quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

Ou Deus trata ou abandona

Dário José

Certo pastor, amigo meu, me disse certa vez: “coisa triste é quando Deus abandona alguém; coisa pior é quando o abandonado ainda acha que Deus está com ele”.

Há uns cinco anos atrás, também ouvi de outro pastor: “sabe o que pode ser terrível para um líder? É ver através do seu ministério muita gente sendo salva, e, ele mesmo no final ser desaprovado e ir para o inferno...”.

Quero apenas citar três exemplos bíblicos de tratamento e abandono de Deus:

Caim. Deus recebeu a oferta de Abel, mas rejeitou a de Caim, seu irmão. Mesmo assim, Deus quis tratar com o iracundo Caim dando-lhe oportunidade de mudança, mas ele peremptoriamente rejeitou o tratamento do Senhor. No curso na sua autossufiência, assassinou o seu irmão, tornando-se maldito e distanciado de Deus (Gênesis 4.3-16). Caim é lembrado no Novo Testamento sempre como um mau exemplo que nunca deve ser seguido (Hebreus 11.4; I João 3.12; Judas 11).

Davi e Saul. Os dois primeiros reis de Israel, Saul (1050-1010 a.C.) e Davi (1010-970 a.C.), comprovam e atestam o abandonar e o tratar de Deus. Saul tinha dificuldade em obedecer a Deus. Foi rejeitado pelo Senhor, porque se esgotaram todas as suas as chances e oportunidades de arrependimento (I Samuel 10.8; 13.8-14; 15.1-31 34,35; 16.1; 28.6,7).

Mas o Senhor pode tratar com Davi quando este pecou, pois ainda havia nele quebrantamento e capacidade de autoanálise, possibilitando restauração (II Samuel 11.1-18; 12.1-13; Salmos 51.1-19).

As igrejas da Ásia. Às sete igrejas da Ásia Menor (hoje porção da Turquia) e aos seus líderes, o Senhor Jesus enviou mensagens através do apóstolo João. Só duas delas não são repreendidas (Esmirna e Filadélfia – Apocalipse 2.8-11; 3.7-12), mas as outras cinco restantes (Éfeso, Pérgamo, Tiatira, Sardes, Laodicéia), foram alvo das duras advertência do Grande Pastor, que ensejava que houvesse reconhecimento dos pecados e retorno à vida de santidade (Apocalipse 2.1-7, 12-28; 3.1-6, 14-21). 

É evidente que a graça é disponibilizada a todas as sete igrejas, querendo o Senhor Jesus “tratá-las” como Médico: “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às igrejas” (Apocalipse 2.7,11, 17,29; 3.6, 13, 22).

Deus nunca abandona ninguém sem antes conceder oportunidades de tratamento e restauração.  A expressão “... Hoje, se ouvirdes a sua voz, não endureçais o coração...”, é o ecoar da voz do Espírito Santo tanto no Antigo como no Novo Testamento (Salmos 95.7,8; Hebreus 3.7).

Os que pecam, promovem “crises” que afetam sua família e seus liderados. Estes, quando reconhecem e confessam diante Deus seus pecados, enfrentam com certeza a grande “crise” do tratamento, mas são plenamente restaurados.

Porém, quando alguém peca (e até envolvem outros no pecado), ao rejeitar deliberada e conscientemente o tratamento divino, torna-se a própria “crise”, atraindo a si e aos “envolvidos” funestas consequências.

Portanto, Deus só trata coração que se quebranta (Salmos 34.18). A o coração altivo e autossufiente só lhe resta o abandono do Senhor (Jeremias 17.5,6, 9-11). 

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

O que é sofrer solução de continuidade?

Dário José

Sofrer "solução de continuidade" é o mesmo que interromper; o contrário, quando algo prossegue "sem solução de continuidade" é porque não houve nenhum impedimento.

A experiência humana aliada à história, que é sempre cíclica, comprova que tudo que não segue a ética, a verdade, a seriedade, fatalmente sofrerá solução de continuidade.

É só questão de tempo, e...

Dissolver-se-á toda subserviência travestida de submissão. Mais cedo ou mais tarde, o bajulador “pisará” o pé de quem tantas vezes “beijou”.

Dissolver-se-á toda “santidade” desprovida de Deus. Tal piedade nada mais é do que religiosidade carregada de rituais externos.

Dissolver-se-á todo casamento que insiste “provar” e “demonstrar” que é “perfeito”. Tais matrimônios duram o mesmo tempo que um comercial de margarina na TV.

Dissolver-se-á toda liderança que “chefia” amedrontando e auto se beneficiando. Não serve para liderar quem não lidera servindo.

Dissolver-se-á toda amizade interesseira e descartável. Quem não cultiva amigos de verdade, terminará sozinho procurando colher o que nunca plantou.

Dissolver-se-á toda forma de culto exteriorizado. Culto antes de ser ato público, deve ser atitude interior que normatize a maneira de viver de cada indivíduo.

Dissolver-se-á todo emocionalismo “evangelístico”, aqui e ali propagado. A Igreja de Cristo “simplesmente” não faz missões, mas é a própria Missão de Deus na terra.

Dissolver-se-á todo o legado histórico “montado” para alimentar o próprio ego. Os frutos não alimentam a árvore, mas aos outros.

Dissolver-se-á toda politicagem que insiste em posar como boa política. Fazer política é governar com poderes provenientes do povo e retornáveis para o bem do povo.

Dissolver-se-á todos os “mirabolantes” projetos humanos não ratificados pelos Céus. Já os planos de Deus, até os “mais simples”, nunca serão frustrados, pois não precisam da “aprovação” da terra.

domingo, 11 de janeiro de 2015

Com quem se decepcionar, se Deus não posterga promessas!

Dário José

Vejo gente decepcionada com tanta gente igual,
Pois firmou seu coração no que Deus não falou...
Fizeram planos acalentando sonho utópico e irreal,
Comprovando que não conhecem a voz do Pastor.

Vejo que isto pode ser entendido de uma simples maneira:
Os “decepcionados” não unem seus corações às Escrituras,
Então pensa, fala e até escreve em redes sociais, besteiras...
Na sua comiseração, se comporta como vítima de torturas.

Mas também vejo delírios serem elogiados como sensatez,
Dos que do puro Evangelho mantém distante o coração...
Então, os “decepcionados” sofrem com tamanha estupidez,
Esquecendo-se de manter uma vida cristã de frutificação.

Vejo até, na mão de neófito “duas páginas” com pequeno texto,
E ao lado, quem massageia seu coração diz: “Que bela história!”.
E, quem tem “dez páginas” diz: “Ei, isto está fora do contexto...”,
Torna-se embrutecido e grita: “Eu... Eu também tenho história...”.

Mas vejo que “quem tem história” foca em Deus sua dependência,
Pois sabe diferenciar a voz do coração e a voz do Supremo Pastor!
Com “decepcionados”, neófitos e seus promotores tem prudência,
E entende que o caminhar só valerá a pena se empreendido com amor.

Vejo que amar é o único antídoto que corta o veneno das emoções,
Pois quando o coração é dominado por completo desse sentimento,
Não haverá mais nenhuma “câmara secreta” guardando “decepções”
E o nosso falar não será áspero nem um lamuriante grito de lamento.

Vejo que Deus é Soberano e que nunca postergará suas eternas promessas!
Os que nEle unicamente espera, descansa por completo o seu frágil coração,
E em meio à transloucada, desumana e desenfreada “correria”, não tem pressa,
Anda sobre o sólido caminho da Palavra, nunca por vias pantanosas da decepção.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Uma abordagem bíblica sobre a velhice

Dário José

Todos passam pela juventude, mas ninguém permanece na juventude. Todos nós, potencialmente, chegaremos à velhice. Este gracioso poema do sábio Salomão (Eclesiastes 12.1-8) nos confronta com detalhes terríveis da velhice que se aproxima a morte.

“Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer;” (v.1)

O texto acima nos alerta que devemos focar o Criador e não olhar para as vaidades terrenas (as coisas que passam). Lembrar de Deus aqui não simplesmente ter imaginações acerca dEle, mas é deixar de lado a nossa pretensão à autosuficiência, entregando-nos a Ele. Nesses textos abaixo Salomão discorre sobre os males e a realidade da velhice. A cadência da própria idade avançada gera pensamentos e palavras de saudade: “Não tenho nos meus dias de velhice nenhum prazer” (v. 1).


“antes que se escureçam o sol, a lua e as estrelas do esplendor da tua vida, e tornem a vir as nuvens depois do aguaceiro; “(v.2) 

O versículo 2 nos leva a perceber a “frieza” do inverno e a persistência da chuva, que oculta a luz solar transformando o dia em penumbra e a noite em densas trevas. Metaforicamente falando, com a idade avançada, as “luzes” da vida humana vão se apagando paulatinamente.

“no dia em que tremerem os guardas da casa, os teus braços, e se curvarem os homens outrora fortes, as tuas pernas, e cessarem os teus moedores da boca, por já serem poucos, e se escurecerem os teus olhos nas janelas; 
“e os teus lábios, quais portas da rua, se fecharem; no dia em que não puderes falar em alta voz, te levantares à voz das aves, e todas as harmonias, filhas da música, te diminuírem;” (vv.3,4)

No texto acima (versículos 3 e 4),  não é mais a noite, nem a tempestade ou o inverno que se vislumbra, mas uma grande “casa” que desmorona. O quadro é rico de metáforas (braços, pernas, dentes humanos e assim por diante). A “casa” decadente revela a fragilidade peculiar da idade avançada, quando a pessoa já não se sente mais parte integrante do mundo a sua volta.

“como também quando temeres o que é alto, e te espantares no caminho, e te embranqueceres, como floresce a amendoeira, e o gafanhoto te for um peso, e te perecer o apetite; porque vais à casa eterna, e os pranteadores andem rodeando pela praça; (v.5) 

Aqui vemos alguém idoso com medo de cair, por não ter mais firmeza e andar devagar. A metáfora do cabelo branco da idade avançada é vivamente sugerida pela amendoeira que fica com as flores brancas no inverno. Ugafanhoto é muito leve, mas essa metáfora retrata que para uma pessoa idosa, qualquer coisa leve torna-se um “peso”. A expressão “perecer o apetite” pode ser tra­duzida por “acabar o desejo”. A “casa  eterna” aponta para o final de tudo, e Salomão, finaliza confrontando o homem com a realidade da cerimônia do seu iminente funeral.

“antes que se rompa o fio de prata, e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço,” (v.6)

Neste versículo (6), temos a estrutura do corpo humano, que tanto tem beleza como fragilidade. O homem é uma obra de arte feita por Deus, mas ao mesmo tempo é tão frágil como um vaso de barro, que pode se quebrar a qualquer momento.

“e o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu.” (v.7) 

A nossa vida não nos per­tence. O corpo morrerá e voltará aos seus elementos primitivos no solo terrestre, o fôlego da vida (a parte imaterial), retorna para Deus.

“Vaidade de vaidade, diz o Pregador, tudo é vaidade.” (v.8) 

No versículo 8, com a expressão com“ vai­dade de vaidade” , Salomão finaliza declarando  que o homem na sua “busca” durante a sua existência, terminará com a velhice sem poder “reter” nada do que acumulou, pois nada que lhe foi oferecido “debaixo do sol” não lhe pertence de fato.

Todos (com exceções) chegaremos à velhice! Na realidade, você está envelhecendo agora.  Iremos o estágio da vida quando já não haverá mais a capacidade de recuperação da juventude ou a perspectiva de uma compensação. Lembra-te do teu Criador hoje, agora!

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Chuva que rega ou tempestade que inunda?


Dário José

Este post fala de chuva e de água, tanto de maneira conotativa (sentido figurado) como denotativa (sentido determinado pelo dicionário).

Água e Chuva - Sentido denotativo

Estamos vivendo a crise hídrica no nosso país. Antes, a região mais castigada era a Nordeste. Mas em 2014, por incrível que pareça, São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, foram os Estados mais atingidos pela crise no abastecimento de água. A população resgatou velhos hábitos, como o banho de caneca, para economizar o líquido essencial à vida.

A falta de água e a seca assusta e gera muitas dificuldades. Mas, o que é assustador também é que, quando chove, o grande volume de água de uma só vez provoca alagamentos, caos no trânsito e muitos outros transtornos.

Água e Chuva - Sentido conotativo

Numa perspectiva humana, subjetiva e comparativa, a “terra está sequíssima”... Quase não há mais nenhuma esperança no âmbito social, que se relacione à ética, a lisura das diversas atividades diárias, a manutenção de amizades sólidas, a prática do amor ao próximo, a prática da justiça, o cumprimento dos mandamentos divinos... Bem, quem continua nutrindo expectativas da vinda de “chuvas”, numa visão meramente humana, é melhor “tirar o cavalo da chuva”, não porque irá se molhar apenas, mas porque corre o risco de ser arrastado pelas “muitas águas”.

Não é pessimismo, mas realismo, as coisas irão piorar. Escuto ao longe certo “ruído” nada animador, pois sei que “trovão longe, chuva perto”. Grandes volumes d’água inundam rios em silêncio, e, “água silenciosa é sempre perigosa”.

Sei que precisamos de “chuvas” que reguem a terra, que nutram as plantas, que faça crescer e brotar os frutos. Chuvas geradoras de vida, saúde, esperança!

Mas vejo “nuvens escuras”. São tempestades com volumes atípicos de água se formando no céu. Essas “tempestades” arrasam tudo o que “brotou viçosamente das chuvas regulares”. Como todos sofrem o efeito da seca, todos também sofrem com as “águas excessivas”!

Mesmo sabendo que “todos os rios correm para o mar”, que “água e conselho, só se dá quem pede”, que falar de “tempestade” para quem está em “zona de conforto” e não observa as nuvens é “chover no molhado”, que “águas passadas não movem moinhos”, prefiro ser um dos que se arrisca em “sobreviver”, afinal de contas, “quem está na chuva é para se molhar” e só “quem foi molhado na chuva não tem medo de sereno”.

Só os que “persistem em sobreviver” à seca ou tempestade, sabem que “enchentes” causam estragos, mas só “água mole em pedra dura tanto bate até que fura”.