sexta-feira, 3 de julho de 2015

Mourão, cerca e porteira!

Dário José

Recordo-me de cercas feitas de troncos envelhecidos,
Fixadas a arames farpados, pelo tempo, enferrujados,
Nas antigas terras dos meus pais, hoje já adormecidos,
Onde eu corria, pulava e brincava no meio do roçado.

Estas cercas tanto evitavam escape como a intrusão,
E também demarcavam os limites de uma propriedade.
Ah! Como meus pensamentos ao passado velozes vão,
Enchendo minha memória de tudo que é pura saudade!

Em cada extremidade da cerca, onde havia saída e entrada,
Fincava-se robusto mourão, de sucupira podia ser a madeira,
Era tronco bem afundado no solo e apto a levar “pancadas”,
Dos que, de propósito ou descuido, soltava a pesada porteira.

Que época boa! Dela cultivo excelente e riquíssima lembrança,
Quando de cima da porteira avistava, entre árvores, a estrada,
“O mundo se finda na curva”, pensava eu quando ainda criança,
Sem nada entender sobre a realidade de uma extensa jornada.

Aquela estrada, que via cheia de folhas no outono e seca no verão,
Lamacenta no inverno ou bem ladeada da florescência primaveril,
Tinha como “pedágio” uma rústica porteira com seu velho mourão...
Era em frente da minha antiga casa, num rincão esquecido do Brasil.

Às vezes, no quintal da minha casa, mesmo entretido nos folguedos,
Escutava o estampido da porteira batendo contra o tosco mourão...
Sobressaltado olhava para o tronco, soltando das mãos os brinquedos,
Mas observava que ele continuava inabalável e bem fincado no chão!

Das muitas lições que venho aprendendo durante a minha vida inteira,
As sobre mourões, porteiras e cercas são de um grande valor didático:
“Cercas” nunca irão obstacular quem aprende “abrir” velhas porteiras,
E, nenhuma “pancada forte” pode derrubar mourões firmes e estáticos!

(Esta poesia foi concebida através da sugestão de Ronilson Santos, um companheiro na vida cristã).

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