terça-feira, 15 de setembro de 2015

Devemos ser sem ser!

Dário José

Como ministros de Cristo devemos ser sem ser! Parece paradoxo, mas é isso mesmo. No exercício do nosso serviço eclesiástico e desenvolvimento dos dons que recebemos do Senhor, devemos ter sempre em mente que tudo que somos e fazemos não é resultado de esforços próprios e capacidade humana.

Somos novas criaturas (nova criação) unicamente pelos méritos de Cristo e providência de Deus (II Coríntios 5.17,18a); as bênçãos subsequentes à salvação são também provenientes de Cristo (Efésios 4.11); somos escolhidos para o serviço não de maneira meritória, mas unicamente pela vontade e conhecimento do Senhor (I Samuel 16.7,12; Marcos 3.13; Hebreus 5.4).  

Então, devemos ser como se não fôssemos! Como ministros de Cristo e do seu evangelho, o que devemos focar?

Devemos nos ocupar em desenvolver o ministério da reconciliação (II Coríntios 5.18b). Devemos reconciliar grandes pecadores (dos quais, estamos inclusos) com um Grande Salvador. Ministério que não restaura, adoece; que não acolhe, perde; que não edifica, derruba; que não guia, dispersa; que não faz andar, atrofia...

Devemos pregar a mensagem da reconciliação (II Coríntios 5.19). A mensagem bíblica do evangelho não condena o pecador, mas aponta o Caminho da salvação: Jesus Cristo! A mensagem não pode ser modificada: é Jesus no começo, é Jesus no meio, é Jesus no fim! O evangelho que não transforma, não é de Deus e deforma.

Devemos como estrangeiros em pátria alheia e “embaixadores de Deus”, sob a autoridade do nome de Jesus, representá-LO na terra.  O foco da nossa missão é dizer ao mundo que Jesus, mesmo sem pecado, se fez pecado por nós para nos libertar do pecado (II Coríntios 5.20,21). Esta visão transforma a Igreja de Cristo na própria Missão de Deus!

Devemos nos perceber apenas como cooperadores de Deus, ponderarmos em nós mesmos e aconselhando aos demais a não desprezar a sua graça acessível (II Coríntios 6.1,2). Ninguém é detentor ou alvo de uma graça especial, mas todos são especiais sob a graça, executando obras especiais através da graça.

Devemos zelar pelos princípios éticos de nossa conduta para que nunca o nosso ministério seja censurado (II Coríntios 6.3). A autodisciplina não é responsabilidade de Deus, mas nossa. Nossos dons só poderão ir até onde nosso caráter permita. Podemos até ser caluniados, nunca censurados! A primeira tem a ver com a ação ardilosa e falsa de quem mente ao nosso respeito, a segunda é a comprovação factual de flagrantes erros e pecados cometidos, não confessados nem  tratados.

Devemos ter em mente que ser ministro de Deus não é viver em “zona de conforto”, mas desenvolver a paciência para suportar todo tipo de sofrimento e dores (II Coríntios 6.4-10). Ministérios saudáveis e que produzem com eficácia para o Reino de Deus são aqueles cujos ministros não ostentam bens e medalhas, mas cicatrizes de batalhas.

O que é ser sem ser? Ser sem ser é não absorver o cargo, título ou ofício que se exerce. Somos pessoas que exercitamos cargos, não cargos que comanda pessoas. O cargo é encargo, incumbência, responsabilidades e obrigações que indubitavelmente, em algum momento, nos levará a prestação de contas.   

Desenvolvamos nosso ministério: restaurando vidas sem publicidade e marketing pessoal; pregando a genuína mensagem do evangelho sem forçar ninguém à conversão, pois é Deus quem opera; representando a “Embaixada do Alto”, como autênticos cidadãos dos Céus, sem apegos as coisas terrenas; nunca esquecendo que apenas cooperamos, nunca operamos; fugindo, sempre,  de todos e quaisquer embaraços que nos rodeia, pois eles poderão nos  fazer cair e nos expor `a censura alheia; mantendo na consciência a firme certeza de que, no desenvolvimento do nosso ministério, alegria e sofrimento andarão sempre juntos!

Ministros, servos do Sumo Pastor, sejamos sem ser!

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