quarta-feira, 2 de julho de 2014

Um fiapo de esperança?

Dário José

(*) O pecado grassa nas tendas de um povo que diz ser do Senhor. Louvam com os lábios, mas mantém os corações bem distantes dEle. Isso ocorre porque o pecado começa na Tenda da Congregação. Lá há desvios, mentiras, mancomunações e falsa santidade.

O sumo sacerdote ver e finge que não viu outros sacerdotes inescrupulosos, indecentes, frívolos, lascivos. Onde está a retidão, a disciplina, os critérios, a seriedade, a ética, a lisura comportamental?

As “águas” estão turvas e a “sede” atinge a todos. Há uma pergunta que não quer calar: “onde encontrar águas límpidas?” Água pura é um “produto raro”. Dias após dias, muitos morrem de sede.  Incautos são conduzidos ao erro (águas sujas) por quem deveria ensinar só o caminho da verdade (águas limpas). A maioria dos líderes tornou-se execráveis (abomináveis, detestáveis, horrorosos, sacrílegos, ímpios).

O som das festas e danças sensuais em território santo é tão ensurdecedor que abafa o falar dos “poucos” que ainda se opõem e se indignam com tais práticas. Pecados não confessados e não tratados proliferam como furúnculos não espremidos. Há gritos de inocentes e injustiçados que não são ouvidos.

Se terminarmos aqui este post, toda esta exposição não passará de um texto fúnebre, que pressagia ou exprime apenas a queda e morte de um sistema falido e doentio. Mas Deus existe! Ele é real e nunca perde o controle, não obstante os homens se “perderem” achando que são detentores de “algum poder”.

A maldade cresce célere! Um anônimo torna-se boca de Deus e profetiza: “os que oficializam o serviço dos cultos apenas pela teoria e não pelo conhecimento pleno de Deus, que profanam o santuário, que roubam o que é dEle  e não dão ouvidos à sua voz, tornando-se maus exemplos a todo povo, certamente culminará em Icabô!” O que é Icabô? É a glória (de Deus) que se retira gerando grandes derrotas no meio do seu povo.

Porém, paralelo a todo esse pecado que se avoluma, há o crescimento secreto e sadio de um “menino insignificante”. Esse menino é o “fiapo”, ou seja, o pequeno fragmento de esperança dos “poucos” que ainda clamam, gemem e choram apenas balbuciando diante de Deus. Esses poucos são vistos equivocadamente como “filhos de Belial” por quem (pasmem!!!), permite a permanência no serviço sacerdotal os verdadeiros “filhos de Belial”.

O menino (o “fiapo” de esperança) é o único que tem “água pura e potável” em todo o cenário deixado pelo rastro lúgubre do Icabô. Ele crescerá, crescerá e crescerá até atingir a maturidade. É ele quem trará o Ebenézer! O que é Ebenézer? É a Pedra de socorro ou ajuda que será erguida como memorial de vitórias. Ele (o menino, já crescido e amadurecido), dessedentará aos que estão morrendo sem o “líquido raro”.

Todos os que promoveram o Icabô, serão desprezados por Deus, perderão a autoridade espiritual, passarão necessidades e serão atingidos por graves problemas emocionais.
Todos que serão alvo da liderança e ensinos daquele que trará o Ebenézer, se converterão ao Senhor, afastar-se-ão da idolatria, terão seus corações transformados, confessarão seus os pecados, clamarão ao Senhor e sacrificarão a Ele.

Icabô é o afastamento da glória de Deus, pela prática deliberada e contumaz do pecado. Ebenézer é o retorno a dependência de Deus e ao temor da sua voz.


(*) Essa reflexão se baseia no que ocorreu em Israel nos dias do sacerdote Eli, conforme I Samuel, capítulos 1- 7.

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