segunda-feira, 30 de junho de 2014

À sombra de uma velha mangueira

Dário José

Debaixo de uma velha mangueira frondosa,
Lembro-me da minha infância doce e feliz,
Onde a vida lúdica e meramente fantasiosa,
Convidava-me a ser seu contínuo aprendiz.

Os primeiros aromas, sons, sabores e imagens,
Envolviam-me do olfato aos olhos arregalados,
Época das primeiras descobertas e traquinagens,
Registradas nas páginas amareladas do passado.

Casa simples, fogo à lenha, pescarias, roça e simplicidade,
Onde os dias passavam velozes, mas os anos vagarosos...
Tínhamos a “fartura” do campo sem as “riquezas” da cidade,
Éramos felizes com tão pouco, ausentes de bens valiosos.

Meus pais, depois do árduo trabalho, ao fim o dia,
Descansavam à sombra daquela velha mangueira,
Enquanto eu, alheio aos seus labores, corria, corria...
Na minha mente, tudo não passava de brincadeiras.

Hoje, debaixo da folhagem e da sombra refrescante
Da velha mangueira, recordo meus irmãos e meus pais...
Fecho os olhos e viajo velozmente em raros instantes,
Que, pela marcha contínua do tempo, não voltam mais.

Abro os olhos e retorno à sombra da frondosa mangueira,
A memória me separa de um muro que chamo de distância...
Quando adulto, o ludismo e fantasias esvaem-se como poeira,
Mas ainda me restam reminiscências da doce e feliz infância!

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