sexta-feira, 28 de junho de 2013

Todos nascem para liderar?




Dário José

O líder, já nasce ou torna-se líder?  
Há quem concorde e há quem pense diferente:uns dizem ”Todos tem dons, só precisa acordá-los”, outros entendem que “Quem não nasce líder, nunca líder será!”

A liderança, pode ser forjada ou é inata?
Há quem veja nisso verdade e há quem discorde:uns falam “Desejando, posso ser o que eu quiser”, outros percebem que “Só seremos o que Deus planejou na Eternidade!”

O ato de liderar, leva  a pessoa a ser chefe ou servo?
Há quem lidere com arrogância e há quem lidere com humildade:uns impõem “Faça o que mando e não me questione!”, outros pedem “Vamos nos unir para realizarmos os projetos de Deus!”
 
Grave problema

Há pessoas exercendo funções através de “cargos” sem serem de fato líderes escolhidas e confirmadas por Deus. E o que é percebido das ações de tais “líderes”, traz perturbação à alma de quem pondera com seriedade as coisas de Deus. O que vemos é: desastre administrativo, corporativismo exacerbado, inversão de valores; fanatismo no lugar de santidade, “uso” de textos bíblicos no lugar da pregação expositiva da Palavra e exibição de “poder” no lugar da exposição de autoridade proveniente do dom concedida por Deus.

O verdadeiro líder ”exala” Deus no exercício da sua liderança, o seu ministério será sempre marcado pela humildade e tudo o que fizer, prosperará!

Falsos líderes, que desenfreadamente buscam “cargos” querendo “provar” o que Deus lhes negou, além de se tornar um “peso” aos seus liderados, nunca terá a sua liderança aprovada.

Verdadeiros líderes suportam com nobreza de espírito as cargas, e, em silêncio cumpre o ministério que recebeu do Altíssimo!

sábado, 22 de junho de 2013

O cristão deve ou não protestar?



Dário José

Antes de qualquer coisa, o que é protestar? Protestar é afirmar e declarar a própria vontade de maneira solene, categórica e pública, com propósito e resolução inabalável. É também reclamar contra a ilegalidade de alguma coisa. 

Não precisamos dizer quase nada sobre as manifestações publicas da população brasileira nos últimos dias, pois os meios de comunicação não falam de outra coisa.  Os que protestam, na sua a maioria jovens, se posicionam contra a o aumento das tarifas das passagens do transporte público, contra as injustiças sociais, contra os gastos exorbitantes com o evento da Copa das Confederações, contra a corrupção que grassa a nação, etc.


Há uma maioria que se manifesta com gritos e palavras de ordem, de maneira pacífica e ordeira. Mas, há uma minoria que a mídia qualifica de vândalos, pois depredam monumentos e o patrimônio público, fazendo arruaças e enfrentando a polícia, que acuada, faz uso de gás lacrimogêneo e balas de borracha. 


Tais protestos já se tornaram um fenômeno nacional, visualizado também pela imprensa internacional, levando políticos a realizarem concessões, como a diminuição de tarifas em todo país. A presidenta Dilma Rousseff fez pronunciamento ontem à noite (21/06), em cadeia de rádio e TV, expondo a sua posição sobre os protestos.


O cristão pode ou não protestar?


Mas a pergunta que levantamos é: o cristão pode se participar desses protestos? Sim e não.  A resposta é sim se a sua conduta for ética, cordata e pacífica, pois afinal de contas vivemos sob um Estado democrático de direito. Obviamente, se o comportamento e postura dos servos de Deus destoam dessa realidade, a resposta é não (I Coríntios 10.31,32).

Como povo de Deus, devemos ser “inconformados” com o mundo, o sistema do mal (Romanos 12.1,2; I João 2.15-17; 5.19). Esse posicionamento não deixa de ser uma forma de protesto!  Os profetas protestaram contra pecados e problemas sociais dos seus dias, alguns até morrendo por isso (Neemias 9.26; Lucas 13.34). O Senhor Jesus também protestou (Mateus 21.12). 


Além de “crentes”, “cristãos”, “evangélicos”, também somos chamados de “protestantes”, ou seja, aqueles que protestam. Esse último título remete à Reforma Protestante, e aí nos lembramos de muitos que “protestaram” à sua época: Martinho Lutero, Ulrico Zuínglio, João Knox, João Huss, Jerônimo Savanarola, etc.


Deve se protestar contra atitudes, não contra pessoas nem contra seus bens. Mas, o ato de protestar não nos isenta de amar as pessoas que estão no mundo (João 3.16; Mateus 5.43-48). Aí é que estar a grande diferença, pois amar também se traduz por tratar bem, cuidar, assistir, respeitar e se necessário, se “engajar” em causas nobres. 

Depredar, destruir, infringir leis e praticar vandalismo não são  práticas saudáveis de pessoas de bem. Como verdadeiros cristãos, devemos também respeitar (honrar) todas as autoridades constituídas (Romanos 13.1-7).


segunda-feira, 17 de junho de 2013

Seis sonhos e um reino – Capítulo 6


Dário José

O Reino Invadido

Um ano e três meses se passaram e o Marquês não me procurou mais, desde que contara o seu quinto sonho. Numa tarde de verão, eu estava sentado à sombra do velho carvalho, quando escutei o tropel e vi apenas uma nuvem de poeira no horizonte. Na medida em que se aproximava, pude reconhecer que era o Marquês montado em um cavalo branco. 

Desceu da cavalgadura, me abraçou e sentou-se ao meu lado num tronco de madeira. Conversamos sobre algumas trivialidades, quando, de ímpeto o Marquês levantou-se e começou a falar: “Estive aqui o ano passado contando o meu quinto sonho, bem como trazendo a interpretação do sonho anterior... Hoje, sob o peso das revelações que Deus tem me dado, quero primeiro lhe trazer a decifração do quinto sonho. Como sei que você lembra-se bem do que já lhe contei, vamos ao significado do sonho: 

“A visão dos súditos sentados no Salão Litúrgico, na presença de um dos marqueses, que entoava cânticos e mais cânticos, enquanto aguardava o seu monarca, é uma referência da necessidade premente que o povo tem de ouvir os seus ensinamentos. O Rei estava na Sala dos Escritos ao invés de estar diante do seu povo, isso aponta para o seu total envolvimento com a ‘burocracia palaciana.’

“A maneira alterada que o Rei falava, a sua inquietude e irritação por não achar o seu ‘pergaminho’, tem a ver com o peso da sua consciência por ter sido relapso em ‘perder’ o ‘Livro’, bem como o seu despreparo para encarar o povo sem ele.

“O seu apego ao ‘pergaminho’ parecia mais idolatria do que amor, pois preferiu deixar o povo sem as ‘instruções’ necessárias, por capricho e não por brio. Poderia ter usado o Livro do Escriba Mor para instruir os seus súditos, mas isso serviu também como desculpa, pois ele só se achava capaz de falar com o ‘seu’ livro... O sol se ocultando no horizonte, evidenciava o tempo ‘precioso’ que o rei perdera se ocupando com coisas de somenos. Um rei que ensina o seu povo é  igual a um pastor que apascenta as suas ovelhas no campo.” 

O sexto e último sonho

Enquanto o Marquês voltava a assentar-se sobre o tosco tronco de madeira, sob a sombra do carvalho, os seus olhos marejavam e a sua voz tornou-se embargada. Esperou algum tempo em silêncio, se recuperando da forte emoção que povoava sua mente. Então, olhou firme para mim e disse: “Tenho o último sonho para lhe contar. Eu sei que é o último porque Deus me faz sentir...

“Bem, eu estava só, numa área restrita da Casa de Banhos do Palácio Real, quando escutei um burburinho estranho que vinha do outro lado da parede. Ao me aproximar, entendi que a confusão de vozes consistia de ‘orações estranhas’. Mas, para minha surpresa, ao atravessar a porta que dava acesso ao outro salão de onde vinham tais vozes, deparei-me com seis homens vestidos de mantos brancos e com símbolos de feitiçarias pendurados nos pescoços, braços e pés.

“Um deles se destacava como líder, ou melhor, como um ‘sacerdote’, pois tinha um turbante na cabeça e era quem comandava as ‘preces’ com uma espécie de ritual, jogando ‘libações’ por toda Casa de Banhos. Observei que todos tinham trejeitos femininos, mesmo sendo homens.

“Percebi que olhavam para mim com sarcasmo, raiva e desprezo. Enquanto me angustiava com tudo aquilo, de repente vi o Rei entrar apressado no recinto. Isso me trouxe grande alívio, pois pensei comigo: ‘ele soube da invasão e veio expulsar esses intrusos daqui. ’ Olhei para o Rei e fiz um gesto de repulsa e indignação com a cabeça e com os olhos, esperando uma resposta de concordância. Mas, para minha maior surpresa, o monarca apenas balançou a cabeça como se dissesse: ‘faça de conta que não viu nada... ’ Senti no olhar dos seis feiticeiros o ar de total zombaria... Então, mais uma vez acordei muito assustado, e, ao sentar na cama, duas palavras ressoaram na minha mente repetidamente: ‘comprometimento’ e ‘permissibilidade’.”

Bem, concluímos aqui a narrativa do último dos seis sonhos do Marquês. Não perca, neste mesmo Blog, a interpretação de O Livro Perdido. Não teremos um próximo capitulo, mais um Epílogo, com algumas surpresas. Obrigado por ter nos acompanhado até agora. Encontrar -nos-emos em breve, no desfecho da estória: Seis Sonhos E Um Reino!
 

Dário José (direitos autorais reservados).

segunda-feira, 10 de junho de 2013

Um bom começo aponta para um bom final?



Dário José


Nem sempre um mau começo sinaliza um mau final. Também, um bom começo nem sempre aponta para um final de sucesso.


Jacó é um exemplo de quem começou errado, mas aproveitou a chance de mudança no meio da “jornada” e pôde terminar bem (Gênesis 27; 28; 32; 35; 49). Saul, por sua vez, começou bem, mas foi se afastando de Deus paulatinamente. Mesmo tendo a chance de restauração, preferiu seguir seu próprio caminho e o seu final foi trágico (I Samuel 9; 10; 13.8-14; 15.1-30; 28; 31).


Mas temos que esclarecer que, quando se começa mal corre se o (grande) risco de não terminar bem. Os exemplos acima são apenas exceções da regra. O adolescente Daniel começou bem (Daniel 1), e, como ancião de dias,  terminou bem (Daniel 12.8-13).


Para se terminar bem é necessário planejamento, foco, resignação, disciplina, perdas, amor à Palavra, sofrimento, altruísmo, suor, lágrimas, (às vezes, até sangue), sensibilidade, discernimento, lutar conta a própria “alma”, contra o “mundo” e contra o Diabo. Carregar a cruz, cumprir a vontade de Deus, viver por fé... Paulo que o diga, pois passou por tanto sofrimento para chegar ao fim aprovado (II Coríntios 11.16-30; II Timóteo 4.6-8).


Que Deus nos ajude. Ele sempre ajuda, quem quer ser ajudado!

quarta-feira, 5 de junho de 2013

Seis sonhos e um reino – Capítulo 5


Dário José

O Livro Perdido

Pare um pouco! Se você ainda não leu os quatro primeiros capítulos ou simplesmente quer recordá-los, é só clicar e conferir: Capítulo 1, Capítulo 2, Capítulo 3, Capítulo 4.

O Marquês me procurou novamente. Já havia se passado três meses, desde que contara o seu quarto sonho. Enquanto sentamos debaixo da sombra de um carvalho, o percebo mais taciturno do que das outras vezes.

Depois de uns vinte minutos em silêncio, de repente o Marquês se levantou e disse: “Quero logo lhe transmitir a interpretação do meu último sonho. Depois conto o meu sonho posterior.

“O que vi no quarto sonho, foi o Rei com a Carruagem Real puxando várias outras carruagens dos marqueses, indo em direção a um condado bem distante do Palácio Real, junto ao Mar do Norte...

“Vamos à interpretação: a ida do Rei às terras distantes, aponta para sua maneira obscura de reinar, pois quem era esse ‘nobre conde’ que lhe concedera ‘doações’? Por que os marqueses não sabiam de nada, apenas obedeciam por não querer confrontar a autoridade do obtuso Rei?

“E as doações: mesas, cadeiras, armários, papiros, penas e tintas para escrita? Bem, tudo isso aponta para a falta de administração do monarca. Se estava indo buscar é porque nada disso existia no Palácio Real. O Rei conduzindo a Carruagem Real com as demais carruagens atreladas reflete a sua prepotência em achar que tem ‘forças’ para fazer tudo sozinho e insensibilidade, por não perceber que estava sobrecarregando o ‘cavalo real’.

“A noite, a umidade da chuva, os buracos e os perigos da estrada apontam para as dificuldades que o Rei, por insensatez, constrange os marqueses passar, sem necessidade.  A lua, que  era refletida de vez enquando nas poças de água, aponta para uma ‘esperança’ remota...Pois depois da noite, sempre virá o dia!

“A preocupação, apreensão e pressa que o Rei demonstrava em chegar ao seu distante destino para obter as ‘doações’, reflete a sua avareza; a angústia que eu sentia (em silêncio), por saber que tais “doações” não poderiam ser transportadas naquelas carruagens, aponta para a ‘obstinação do seu coração’.

“Um ‘Bobo da Corte’ sentado na ‘Carruagem Real’, fazendo ‘estripulias’ e dizendo ‘bobagens’, sem ser repreendido pelo Rei, mesmo prejudicando a sua concentração, retrata a sua incapacidade de repreender os insensatos.

“A decepção do Rei, com as mãos na cabeça e desesperado ao encontrar a casa totalmente vazia em frente ao Mar do Norte, sem o tal  ‘conde’ e sem as ‘doações’, aponta para as suas infrutíferas ‘buscas’, quando preferiu confiar simplesmente na força humana ao invés de  confiar em Deus”.

O quinto sonho

Eis agora o quinto sonho do Marquês: “Eu estava chegando à entrada do ‘Salão Litúrgico”, de onde vi os súditos sentados de maneira ordeira, aguardando os ensinamentos do Rei.  Mas, de repente o meu olhar se desviou para a Sala dos Escritos, que ficava ao lado, pois ouvi a voz do Rei que falava de maneira alterada.

“Ao me aproximar da porta que estava aberta, o vejo acompanhado do seu Escriba Mor, e com ar de zangado, andava de um lado para o outro da sala. Inquieto, falava repetidamente: ‘Onde está o meu pergaminho? Onde está o meu pergaminho? Só quero saber onde está... ’

“O Escriba Mor esgotando as possibilidades de acalmá-lo, lhe diz: ‘Aqui está meu pergaminho, Majestade! Pode fazer uso dele... ’ O Rei que quase não o deixa terminar a frase, vocifera irritado: ‘Não! Não! Não quero outro, eu quero o meu pergaminho! ’

“A última cena que vejo antes de acordar é a do povo pacientemente sentado no Salão Litúrgico esperando o seu Rei, enquanto um dos marqueses entoa cânticos num fim de tarde, pois no horizonte o sol rapidamente se despede do dia.”

Não perca, neste mesmo Blog, a continuação de Seis Sonhos E Um Reino. Nosso próximo capitulo: O Reino Invadido.

P.S. Desse último sonho que você leu agora, qual será a sua interpretação? E, “O Livro Perdido”, do que se trata?

Dário José (direitos autorais reservados).