terça-feira, 12 de maio de 2015

Concorrentes ou companheiros?

Dário José

“(...) não somos concorrentes, somos companheiros!”

A frase acima foi dita ontem à noite (11), pelo companheiro pastor Altair Germano já no encerramento de sua prédica, no púlpito da AD em Abreu e Lima (PE).

Concorrência

Concorrente é aquele que compete para um mesmo fim. Se usarmos a figura de um corredor de fórmula 1, percebemos que o prêmio mais cobiçado é o do primeiro lugar.  Mas só existe um único troféu para o primeiro lugar.

A cena imaginária de alguém conquistando, em disputa, um único prêmio e sendo aclamado e aplaudido pela multidão se familiariza muito com ideia recorrente nos dias atuais e que permeia a cabeça de muita gente (muita gente mesmo) que se diz (ou se imagina) discípulo de Jesus.

A coisa está tão séria no seio da comunidade evangélica hodierna, que esse “espírito competitivo” tem servido de “inspiração” para músicas com frases como: “vou erguer meu troféu”, “eu vou vencer para vergonha dos meus inimigos”, “ninguém vai tomar o meu lugar”, “no final, vou subir ao palco e ver os demais na plateia”, etc.

Agora, imagine quando essas ideias equivocadas e antibíblicas pairam sobre cabeças, não de “ovelhas” que precisam de ensino bíblico para se “desintoxicarem” desse mal, mas de quem exerce (ou quer exercer) liderança como diáconos, presbíteros, pastores, pregadores, conferencistas e congêneres. Estes, geralmente, usam e abusam de jargões em suas preleções, como: “Há quem queira minha derrota, mas é debalde, pois Deus irá me elevar à ‘cadeira’...”, “Alguém tem colocado o ‘pé’ na minha chamada, mas Jeová irá ferir com câncer”, “Quando eu estiver ‘lá em cima’, alguém  me pedirá perdão...”, etc.

O que se vê não é simplesmente a “competitividade” de uma “corrida de fórmula 1”, que exige no mínimo dos corredores competência e técnica, mas uma verdadeira “corrida maluca” (lembra do desenho animado da dupla Hanna-Barbera?), onde vilões usam de artifícios inimagináveis (e sórdidos) para obtenção de suas “vitórias”.

Companheirismo

Companheiro é aquele que acompanha. Colega, condiscípulo, camarada. Quem exercita companheirismo não almeja ter a posição, os bens, o status, a remuneração, os dons, os talentos dos outros companheiros.

Para quem de fato é companheiro de companheiros, não há uma carreira solo a empreender, não há um único prêmio para se disputar, não há competições para se provar competências, não há cargos para ser ganho (ou tomado) a base de artifícios, artimanhas, jeitinhos, mentiras, guerras pessoais...

Quem exercita companheirismo não enxerga ninguém como ameaça ao seu ministério ou obstáculo a sua chamada. 

Mesmo estando em uma posição diametralmente oposta ao outro, liderando ou sendo liderados, os que enxergam a vida com a visão do companheirismo, com satisfação, reconhece o seu lugar e o lugar dos demais no tempo, no espaço e na história. 

E por falar em história, ela é sempre cíclica. Plante companheirismo hoje e colherás amigos verdadeiros há seu tempo e ainda terás saúde física, mental e espiritual. Viva concorrendo contra “potenciais inimigos” e nunca saberás o valor de uma verdadeira amizade, e, ainda estarás vulnerável às manifestações somáticas ou orgânicas de origem psíquica.

2 comentários:

  1. Excelente comentário. Espelha bem determinadas realidades doentias que campeiam em nossas igrejas. Humildade e contentamento são artigos em falta em nosso meio. Deus tenha misericórdia de nós.

    Abração!

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  2. Excelente comentário. Espelha bem determinadas realidades doentias que campeiam em nossas igrejas. Humildade e contentamento são artigos em falta em nosso meio. Deus tenha misericórdia de nós.

    Abração!

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