segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Todo vício traz malefícios?

Dário José

O escritor brasileiro Luiz Fernando Veríssimo publicou uma curiosa pesquisa sobre vícios. Na sua análise, a maioria das coisas que começa com “C” são as que viciam. Vício é coisa séria, pois traz muito malefícios ao ser humano. 

Luiz Fernando Veríssimo
Aproveitando as informações de Veríssimo, cataloguei e acrescentei outros vícios.Os vícios são vários e todos os seres humanos têm tendências variadas, para desenvolver esse ou aquele vício. 

O que temos abaixo não é a catalogação completa de todos os vícios, mas é apenas uma amostragem, já que listamos os que apenas começam com a letra “C”.


Viciados em alimentos: cachaça, cerveja, champagne, Coca-Cola, caipirinha, chopp, café, cappuccino, chá, chimarrão, chocolate, chiclete, cachorro-quente, catchup, churro, churrasco, coxinha, creme de leite, etc.

Viciados em jogos: corridas de cavalos, cartas ou carteado, cassinos, cara ou coroa, casa de apostas, crapô (ou crapot), etc.

Viciados em atividades: criminalidade, cadeias, cachorros (animal de estimação), corrida (fazer  cooper), ciclismo, clicar (zapear com controle remoto), etc.

Viciados em substâncias: cafeína, cigarro (nicotina), charuto, comprimidos, cocaína, crack, cannabis sativa (maconha), cacto mexicano (ópio ou narcótico), cola (de sapateiro); cloreto de sódio (alimentos com sal), cana (derivados como açúcar e álcool), cacau (chocolate), etc.

Viciados em emoções: culpa, complexo de inferioridade e superioridade, ciúmes (de tudo e de todos); colo, carinho e cafuné (carência afetiva contínua), etc.

Viciados em pessoas: codependência, copular (prática do sexo excessiva), celebridades (tietagem, fã clubes, etc), crítica (falar ou fofocar, o tempo todo, dos outros), etc.

Viciados no comportamento: cama, cadeiras (preguiçosos), clube esportivo (times do coração), cultura (hábito excessivo de leitura e outros), compras, cartões de créditos, crediários, calçados (principalmente as mulheres), culto ao corpo (tatuagens, piercings, fisiculturismo), conectar-se a computadores e celulares (o tempo todo e em todo lugar), canções,cinema (cinéfilos), carros, chupeta, etc.

Um conhecido ditado popular alerta que “tudo demais é veneno”. O vício, por ser um hábito repetitivo, pode causar algum prejuízo ao viciado e aos que com ele convivem. Já disse com propriedade o psiquiatra e psicoterapeuta Carl Jung “Toda forma de vício é ruim, não importa que seja droga, álcool ou idealismo”.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Por que optar pela verdade nos torna descartáveis?

Dário José

Falar a verdade afeta, negativamente, ouvidos que são íntimos de línguas mentirosas. Quem “não quer” ouvir a verdade é gente cheia de melindres, que vive de falsa aparência e que são subservientes; gente que se aninha na mediocridade, que querem apenas o ego massageado; gente que prefere “amigos” convenientes dizendo apenas o que “querem” e “precisam” ouvir...

Defender a verdade é se opor  a todas as formas de mentira. Há a mentira pronunciada, que acrescenta ou elimina das frases a verdade. Há mentira praticada, ações que contradizem o que está escondido no coração. Há mentira suavizada, quando por meio de sofismas, engana com dolo e logro.

Buscar viver pela verdade é se tornar uma afronta em forma de pessoa. Com certeza isso afeta aos falsários, aos fingidos, aos simulados e aos dissimuladores da verdade. Desconcentra aos que ocultam, encobrem, disfarçam, imitam, aparentam ser o que não são. Desestabiliza os que são falazes, contadores de “estórias” e meros pabulosos.

Ninguém é dono da verdade. Ninguém é perfeito. Ninguém está isento de cometer erros, de falhar, de fracassar... Por isso que a  jornada dos que optam em seguir a Verdade (João 14.6) é difícil, pois os impelem a três coisas: 1)autonegação do eu, 2)autossujeição a cruz de cada dia, 3)automotivação em seguir o Mestre Jesus (Mateus 16.24). Quem O segue tem a necessidade urgente de fugir da mentira, de rejeitar o engano, de abandonar a falsidade, de se livrar da hipocrisia.

Escolher andar na Verdade, rejeitando a mentira, torna-se uma jornada árdua, solitária, sofrida... Mas é gloriosa, feliz e prazerosa no nosso espírito, pois retém a nossa mente a nítida certeza de que se aliar a verdade é se aproximar de Deus (Romanos 3.4; II Coríntios 13.8; Filipenses 4.8), e,  se aliar a mentira, infelizmente é se unir ao diabo (João 8.44).

Se aliar à Verdade é ter poucos amigos. É ter oportunidades raramente franqueadas, ter os próprios valores desprezados, ser presença indesejada. Mesmo assim, vale à pena! Oh, Como produz um gozo incomparável persistir em caminhar, lutar, suspirar, trabalhar e sonhar pela e com a Verdade (João 15.10,11; Romanos 15.13; I Pedro 4.12-16)!

Triste é ver os “íntimos e escravos da mentira”, sendo aceitáveis, recomendáveis, elogiáveis. Estes aparentam ser o que não é. Seus sorrisos são falsos, sua fidelidade é fingida, seu amor é só de palavras, seus elogios são lisonjeiros, sua pregação é prática e técnica teológica, sua “prosperidade” é fruto de barganha, seus projetos são meramente humanos, sua aparente “estabilidade” é resultado da adequação ao “sistema”.

É melhor se aliar à Verdade, mesmo se tornando descartável. Só os que são libertos pela Verdade (João 8.32), vivem na Verdade. Estes procuram pregar o que vive, têm o mesmo discurso na ausência e na presença, reconhecem suas próprias limitações e confessam a Deus os próprios pecados.


sábado, 20 de setembro de 2014

Quanto vale meu voto?

Dário José

Diante de tanto descrédito à política, no meu país varonil,
Há quem pergunte: “Quanto vale seu voto, nobre eleitor?”
Do Oiapoque ao Chuí, as respostas diferem em todo Brasil,
Conforme a oferta e a procura, “camaleões mudam de cor”.

A nossa política tem sido manchada por lamaçais de corrupção,
Muitos dos eleitos governam pela cartilha do “jeitinho brasileiro”.
Há políticos sérios, mas formam um pequeno grupo: a exceção,
Os demais quase sempre aparecem na mídia desviando dinheiro!

Há quem barganhe com votos, vendendo junto seus valores,
Até negociam, sem o consentimento das ovelhas, “sua igreja”!
Perdem os brios, tornando-se presa de políticos corruptores,
E quem não apoiar seu candidato, terá a “cabeça na bandeja”.

Voto como ser social que entende e percebe as necessidades humanas,
Voto como cristão que sabe diferenciar o José político e o político José,
Posso votar sem estar preso a cabrestos ou a religiosidade cega e insana,
Posso votar livre de currais eleitoreiros, de tradições e sem negar minha fé!

Meu voto vale mais que abraços, sorrisos fartos e apertos de mãos,
Não me iludem performáticos políticos fabricados por marketeiros.
Meu voto não troco por cargo fantasma ou materiais de construção,
 “Dário come na minha mão”, é a frase que não ouço de zombeteiros.

O valor do meu voto equivale ao valor dos meus princípios morais,
O “branco” não é a cor do meu voto e nem sigo as cores partidárias.
“Nulo” nunca será o meu esforço de ir às urnas em datas dominicais,
Também não voto por fantasia, como se vivesse em “terra imaginária”.

quarta-feira, 3 de setembro de 2014

Quando uma igreja cresce saudável?

Dário José

É salutar e legítimo desejar o crescimento da igreja local. O líder compromissado com o Dono da Obra e com a sua Palavra anseia ver o rebanho crescer em número e em qualidade. Esse desejo não repousa apenas nos corações de líderes sérios, mas também é anseio de uma membresia bem instruída no evangelho.

Mas, com a crescente competitividade de igrejas na atualidade, há duas atitudes extremas e perigosas: a ostentação de números ou a frustrada tentativa de justificar o “déficit” por nenhum crescimento. A primeira atitude expressa o exagero comportamental do apego pela quantidade, pois dizem: “o grande crescimento numérico da nossa ‘membresia’ é uma prova inconteste de que Deus tem aprovado o nosso trabalho”. A segunda atitude, tanto pode revelar incompetência (pessoas não qualificados por Deus liderando) ou santidade exagerada (pessoas que vivem a hipocrisia mascarada de pureza). Estes últimos costumam dizer: “Deus quer qualidade, não quantidade”.

Inchar, engordar ou crescer?

No livro do profeta Ezequiel, capítulo 34, há uma série de advertências contra os pastores infiéis da nação de Israel. Esses pastores eram os líderes, sacerdotes e reis da época, que só cuidavam de si (autopastoreio), mas não atentavam mais para as ovelhas. Por esse pecado de omissão, estavam sob o juízo divino (Ezequiel 34.1-31).

Hoje, na era da Igreja, os mesmos erros são repetidos por muitos (maioria?) dos atuais líderes que estão à frente do rebanho do Sumo Pastor (João 10.11,14, 15; Hebreus 13.20,21; I Pedro 2.25; 5.4). Por todos os lados, há gemidos, gritos por socorro, reclamações e choro. Há ovelhas com fome, sede e frio; ovelhas sem rumo, direção e cuidados; ovelhas doentes, cambaleantes e até prostradas.

Tais líderes têm abandonado a Palavra! E a Palavra é comparada a alimento, água, bálsamo, caminho reto, cajado, vara e remédio. Tudo isso pode ser traduzido por pastoreio amoroso, saudável e eficaz (Salmos 23.1-6)!

O crescimento saudável

Há igrejas que incham, há outras que engordam e há as que de fato crescem! Obviamente, nos três casos houve aumento de tamanho, mas só um pode ser visto como crescimento saudável.

Igreja inchada. O “inchaço” aqui equivale à doença. É a igreja que tem na sua membresia, um amontoado de ovelhas, porém doentes e sem nenhum cuidado pastoral.

Igreja gorda. A igreja “gorda” é que cresce desproporcionalmente. É a membresia que come de tudo. Não há critérios, por parte da liderança, sobre o alimento servido às ovelhas.

Igreja saudável. O que de fato comprova que uma igreja está crescendo saudável e não apenas inchando ou engordando? O seu crescimento completo, proporcional e com saúde!

Quais os indicadores que de fato atestam o real crescimento de uma igreja? Como poderemos comparar o saudável crescimento do rebanho em todos os níveis? Avaliaremos tal crescimento conforme o que nos diz o apóstolo Paulo na sua carta aos cristãos da comunidade de Éfeso, capital da província romana na Ásia. No texto da epístola aos Efésios 4.11-16, observamos que o Senhor Jesus concede líderes em forma de dons à Igreja (v.11), não para ostentação de status, mas com o propósito de:

Aperfeiçoar os santos (v. 12). Este aperfeiçoamento visa à preparação dos cristãos (ovelhas) para o pleno desenvolvimento do seu serviço para Deus.

Edificar o Corpo de Cristo (vv.12-16). Para edificar membros na Igreja, o Corpo místico e misto de Cristo, se requer tempo. Toda boa edificação se processa lenta e gradualmente. A Igreja deve ser edificada: 1) na unidade da fé, 2) no pleno conhecimento do Filho de Deus, 3) na maturidade, 4) no discernimento espiritual e 5) no verdadeiro amor.

Que Deus tenha misericórdia de nós, pois somos sua Igreja!