quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Quando uma igreja cresce saudável?

Dário José

É salutar e legítimo desejar o crescimento da igreja local. O líder compromissado com o Dono da Obra e com a sua Palavra anseia ver o rebanho crescer em número e em qualidade. Esse desejo não repousa apenas nos corações de líderes sérios, mas também é anseio de uma membresia bem instruída no evangelho.

Mas, com a crescente competitividade de igrejas na atualidade, há duas atitudes extremas e perigosas: a ostentação de números ou a frustrada tentativa de justificar o “déficit” por nenhum crescimento. A primeira atitude expressa o exagero comportamental do apego pela quantidade, pois dizem: “o grande crescimento numérico da nossa ‘membresia’ é uma prova inconteste de que Deus tem aprovado o nosso trabalho”. A segunda atitude, tanto pode revelar incompetência (pessoas não qualificados por Deus liderando) ou santidade exagerada (pessoas que vivem a hipocrisia mascarada de pureza). Estes últimos costumam dizer: “Deus quer qualidade, não quantidade”.

Inchar, engordar ou crescer?

No livro do profeta Ezequiel, capítulo 34, há uma série de advertências contra os pastores infiéis da nação de Israel. Esses pastores eram os líderes, sacerdotes e reis da época, que só cuidavam de si (autopastoreio), mas não atentavam mais para as ovelhas. Por esse pecado de omissão, estavam sob o juízo divino (Ezequiel 34.1-31).

Hoje, na era da Igreja, os mesmos erros são repetidos por muitos (maioria?) dos atuais líderes que estão à frente do rebanho do Sumo Pastor (João 10.11,14, 15; Hebreus 13.20,21; I Pedro 2.25; 5.4). Por todos os lados, há gemidos, gritos por socorro, reclamações e choro. Há ovelhas com fome, sede e frio; ovelhas sem rumo, direção e cuidados; ovelhas doentes, cambaleantes e até prostradas.

Tais líderes têm abandonado a Palavra! E a Palavra é comparada a alimento, água, bálsamo, caminho reto, cajado, vara e remédio. Tudo isso pode ser traduzido por pastoreio amoroso, saudável e eficaz (Salmos 23.1-6)!

O crescimento saudável

Há igrejas que incham, há outras que engordam e há as que de fato crescem! Obviamente, nos três casos houve aumento de tamanho, mas só um pode ser visto como crescimento saudável.

Igreja inchada. O “inchaço” aqui equivale à doença. É a igreja que tem na sua membresia, um amontoado de ovelhas, porém doentes e sem nenhum cuidado pastoral.

Igreja gorda. A igreja “gorda” é que cresce desproporcionalmente. É a membresia que come de tudo. Não há critérios, por parte da liderança, sobre o alimento servido às ovelhas.

Igreja saudável. O que de fato comprova que uma igreja está crescendo saudável e não apenas inchando ou engordando? O seu crescimento completo, proporcional e com saúde!

Quais os indicadores que de fato atestam o real crescimento de uma igreja? Como poderemos comparar o saudável crescimento do rebanho em todos os níveis? Avaliaremos tal crescimento conforme o que nos diz o apóstolo Paulo na sua carta aos cristãos da comunidade de Éfeso, capital da província romana na Ásia. No texto da epístola aos Efésios 4.11-16, observamos que o Senhor Jesus concede líderes em forma de dons à Igreja (v.11), não para ostentação de status, mas com o propósito de:

Aperfeiçoar os santos (v. 12). Este aperfeiçoamento visa à preparação dos cristãos (ovelhas) para o pleno desenvolvimento do seu serviço para Deus.

Edificar o Corpo de Cristo (vv.12-16). Para edificar membros na Igreja, o Corpo místico e misto de Cristo, se requer tempo. Toda boa edificação se processa lenta e gradualmente. A Igreja deve ser edificada: 1) na unidade da fé, 2) no pleno conhecimento do Filho de Deus, 3) na maturidade, 4) no discernimento espiritual e 5) no verdadeiro amor.

Que Deus tenha misericórdia de nós, pois somos sua Igreja!

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