segunda-feira, 29 de junho de 2015

Profecia ou profetada?

Dário José

O neologismo “profetada” é um termo equivalente à profecia falsa, duvidosa, sem amparo das Escrituras e sem a inspiração de Deus. Vivemos atualmente uma dura realidade, pois muita gente ama as profetadas, e, em detrimento, despreza as profecias verdadeiras. Desprezam a pregação genuinamente cristocêntrica. Precisamos de discernimento para não sermos fisgados pelo engodo das falsas profecias (Oseias 4.6; I Coríntios 2.15,16; I João 4.1).

A origem da profetada

A profetada se origina na carne, o seja, no coração humano que é tendencioso ao engano (Jeremias 17.5-10). O rei Davi, depois das grandes vitórias e conquistas, tendo seu trono estabelecido sobre toda nação de Israel e morando em um palácio de cedro, desejou construir um templo para abrigar a arca do concerto de Deus. A ideia era excelente e o propósito digno de aplausos, mas... Esta não era a vontade divina!

Natã era um profeta sério e comprometido com a vontade de Deus (II Samuel 12.1-13). Entretanto, diante da “bem intencionada ideia” do rei Davi em construir um local para a arca da aliança, se descuidou e agiu por pura emoção, deixando sair dos seus lábios essa “profetada”: “... Vai, e faze tudo quanto está no teu coração; porque o Senhor é contigo” (II Samuel 7.3). Foi repreendido por Deus, tendo que voltar a presença do rei no outro dia pela manhã e lhe dissuadir da “fantástica ideia”, pois essa não era a vontade do Todo Poderoso (II Samuel 7.4-13).

A profetada também pode ter sua origem no diabo, que tem capacidade de “soprar” no ouvido de alguém aquilo que “parece” fazer parte dos planos e da vontade de Deus para a vida de alguém, mas que na verdade é velado engano.

Algo parecido aconteceu com o apóstolo Pedro em Cesareia de Filipe, que depois de ser impulsionada pelo Espírito Santo a reconhecer Jesus como o Messias prometido e enviado do Pai (Mateus 16.13-19). Porém, em seguida, ao ouvir o seu Mestre predizer e antever sua entrega, morte e ressurreição conforme já estava estabelecido nas Escrituras (Lucas 24.25-27), quis dissuadi-LO a não cumprir a vontade de Deus. Pedro foi repreendido por Jesus, que reconheceu na sua “profetada” inspiração satânica (Mateus 16.21-23).

Contrastes entre profecia verdadeira e profecia falsa

Não pense que é tão fácil detectar entre a falsa e a verdadeira profecia. A profetada em algum momento, não no todo, há de contradizer a vontade diretiva de Deus.
A precipitada aliança do rei Josafá (Judá - reino do sul) com o desviado rei Acabe (Israel - reino do norte), intencionando a reconquista de Ramote-Gileade que fora tomada pelos sírios (I Reis 22.1-4), confirma que o engano invade os corações de quem não mais consulta a Deus (I Reis 22.5). Acabe tinha centenas de “profetas” que o elevava em elogios e ao mesmo tempo o enganava com suas profetadas (I Reis 22.6,10, 12).

Um tal de Zedequias, filho de Quenaana, parece se destacar entre os profetas acabianos de mensagens alvissareiras, pois produziu para si uns chifres de ferro como símbolo da vitória contra os sírios (I Reis 22.11). Quem tem algum conhecimento bíblico, sabe que chifre ou ponta nas Escrituras é símbolo de poder (I Samuel 2.1; Salmos 92.10; Jeremias 48.25; Daniel 7.8, etc); sabe também que o ferro simboliza liderança implacável ou dureza e severidade (Levítico 26.19; Deuteronômio28. 23; Salmos 107.10; Daniel 22.33, etc). Zedequias provou com esses chifres que seu “poder” era falso, pois sendo de ferro, era “fabricado” e não natural; que sua profecia era mentirosa, pois mesmo usando o “assim diz o Senhor”, quem o impulsionava a falar não era Deus, mas o seu coração (Jeremias 17.9).

Josafá, mesmo sendo imprudente em se unir a Acabe, entendeu que tudo estava muito “fácil”, pois as palavras dos profetas só destilavam “mel”. Pediu outra fonte de consulta, então surge Micaías, um autêntico profeta de Deus (I Reis 22.13,14). Na presença dos reis e dos profetas, Micaías a princípio ironizou. Mas, em seguida suas palavras inspiradas pelo Senhor só teria gosto de “fel”, pois descortinou o que havia por trás de todos aqueles falsos vaticínios. Deus é Soberano e nada foge do seu controle (Jó 1.12; 2.5,6). Ele permitiu a “operação do erro”, tornando os profetas de Acabe agentes de mentira (I Reis 22.15-23).

Micaías por profetizar a verdade, foi ferido no queixo por Zedequias (o dos chifres de ferro, lembra?), e em seguida lançado na prisão para sobreviver a pão de angústia e a água de amargura (I Reis 22.24-27). O desfecho de toda essa história é que Deus cumpriu cabalmente o que falara através do profeta Micaías (I Reis 22.29-40)!

Portanto...

A profetada, que até pode ser dada por gente séria em algum momento por descuido, normalmente é oriunda de falsos profetas. Estes, através de suas vidas (frutos) revelam quem de fato são. O Senhor Jesus nos alerta dizendo: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis...” (Mateus 7.15,16).

Quem gosta de profetada enxerga Deus como mágico ou gênio da lâmpada, pois estão ávidos para que seus desejos declarados (ou secretos) sejam todos realizados. Só quem ama a Deus, observando a sua palavra e reconhecendo a sua Soberania, saberá discernir a verdadeira profecia da falsa. Só Ele tem o controle do passado, presente e futuro (Isaías 44.6,7; 46.9-13; João 13.7; Apocalipse 1.8). A profecia nunca fugirá dos seus três princípios: edificação, exortação e consolação (I Coríntios 14.3). Profetadas mais se parecem com adivinhação, “chute”, clarividência. Se houver algum acontecimento parecido, será apenas “parecido”. O que se parece não é real.

Toda profecia verdadeira tem origem em Deus. Jesus é Deus (João 1.1-4). O seu testemunho é o espírito da profecia: “E eu lancei-me a seus pés para o adorar; mas ele disse-me: Olha não faças tal; sou teu conservo, e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus. Adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito de profecia” (Apocalipse 19.10 – grifos nosso).

Profetada não se cumpre na íntegra, profecia sim: “E, se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o Senhor não falou? Quando o profeta falar em nome do Senhor, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele” (Deuteronômio 18.21,22).

A profecia só é verdadeira se for de acordo com a Bíblia. Deus não entra em contradição. Ele não afirma alguma coisa que vá de encontro ao que já falou, apenas para agradar a alguém. Qualquer profecia tem que estar de acordo com a sua Palavra. Veja o que apóstolo Paulo diz: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema” (Gálatas 1.8,9 – grifos nosso).

Só lembrando: anátema é o mesmo que maldição! 

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