quinta-feira, 9 de outubro de 2014

O tripé da profecia, segundo a Bíblia

Dário José

À luz da Palavra de Deus, o que se configura como profecia? Qual é o crivo bíblico que devemos usar para nos certificarmos se uma profecia é realmente de Deus?

O tripé da profecia

Tripé é mesmo que tripeça, ou seja, aparelho portátil firmado sobre três pés que podem ser ajustados, que dar sustentação e equilíbrio a tudo que esteja sobre ele. Mas a palavra tripé poderá ter outra acepção, como no sentido figurado, que significa um conjunto de três coisas, unidas entre si com uma ou mais características afins.

Na sua primeira Carta aos Coríntios, o apóstolo Paulo elenca as três grandes virtudes da vida cristã, que são valiosas e permanentes: “... a fé, a esperança e o amor...” (I Coríntios 13.13). Essas três virtudes formam um tripé. Uma dessas virtudes complementa as outras e não podem ser vivenciadas separadamente.

Deus, conforme as Escrituras Sagradas, fala aos seus servos através de profecias ou palavra profética.  As profecias oriundas de Deus (conteúdo e/ou mensagem), sempre se firmam num “tripé” e tem o propósito precípuo de edificar, exortar e consolar, como podemos observar no texto bíblico abaixo:
      
            “Mas o que profetiza fala aos homens, edificando, exortando e consolando.”
                                             I Coríntios 14.3 (versão Almeida Revista e Atualizada – grifos nosso)


Edificar é construir através de um processo lento o caráter cristão, conforme o caráter de Cristo (Efésios 4.11-14; Mateus 16.18; Atos 20.32; I Coríntios 14.12; Judas 20,21, etc). Construir vem de oikodome (no grego). É construir promovendo o crescimento de outrem em sabedoria cristã, piedade, felicidade, santidade.

Exortar é admoestar, advertir, aconselhar, avisar, animar; apontar falhas, mas encorajando para o arrependimento (Romanos 12.8; II Timóteo 4.2; Tito 2.15; I Pedro 2.11). O verbo “exortar”, que corresponde a parakaleo (no grego), não tem o sentido de “repreender”.

Consolar é despertar e proporcionar paz. Do grego paramuthia tem a ver com discurso feito com o propósito de persuadir, ou de despertar e estimular, ou de acalmar e confortar (João 11.19; I Tessalonicense 2.12; 5.14). 

Diante da verdadeira profecia, quando Deus traz uma mensagem de edificação, nos firmamos; quando nos exorta, aceitamos; quando nos consola, acalmamos. Ele não fala para gerar medo, perturbação ou dúvidas, pois não é “Deus de confusão" (I Coríntios 14.33).