quarta-feira, 5 de junho de 2013

Seis sonhos e um reino – Capítulo 5


Dário José

O Livro Perdido

Pare um pouco! Se você ainda não leu os quatro primeiros capítulos ou simplesmente quer recordá-los, é só clicar e conferir: Capítulo 1, Capítulo 2, Capítulo 3, Capítulo 4.

O Marquês me procurou novamente. Já havia se passado três meses, desde que contara o seu quarto sonho. Enquanto sentamos debaixo da sombra de um carvalho, o percebo mais taciturno do que das outras vezes.

Depois de uns vinte minutos em silêncio, de repente o Marquês se levantou e disse: “Quero logo lhe transmitir a interpretação do meu último sonho. Depois conto o meu sonho posterior.

“O que vi no quarto sonho, foi o Rei com a Carruagem Real puxando várias outras carruagens dos marqueses, indo em direção a um condado bem distante do Palácio Real, junto ao Mar do Norte...

“Vamos à interpretação: a ida do Rei às terras distantes, aponta para sua maneira obscura de reinar, pois quem era esse ‘nobre conde’ que lhe concedera ‘doações’? Por que os marqueses não sabiam de nada, apenas obedeciam por não querer confrontar a autoridade do obtuso Rei?

“E as doações: mesas, cadeiras, armários, papiros, penas e tintas para escrita? Bem, tudo isso aponta para a falta de administração do monarca. Se estava indo buscar é porque nada disso existia no Palácio Real. O Rei conduzindo a Carruagem Real com as demais carruagens atreladas reflete a sua prepotência em achar que tem ‘forças’ para fazer tudo sozinho e insensibilidade, por não perceber que estava sobrecarregando o ‘cavalo real’.

“A noite, a umidade da chuva, os buracos e os perigos da estrada apontam para as dificuldades que o Rei, por insensatez, constrange os marqueses passar, sem necessidade.  A lua, que  era refletida de vez enquando nas poças de água, aponta para uma ‘esperança’ remota...Pois depois da noite, sempre virá o dia!

“A preocupação, apreensão e pressa que o Rei demonstrava em chegar ao seu distante destino para obter as ‘doações’, reflete a sua avareza; a angústia que eu sentia (em silêncio), por saber que tais “doações” não poderiam ser transportadas naquelas carruagens, aponta para a ‘obstinação do seu coração’.

“Um ‘Bobo da Corte’ sentado na ‘Carruagem Real’, fazendo ‘estripulias’ e dizendo ‘bobagens’, sem ser repreendido pelo Rei, mesmo prejudicando a sua concentração, retrata a sua incapacidade de repreender os insensatos.

“A decepção do Rei, com as mãos na cabeça e desesperado ao encontrar a casa totalmente vazia em frente ao Mar do Norte, sem o tal  ‘conde’ e sem as ‘doações’, aponta para as suas infrutíferas ‘buscas’, quando preferiu confiar simplesmente na força humana ao invés de  confiar em Deus”.

O quinto sonho

Eis agora o quinto sonho do Marquês: “Eu estava chegando à entrada do ‘Salão Litúrgico”, de onde vi os súditos sentados de maneira ordeira, aguardando os ensinamentos do Rei.  Mas, de repente o meu olhar se desviou para a Sala dos Escritos, que ficava ao lado, pois ouvi a voz do Rei que falava de maneira alterada.

“Ao me aproximar da porta que estava aberta, o vejo acompanhado do seu Escriba Mor, e com ar de zangado, andava de um lado para o outro da sala. Inquieto, falava repetidamente: ‘Onde está o meu pergaminho? Onde está o meu pergaminho? Só quero saber onde está... ’

“O Escriba Mor esgotando as possibilidades de acalmá-lo, lhe diz: ‘Aqui está meu pergaminho, Majestade! Pode fazer uso dele... ’ O Rei que quase não o deixa terminar a frase, vocifera irritado: ‘Não! Não! Não quero outro, eu quero o meu pergaminho! ’

“A última cena que vejo antes de acordar é a do povo pacientemente sentado no Salão Litúrgico esperando o seu Rei, enquanto um dos marqueses entoa cânticos num fim de tarde, pois no horizonte o sol rapidamente se despede do dia.”

Não perca, neste mesmo Blog, a continuação de Seis Sonhos E Um Reino. Nosso próximo capitulo: O Reino Invadido.

P.S. Desse último sonho que você leu agora, qual será a sua interpretação? E, “O Livro Perdido”, do que se trata?

Dário José (direitos autorais reservados).

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