terça-feira, 30 de dezembro de 2014

Podemos julgar as profecias?

Dário José

Neste post queremos discorreracerca do julgamento que podemos ou não fazer às profecias.

"Profecias" quase a meia noite

Antes de analisarmos o tema, gostaria de contar um fato que me ocorreu no sábado passado, dia 27, neste último mês do ano.  Após regressar, às 23h15min, de um casamento, deixei esposa e filha em casa. Ao me retirar para guardar o veículo, ofereci carona a “certo obreiro” que se dirigia a uma vigília de oração em um templo próximo. O tal "obreiro" mal sentou no banco do carona,  começou a “profetizar”. O transcurso não durou mais de 2 minutos, mas foi tempo suficiente para que o "obreiro" destilasse outras frases “proféticas”. Eu, que apenas ouvia tudo, antes de parar o carro e o deixar em frente ao templo,  lhe disse duas coisas: “Meu companheiro, saiba que a responsabilidade maior é  a sua sobre o que falou, do que minha, pois apenas escutei (...) Saiba também que tudo que me “falam”, independente de quem quer que seja, anoto em uma agenda pessoal para uma posterior análise...[*]”.

[*] Tenho uma agenda, onde desde 1987 faço minhas anotações: sonhos,
profecias e fatos que circundam minha vida e ministério. Esses registros
servem para futuras análises à luz da Palavra de Deus. (Fotos: Magna Elaine)

As profecias podem ser julgadas?

Há quem diga, citando isoladamente o texto do evangelho segundo Mateus, 7.1,2, que não podemos julgar nada e nem ninguém: "Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês” (grifos nosso).

Mas no citado texto acima, o Senhor Jesus está acusando aqueles que fazem juízo temerário (julgamento precipitado e hipotético), pois ninguém deve incorrer no erro de “condenar” sem ter antes  provas reais dos fatos. Cristo não está criticando o julgamento, mas a “forma errada” de se julgar.

Mas é o Senhor mesmo que diz, também, segundo o relato do evangelho de João: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça (João 7.24 – grifos nosso). Aqui o Senhor Jesus está indicando a “forma certa” de se exercer um julgamento ou se fazer uma análise acurada de fatos.

Há áreas, segundo a Bíblia, que estamos autorizados a exercer julgamentos: 1) julgar a nos mesmos (I Coríntios 11.28-32; II Coríntios 10.12), 2) julgar a própria família (I Timóteo 3.4,5), 3) julgar, na condição de líder, questões eclesiais (Mateus 18.15-20; I Coríntios 5.12,13; 6.2,3), 4) julgar erros doutrinários (Romanos 16.17,18), 5) julgar as profecias nos cultos (I Coríntios 14.26-33).

Em resposta a pergunta já feita acima, não só podemos, mas devemos julgar as profecias! Julgar é o mesmo que discernir. É uma obrigação cristã analisar (discernir) todas as profecias. Foi Paulo, que com autoridade apostólica escreveu: “... falem dois ou três [profetas], e os outros julguem(I Coríntios 14.29 – grifos nosso).

João, outro escritor neotestamentário, também investido de autoridade apostólica, nos diz: “Amados, não deis crédito a qualquer espírito; antes, provai os espíritos se procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo fora” (I João 4.1 – grifos nossos).

Quando uma profecia é contrária à Palavra de Deus?

Quando serve para “determinar” decisões que é de responsabilidade individual. Tais “profecias” se parecem mais com “vaticínios” de horóscopo, onde alguém busca “resposta” para obter um casamento, abrir um negócio, empreender uma viagem, etc.

Quando serve para “sentenciar” doenças, infortúnios e morte a outrem, às vezes por puro revanchismo. Isto conflitua-se com o triplo objetivo da profecia: “edificar, exortar e consolar” (I Coríntios 14.3).

Quando serve, sob coerção ou incentivo, para “afirmar” o que o Espírito de Deus não falou: “O ‘Espírito Santo revelou’ algo tremendo ao meu coração agora... Então, eu profetizo... olhe para o seu irmão e profetize também...”.

Quando serve para expor a “empolgação” do portador do dom, exagerando ou dizendo o que Deus de fato não revelou (II Samuel 7.1-17).

Então, vamos desprezar as profecias? Vejamos o que o apóstolo Paulo nos diz: “Não apagueis o Espírito. Não desprezeis as profecias; julgai todas as coisas, retende o que é bom” (II Tessalonicenses 5.19-21). O Paulo que incentiva a não “desprezar” é o mesmo que lembra a necessidade de “julgar” (examinar) as profecias.

Portanto, ouça todas as profecias e se possível, anote-as. Mas, nunca deixe de analisá-las (prová-las) à luz da Palavra de Deus, as Sagradas Escrituras (Hebreus 4.12,13).

5 comentários:

  1. Irmão, bom dia! O Sr. poderia me embasar de textos Bíblicos a respeito do parágrafo abaixo, pois estou passando uma situação parecida e se eu não concordar com o que estão entregando "da parte de Deus" eu serei tachada de rebelde pela liderança da igreja:
    "Quando serve para “determinar” decisões que é de responsabilidade individual. Tais “profecias” se parecem mais com “vaticínios” de horóscopo, onde alguém busca “resposta” para obter um casamento, abrir um negócio, empreender uma viagem, etc."

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    1. Hoje minha igreja está vivendo o que o meu pastor chama de "visão de Deus para a igreja" e "ministério profético", onde tudo as pessoas precisam levar ao pastor para ele e outras pessoas indicadas por ele orarem e receberem a "revelação da parte de Deus". Um dia eles quiseram me entregar uma "revelação da parte de Deus" sobre o colégio do meu filho. Então, como eu não quis ouvir - e estava no meu direito, pois se depois de ouvir eu não tirasse meu filho daquele colégio então seria tachada de Rebelde, de Jesabel, etc. - eles pegaram o microfone num dia de culto e começaram a pregar sobre pessoas que rejeitam a revelação de Deus.
      Outro dia eu quis uma licença do coral, pois estava me sentindo muito cansada, já que trabalho fora e tenho outras atividades na igreja também, e ainda tenho que cuidar e dar atenção do meu filho de 7 anos e de meu esposo. Então eles disseram que teriam que perguntar para Deus se ele permitia que eu saisse do coral e depois veio a resposta de que Deus não estava me autorizando sair do coral. Porém, eu já havia informado que meu marido é quem não queria mais que eu participasse e mesmo assim eles disseram que não era para eu sair. Eu havia dito que já havia falado com Deus sobre isso e eles pegaram o microfone num dia de culto e começaram a pregar que enganoso é o coração do homem. Tudo que eles falam que Deus falou, se a gente não acreditar ou aceitar, eles nos tem como rebeldes. Ou seja, Deus só fala com o pastor e seus auxiliares, não fala com o membro sobre sua própria vida.

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    2. o véu do templo se rasgou,Jesus morreu para que nossos pecados fossem perdoados e assim pudessemos nos a chegar diretamente a Deus através do Seu sangue.
      NAO PRECISAMOS MAIS DE SACERDOTES TERRENOS, NOSSO SUMO SACERDOTE É CRISTO.
      Jeremias: 33. 3. Clama a mim, e responder-te-ei, e anunciar-te-ei coisas grandes e ocultas, que não sabes.

      CLAME A DEUS.

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  2. Deus não é Deus de confusão. Tem dúvidas? Peça confirmação para Deus, para que ele mostre a ti ou a outra pessoa q não seja da mesma igreja q a sua qual é a vontade dele para sua vida.

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  3. a função da igreja é dar condições ao ensino e a adoração.

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