sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Calçadas


Dário José

Calçadas:
Por onde alguns, em plena felicidade, se beijam e se abraçam,
Outros tristes caminham com os sonhos que se despedaçam;
Onde alguns, vitimados ou drogados, mendigam a fome aguda,
Outros passam de largo sem entender o valor da palavra “ajuda”.

Calçadas:
Por onde passam os contrastes: os paupérrimos e os nobres,
Quem tem riquezas sem nada ter e os ricos que são pobres!
Passam os que vivem insatisfeitos, passam os que são quietos,
Quietos sem nada possuírem e insatisfeitos fartos e repletos.

Calçadas:
As das periferias, onde se recreiam os que têm pouca “grana”,
As de Hollywood, onde astros e estrelas perseguem fútil fama,
As dos rincões distantes, onde se contam causos à luz do luar,
As das megas cidades, onde multidões só pensam em comprar.

Calçadas:
Que quando estão quebradas, cheia de buracos e com defeitos,
Denunciam seus gestores públicos: os vereadores e os prefeitos;
Mas, quando são cuidadas, limpas, transitáveis e bem conservadas,
Nada se diz ou se comenta, pois são simplesmente meras calçadas.

Calçadas:
Ora cenário de quem “ganha à vida” em flagrante prostituição,
Ora passarela de gente “tão ilibada”, mas sem amor nem emoção;
Nelas transitam os vitimados da vida, que margeiam a sociedade,
Também transitam os esnobes, enclausurados na individualidade.

Calçadas:
Que nos grandes centros, suportam a tudo silenciosamente,
Do pisar dos transeuntes a leves folhas caindo suavemente,
Que nas caladas das noites a criminalidade vê, mas esconde,
 E se noutro dia for indagada? Nada comenta nem responde!

Calçadas:
Circundam casarios, bares, lojas, ruas, praças, muros, avenidas,
Calcadas pelos pés de quem chega e de quem já está de partida,
Pelos que pisa macio e os que fazem barulho com suas passadas,
Se forem feias, sujas, arrumadas ou limpas... São apenas calçadas!?

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