quinta-feira, 27 de novembro de 2014

O barco e a imaginação

Ilustração: Javier Cordero Fernadez
Dário José

- Ei! Vai viajar conosco?

- ‘Conosco’? Pra onde?

- Algum lugar...

- Mas neste pouco d’água? Com um barco pequeno?

- Como pouca água?! Você está cego, estamos no porto e diante do grande mar...

- Cego, eu? Que porto? Que mar?

- Você não tem imaginação?

- Tenho... Mas... Qual é sua rota? Seu destino?

- Já falei, use a imaginação meu caro! Tudo se torna possível com imaginação.

- Mas você está sozinho. Não precisaria de um barco maior? De uma tripulação?

- Não precisamos de nada do mundo real, improvisamos tudo. Imaginação, lembra?

- Ah! Imaginação... Entendi...

sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Tem gente brincando de ser pastor?

Dário José

Entendo e reconheço que, sendo descendentes de Adão, todos nós herdamos a suscetibilidade ao pecado e às tentações. O apóstolo Paulo nos fala de uma luta pessoal constante, dia após dias, dentro de cada um de nós (Romanos 7.14-24). Por isso somos aconselhados a vigiar e orar, pois a “carne” sempre será fraca (Mateus 26.41).

Hoje, porém, ao ouvirmos (eu e minha esposa) em aconselhamento pastoral, certa “ovelha”, me convenci que tem gente brincando de pecar, tornando-se “agente duplo”, ou melhor, “agente” de tentação. Tem “lobo” brincando de ser “pastor” (Atos 20.29).

Ouvimos o que não gostaríamos de nunca ouvir, pois quem “deveria” amar, cuidar, proteger, livrar, alimentar tal “ovelha”, está tentando, de todos os meios, destruí-la. Enquanto compartilhava do sofrimento da “ovelha”, me indignava por dentro e minhas entranhas se contraiam.

Há quem brinque de ser “pastor”, porque há quem “brinque” de ministério. E essa “brincadeira” existe pelas razões mais estapafúrdias que alguém possa imaginar. Brinca-se com coisas sérias (I Timóteo 3.6; 5.22).

Você que está lendo este post agora poderá até está pensando: “só ouviu a ‘ovelha’ e já está fazendo um juízo temerário (precipitado), sem procurar o tal ‘pastor’ e ouvir sua ‘versão’ dos fatos”.

Há uma frase bem conhecida de todos que diz: “contra fatos não há argumentos”, não é verdade? Pois é, a tal “ovelha” não titubeou em meio a argumentos sofríveis e “montados’, mas “apresentou” fatos impossíveis de serem recusados como “provas” cabais em qualquer tribunal. E Fatos são acontecimentos reais, não ficcionais.

Aconselhamos a “ovelha” a agir conforme a Palavra de Deus e nos comprometemos em ajudar em oração. Mas confesso que minha alma ficou sacudida por tristeza, repulsa, angústia, insatisfação (...)


Então, ao digitar estas linhas finais, lembro-me que essa “ovelha” não é “propriedade” de nenhum pastor terreno, mas do Sumo Pastor Jesus (João 10.11; Hebreus 13.17; II Pedro 2.25; 5.4). Que, sendo apascentada por um pastor, o tal tem que exercer seu pastorado em conformidade com as prerrogativas bíblicas, sendo exemplo para as ovelhas (II Pedro 5.1-4). 

Lembro-me também do “ai” que Jesus profere acerca dos que fazem tropeçar (em armadilhas e ciladas) aqueles que crêem nEle, tornando-se promotor de escândalo, cujo futuro, se não houver arrependimento, será o inferno (Mateus 18.6-9).

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

As imagens falam a verdade?

Dário José

Não somos o que pensamos de nós mesmos, pois o que pensamos pode ser fruto de uma “leitura” distorcida do nosso próprio coração adoecido e inflado pelo egoísmo (Jeremias 17.5,9,10). Tampouco, somos o que as outras pessoas possam dizer de nós, pois se por um ângulo, podemos ser alvo de antipatias, juízos temerários (precipitados), calúnias, preconceitos (Mateus 7.1,2), por outro ângulo, podemos ser vistos pela “imagem falsa que montamos” de nós mesmos, na tentativa de mantermos a reputação que “teatralizamos” (Mateus 6.2,5,16; 23.27). Mas, o que somos realmente é o que Deus sabe ao nosso respeito. E Ele sabe tudo (Salmos 139; Lucas 16.15; Apocalipse 3.15)!

Quando exponho a imagem do que realmente sou interiormente, poderei até ser julgado pelo que não sou. Mesmo sofrendo pela censura que fazem de mim externamente, repousará na minha alma a tranquilidade de estar sob o olhar daquEle que perscruta tudo e sabe quem realmente sou (I Coríntios 3.1-5).

Quando a imagem de quem realmente sou revela pecados, e é flagrada e exposta a todos, a atitude mais nobre e sensata é confessar diante dos homens e de Deus, alcançando sua misericórdia, mesmo tendo que sofrer as consequências dos próprios atos (II Samuel 12.1-13;Salmos 51.1-4). Mas, se  tentar “trabalhar a minha desgastada imagem”, buscando provar o improvável, corro risco de ser rejeitado pelo Senhor (I Samuel 15.10-31).

Para os fariseus da sua época e para os que tentam viver uma vida “farisaica” (de mentiras travestidas de verdade) em nossos dias, veja o que diz nosso Senhor:

“Mas Jesus lhes disse: Vós sois os que vos justificais a vós mesmos diante dos homens, mas Deus conhece o vosso coração; pois aquilo que é elevado entre homens é abominação diante de Deus.  Lucas 16.15  (ARA, grifos nosso).

Conforme o texto acima, quem tenta "maquiar" a verdade e justificar a si mesmo, SEMPRE reputa como elevado (gr) hupselos, aquilo que, na opinião pública,  é visto como alto, eminente, exaltado, e, impelido pelo  “espírito farisaico” busca tudo que tem sinal de poder e influência, pois na ambição da sua mente, coisas superiores geram honras e riquezas. Essa ambição por status (manter a posição, o nome, a condição financeira, etc) leva muitos a tentar justificar o injustificável.

Quem age assim, não consegue enxergar que essa sua atitude é abominação (gr) bdelugma, diante de Deus. E abominação diante do Todo-Poderoso é uma coisa suja, horrível, detestável, que tem afinidade com ídolos e idolatria.