segunda-feira, 28 de janeiro de 2013

Cinco olhares sobre a tragédia de Santa Maria



Foto: Fernando Borges/Terra
Dário José


Desde que foi divulgada as primeiras informações pela mídia da tragédia oriunda do incêndio na boate Kiss, em Santa Maria, no Rio Grande do Sul, na madrugada do último domingo (27), até o momento, com 232 pessoas mortas, as redes sociais sofreu uma verdadeira revolução, através do Facebook e do Twitter, internautas de todo o país compartilham dor, imagens, denúncias e solidariedade em seus perfis.


Esse infortúnio mexeu com o Brasil, emocionou a presidenta Dilma Roussef, tornou-se manchete na imprensa nacional e internacional, despertou a atenção de líderes e personalidades de todo mundo.


Mas, gostaria de refletir e destacar cinco olhares acerca desse funesto acontecimento: 


O olhar da simpatia. A afinidade que aproxima muitas pessoas da tragédia por terem já perdido alguém em situação idêntica.


O olhar da antipatia. Expressa uma repulsa instintiva, que afasta tais pessoas do fato, achando que isso nunca possa ocorrer com elas. Alguns, até por fanatismo religioso, fazem juízo temerário sobre as vítimas desse sinistro.


O olha da apatia.  É o olhar da imparcialidade de espírito ou total indiferença as coisas ao redor. Infelizmente há pessoas que agem assim. De certa forma, a imprensa que presta um bom serviço informando, divulgando e expondo os fatos, às vezes (por parte de alguns), também age apaticamente em face de tragédias dessa proporção. 

Charge de Carlos Latuff


O olhar da elegia. Isso tem a ver com os sentimentos de queixa, dó, tristeza, dor, perca e saudades experimentado por todos familiares e amigos dos que se foram neste infortúnio.


O olhar de empatia. É o sentimento ou estado de espírito no qual uma pessoa se identifica com outra, se colocando no seu lugar. Quem assim age, ora e intercede pelos familiares e pelas pessoas chegadas às vítimas, pois isso é uma característica do verdadeiro cristão (Romanos 12.15).

Que Deus console a todos que sofreram a perda irreparável de um ente querido ou de um amigo nesse fatídico dia 27 de janeiro de 2013.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2013

Melhor do que (dizer) aleluia!





Dário José



Aleluia é uma expressão de louvor a Deus. Em hebraico, haleluyah quer dizer “louvai” (halelu) “ao SENHOR” (Yah). Encontra-se no início e/ou final de vários salmos, chamados de “salmos de aleluia” (Salmos 104-106; 111-117, menos 114; 135; 146-150). Aparece também no Novo Testamento (Apocalipse 19.1-6).


Às vezes, dizemos Aleluia por qualquer coisa e costume apenas, mas não há verdade nas nossas palavras. Assista o  vídeo abaixo da cantora Emy Grant e veja a tradução de Better Than a Hallelujah.



Melhor do Que (dizer) Aleluia

Amy Grant


Deus ama uma canção de ninar,
Nas lágrimas de uma mãe na calada da noite,
Às vezes, é melhor do que (dizer) Aleluia.
Deus ama o choro de um bêbado;
Um soldado implorando para não deixá-lo morrer
Às vezes, é melhor do que (dizer) Aleluia.


Derramamos nossas misérias,
Deus apenas ouve uma melodia.
A bela bagunça que estamos,
O choro honesto de corações partidos,
Às vezes, é melhor do que (dizer) Aleluia.


A mulher lutando pela vida,
O moribundo desistindo da luta,
Às vezes, é melhor do que (dizer) Aleluia.


As lágrimas de vergonha pelo que foi feito,
O silêncio quando as palavras não vêm,
Às vezes, é melhor do que (dizer) Aleluia.
Melhor do que um toque do sino da igreja,
Melhor do que um coro cantando, cantando...


quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Declinações sobre o narcisista



Dário José

Narcisismo é um comportamento visto pela psicologia como um transtorno da personalidade, onde o indivíduo demonstra um padrão invasivo de grandiosidade, tem necessidade de ser admirado e não consegue desenvolver por ninguém empatia (capacidade de se identificar com o próximo, presumindo sentir o que este está sentindo).

Na língua portuguesa existem os homônimos – que são palavras iguais na forma e diferentes no significado. Há três tipos de homônimos: 1 - homônimos perfeitos –  tem a mesma grafia  e o mesmo som: cedo (de manhã) e cedo (do verbo ceder); 2 -  homônimos homófonos – têm o mesmo som mas grafias diferentes: sessão (reunião) e seção (repartição); 3 – homônimos homógrafos: sede (ê) (vontade de beber água) e sede (é) (um edifício).

Há também os parônimos, que são palavras de significação diferente, mas de forma parecida e semelhante. Exemplo: cela (aposento) e sela (arreio para animal).

Abaixo temos uma pequena reflexão que “brinca” com essas palavras (homônimas e parônimas), aplicando-as à pessoa que tem o comportamento narcisista.

O narcisista

Por vivermos na era do “descartável”, a proliferação de narcisistas é até profética (II Timóteo 3.1-5). O Narcisista enxerga o seu semelhante como objeto [1], e na relação interpessoal do dia a dia, o seu próximo não passa de mero abjeto [2]. Quem tem esse comportamento imoral [3], excessivamente se gaba e ri de suas “estórias” e piadas sujas, pois em relação a tudo que é justo,  santo e puro, já se tornou amoral [4].

Não obstante ser fato e notório as evidências de suas falhas, o narcisista não retifica [5] esses erros que maculam o seu caráter, e, ainda tenta ratificar [6] sua omissão com desculpas infundadas. Começa a “caçar[7], como a bandidos, os que confrontam suas faltas e discordam de seu modus vivendi, buscando cassar [8] paulatinamente os direitos desses “antagonistas de plantão”.

Na busca desenfreada para ascender [9] a altos cargos e posições que geram poder, recursos e status, o narcisista não terá dificuldades em acender [10], sem pestanejar, o “pavio da bomba” que destruirá a reputação de “um inocente”, levando-o a “assumir” o seu lugar de culpado. O comprimento [11] da sua arrogância é imensurável. Por outro lado, o seu falso cumprimento [12] quando lisonjeia alguém, buscando ganhos e vantagens não tem como aquilatar.

O narcisista é um destruidor de sonhos, projetos e visões alheias. Se perceber que alguém tem talentos, elevado potencial, dons e atributos, procurará “descobrir” potenciais defeitos, para poder desqualificar essa pessoa, eclipsando suas qualidades. Busca levantar sempre um novo censo [13], desejoso de provar e comprovar os seus feitos. Se autoelogia com prolixos discursos, perde a compostura e o bom senso [14]. Dele sempre vai emergir [15] o marketig pessoal e imergir [16] a humildade e submissão.

O narcisista na “escola da vida” sempre se ver docente [17], nunca se percebe discente [18]. Ao criticar alguém, usa seus “argumentos” como laço [19] de artimanha, pois na realidade é covarde e lasso [20]. Por mais que tente, nunca será eminente [21], a sua frente há um grande  e iminente [22] precipício.  

[1] Objeto – coisa material

[2] Abjeto – algo indigno e desprezível

[3] Imoral - contra a moral, libertino, devasso

[4] Amoral - indiferente à moral

[5] Retificar – consertar, reparar, corrigir

[6] Ratificar – confirmar, comprovar, corroborar, aprovar

[7] Caçar – perseguir para apanhar vivo ou matar

[8] Cassar – anular, cancelar, invalidar

[9] Ascender - subir

[10] Acender - atear fogo

[11] Comprimento - extensão

[12] Cumprimento - saudação

[13] Censo - recenseamento

[14] Senso - juízo

[15] Emergir - vir à tona

[16] Imergir - mergulhar

[17] Discente - relativo a alunos

[18] Docente - relativo a professores

[19] Laço - laçada

[20] Lasso - cansado, frouxo

[21] Eminente - nobre, alto, excelente

[22] Iminente - prestes a acontecer










quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Igreja: organização ou organismo?




Dário José

As igrejas são muitas. São visíveis e locais. São organizações humanas - estabelecimentos públicos ou particulares.


As igrejas têm matizes (cores) variadas, que até provocam divisões e fragmentações nocivas no meio da membresia. As igrejas ostentam placas denominativas diversas que, às vezes, confundem os simples e incautos. As igrejas postulam posições doutrinárias antagônicas, na sua maioria, geradoras de conflitos denominacionais. As igrejas possuem formas de governo diferentes, que nunca satisfazem a todos.


Como organizações podem estar vivas ou mortas, saudáveis ou doentes, mesmo possuindo CNPJ, estatutos, contas para pagar, credo religioso,  endereço (geográfico e eletrônico), fachada, logotipo, projetos arquitetônicos, horários de cultos, rol de membros, etc.


A Igreja é única. É invisível ao olhar natural. É um Organismo Divino - Corpo organizado que tem existência autônoma.

A Igreja tem luz (Mateus 5.14; Apocalipse 1.20). A Igreja pertence exclusivamente ao Senhor Jesus Cristo (Mateus 16.18). A Igreja possui Mandamentos, que se resumem em: amar a Deus, crer no seu Filho Jesus, ser guiada pelo Espírito Santo e amar ao próximo (I João 3.23,24; 4.21; 5.2). A Igreja é um Corpo que obedece unicamente à Cabeça (Efésios 5.23; Colossenses 1.18).


Como Organismo a Igreja é Viva, pois pertence a um Deus Vivo (I Timóteo 3.15). A Igreja existe na mente de Deus antes da fundação do mundo (Efésios 1.3-14). A Igreja possui uma única regra de conduta e fé, a Palavra (II Timóteo 3.16,17; Hb 4.12). A Igreja foi totalmente resgatada pelo seu futuro esposo, Jesus (Gálatas 3.13; I Timóteo 2.4-6). A Igreja possui uma morada eterna nos Céus (João 14.1-3). A marca terrena da Igreja é a cruz de Cristo (Mateus 10.38; I Coríntios 1.18; Gálatas 6.14). A Igreja é edificada (construída), obedecendo às regras de um Projeto Eterno de Deus (Mateus 16.18; Efésios 2.20-22; I Pedro 2.4-10). A Igreja tem um culto contínuo (Romanos 12.1,2). A igreja tem seus membros conhecidos por Deus nos Céus (II Timóteo 2.19).


Podemos frequentar igrejas pertencendo ao rol de membros de uma organização, sem pertencermos à Igreja  e não sermos reconhecidos nos Céus como membros do Corpo do Senhor Jesus (Mateus 7.21-23). Quando, de fato, obedecemos a Cabeça – Cristo - temos a necessidades de congregarmos, de estarmos juntos, de nos agregarmos aos outros membros do Corpo. A Igreja é um "Organismo" cujos "membros" dependem uns dos outros para  manter o "Corpo" vivo (Efésios 4.15,16; Hebreus 10.25).