demais marqueses não ousávamos falar nada ao Rei, visto quê estava obstinado em empreender aquela viagem. Todos nós sabíamos que quando agia assim, era impossível dissuadi-lo.

“Percebi também que na ‘Carruagem Real’, estava sentado um ‘Bobo da Corte’, que com suas ‘estripulias’ e ‘bobagens’ prejudicava a concentração do Rei, que estava muito suado e com as rédeas dos cavalos nas mãos. Com autoridade pedi ao “Bobo” que deixasse o Rei em paz e, inexplicavelmente, ele desapareceu. Ao sairmos da longa floresta e chegarmos finalmente ao nosso destino, percebemos que não havia móveis nem os objetos que tínhamos ido buscar. O Rei, com as mãos na cabeça e desesperado, andava de um lado para o outro na frente da bela casa, que ficava com vistas para o Mar do Norte. Mas o conde nem mais ninguém estavam nos esperando. Mais uma vez, sem nada entender, acordei.”

Não perca, neste mesmo Blog, a continuação de Seis Sonhos E Um Reino. Nosso próximo capitulo: O Livro Perdido.

P.S. Qual a interpretação que o Marquês terá desse quarto sonho? E “O livro Perdido”? Qual será o conteúdo do quinto sonho do Marquês?

Dário José (direitos autorais reservados).

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