sábado, 3 de janeiro de 2015

Uma abordagem bíblica sobre a velhice

Dário José

Todos passam pela juventude, mas ninguém permanece na juventude. Todos nós, potencialmente, chegaremos à velhice. Este gracioso poema do sábio Salomão (Eclesiastes 12.1-8) nos confronta com detalhes terríveis da velhice que se aproxima a morte.

“Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer;” (v.1)

O texto acima nos alerta que devemos focar o Criador e não olhar para as vaidades terrenas (as coisas que passam). Lembrar de Deus aqui não simplesmente ter imaginações acerca dEle, mas é deixar de lado a nossa pretensão à autosuficiência, entregando-nos a Ele. Nesses textos abaixo Salomão discorre sobre os males e a realidade da velhice. A cadência da própria idade avançada gera pensamentos e palavras de saudade: “Não tenho nos meus dias de velhice nenhum prazer” (v. 1).


“antes que se escureçam o sol, a lua e as estrelas do esplendor da tua vida, e tornem a vir as nuvens depois do aguaceiro; “(v.2) 

O versículo 2 nos leva a perceber a “frieza” do inverno e a persistência da chuva, que oculta a luz solar transformando o dia em penumbra e a noite em densas trevas. Metaforicamente falando, com a idade avançada, as “luzes” da vida humana vão se apagando paulatinamente.

“no dia em que tremerem os guardas da casa, os teus braços, e se curvarem os homens outrora fortes, as tuas pernas, e cessarem os teus moedores da boca, por já serem poucos, e se escurecerem os teus olhos nas janelas; 
“e os teus lábios, quais portas da rua, se fecharem; no dia em que não puderes falar em alta voz, te levantares à voz das aves, e todas as harmonias, filhas da música, te diminuírem;” (vv.3,4)

No texto acima (versículos 3 e 4),  não é mais a noite, nem a tempestade ou o inverno que se vislumbra, mas uma grande “casa” que desmorona. O quadro é rico de metáforas (braços, pernas, dentes humanos e assim por diante). A “casa” decadente revela a fragilidade peculiar da idade avançada, quando a pessoa já não se sente mais parte integrante do mundo a sua volta.

“como também quando temeres o que é alto, e te espantares no caminho, e te embranqueceres, como floresce a amendoeira, e o gafanhoto te for um peso, e te perecer o apetite; porque vais à casa eterna, e os pranteadores andem rodeando pela praça; (v.5) 

Aqui vemos alguém idoso com medo de cair, por não ter mais firmeza e andar devagar. A metáfora do cabelo branco da idade avançada é vivamente sugerida pela amendoeira que fica com as flores brancas no inverno. Ugafanhoto é muito leve, mas essa metáfora retrata que para uma pessoa idosa, qualquer coisa leve torna-se um “peso”. A expressão “perecer o apetite” pode ser tra­duzida por “acabar o desejo”. A “casa  eterna” aponta para o final de tudo, e Salomão, finaliza confrontando o homem com a realidade da cerimônia do seu iminente funeral.

“antes que se rompa o fio de prata, e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço,” (v.6)

Neste versículo (6), temos a estrutura do corpo humano, que tanto tem beleza como fragilidade. O homem é uma obra de arte feita por Deus, mas ao mesmo tempo é tão frágil como um vaso de barro, que pode se quebrar a qualquer momento.

“e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.” (v.7) 

A nossa vida não nos per­tence. O corpo morrerá e voltará aos seus elementos primitivos no solo terrestre, o fôlego da vida (a parte imaterial), retorna para Deus.

“Vaidade de vaidade, diz o Pregador, tudo é vaidade.” (v.8) 

No versículo 8, com a expressão com“ vai­dade de vaidade” , Salomão finaliza declarando  que o homem na sua “busca” durante a sua existência, terminará com a velhice sem poder “reter” nada do que acumulou, pois nada que lhe foi oferecido “debaixo do sol” não lhe pertence de fato.

Todos (com exceções) chegaremos à velhice! Na realidade, você está envelhecendo agora.  Iremos o estágio da vida quando já não haverá mais a capacidade de recuperação da juventude ou a perspectiva de uma compensação. Lembra-te do teu Criador hoje, agora!

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