segunda-feira, 29 de junho de 2015

Profecia ou profetada?

Dário José

O neologismo “profetada” é um termo equivalente à profecia falsa, duvidosa, sem amparo das Escrituras e sem a inspiração de Deus. Vivemos atualmente uma dura realidade, pois muita gente ama as profetadas, e, em detrimento, despreza as profecias verdadeiras. Desprezam a pregação genuinamente cristocêntrica. Precisamos de discernimento para não sermos fisgados pelo engodo das falsas profecias (Oseias 4.6; I Coríntios 2.15,16; I João 4.1).

A origem da profetada

A profetada se origina na carne, o seja, no coração humano que é tendencioso ao engano (Jeremias 17.5-10). O rei Davi, depois das grandes vitórias e conquistas, tendo seu trono estabelecido sobre toda nação de Israel e morando em um palácio de cedro, desejou construir um templo para abrigar a arca do concerto de Deus. A ideia era excelente e o propósito digno de aplausos, mas... Esta não era a vontade divina!

Natã era um profeta sério e comprometido com a vontade de Deus (II Samuel 12.1-13). Entretanto, diante da “bem intencionada ideia” do rei Davi em construir um local para a arca da aliança, se descuidou e agiu por pura emoção, deixando sair dos seus lábios essa “profetada”: “... Vai, e faze tudo quanto está no teu coração; porque o Senhor é contigo” (II Samuel 7.3). Foi repreendido por Deus, tendo que voltar a presença do rei no outro dia pela manhã e lhe dissuadir da “fantástica ideia”, pois essa não era a vontade do Todo Poderoso (II Samuel 7.4-13).

A profetada também pode ter sua origem no diabo, que tem capacidade de “soprar” no ouvido de alguém aquilo que “parece” fazer parte dos planos e da vontade de Deus para a vida de alguém, mas que na verdade é velado engano.

Algo parecido aconteceu com o apóstolo Pedro em Cesareia de Filipe, que depois de ser impulsionada pelo Espírito Santo a reconhecer Jesus como o Messias prometido e enviado do Pai (Mateus 16.13-19). Porém, em seguida, ao ouvir o seu Mestre predizer e antever sua entrega, morte e ressurreição conforme já estava estabelecido nas Escrituras (Lucas 24.25-27), quis dissuadi-LO a não cumprir a vontade de Deus. Pedro foi repreendido por Jesus, que reconheceu na sua “profetada” inspiração satânica (Mateus 16.21-23).

Contrastes entre profecia verdadeira e profecia falsa

Não pense que é tão fácil detectar entre a falsa e a verdadeira profecia. A profetada em algum momento, não no todo, há de contradizer a vontade diretiva de Deus.
A precipitada aliança do rei Josafá (Judá - reino do sul) com o desviado rei Acabe (Israel - reino do norte), intencionando a reconquista de Ramote-Gileade que fora tomada pelos sírios (I Reis 22.1-4), confirma que o engano invade os corações de quem não mais consulta a Deus (I Reis 22.5). Acabe tinha centenas de “profetas” que o elevava em elogios e ao mesmo tempo o enganava com suas profetadas (I Reis 22.6,10, 12).

Um tal de Zedequias, filho de Quenaana, parece se destacar entre os profetas acabianos de mensagens alvissareiras, pois produziu para si uns chifres de ferro como símbolo da vitória contra os sírios (I Reis 22.11). Quem tem algum conhecimento bíblico, sabe que chifre ou ponta nas Escrituras é símbolo de poder (I Samuel 2.1; Salmos 92.10; Jeremias 48.25; Daniel 7.8, etc); sabe também que o ferro simboliza liderança implacável ou dureza e severidade (Levítico 26.19; Deuteronômio28. 23; Salmos 107.10; Daniel 22.33, etc). Zedequias provou com esses chifres que seu “poder” era falso, pois sendo de ferro, era “fabricado” e não natural; que sua profecia era mentirosa, pois mesmo usando o “assim diz o Senhor”, quem o impulsionava a falar não era Deus, mas o seu coração (Jeremias 17.9).

Josafá, mesmo sendo imprudente em se unir a Acabe, entendeu que tudo estava muito “fácil”, pois as palavras dos profetas só destilavam “mel”. Pediu outra fonte de consulta, então surge Micaías, um autêntico profeta de Deus (I Reis 22.13,14). Na presença dos reis e dos profetas, Micaías a princípio ironizou. Mas, em seguida suas palavras inspiradas pelo Senhor só teria gosto de “fel”, pois descortinou o que havia por trás de todos aqueles falsos vaticínios. Deus é Soberano e nada foge do seu controle (Jó 1.12; 2.5,6). Ele permitiu a “operação do erro”, tornando os profetas de Acabe agentes de mentira (I Reis 22.15-23).

Micaías por profetizar a verdade, foi ferido no queixo por Zedequias (o dos chifres de ferro, lembra?), e em seguida lançado na prisão para sobreviver a pão de angústia e a água de amargura (I Reis 22.24-27). O desfecho de toda essa história é que Deus cumpriu cabalmente o que falara através do profeta Micaías (I Reis 22.29-40)!

Portanto...

A profetada, que até pode ser dada por gente séria em algum momento por descuido, normalmente é oriunda de falsos profetas. Estes, através de suas vidas (frutos) revelam quem de fato são. O Senhor Jesus nos alerta dizendo: “Acautelai-vos, porém, dos falsos profetas, que vêm até vós vestidos como ovelhas, mas, interiormente, são lobos devoradores. Por seus frutos os conhecereis...” (Mateus 7.15,16).

Quem gosta de profetada enxerga Deus como mágico ou gênio da lâmpada, pois estão ávidos para que seus desejos declarados (ou secretos) sejam todos realizados. Só quem ama a Deus, observando a sua palavra e reconhecendo a sua Soberania, saberá discernir a verdadeira profecia da falsa. Só Ele tem o controle do passado, presente e futuro (Isaías 44.6,7; 46.9-13; João 13.7; Apocalipse 1.8). A profecia nunca fugirá dos seus três princípios: edificação, exortação e consolação (I Coríntios 14.3). Profetadas mais se parecem com adivinhação, “chute”, clarividência. Se houver algum acontecimento parecido, será apenas “parecido”. O que se parece não é real.

Toda profecia verdadeira tem origem em Deus. Jesus é Deus (João 1.1-4). O seu testemunho é o espírito da profecia: “E eu lancei-me a seus pés para o adorar; mas ele disse-me: Olha não faças tal; sou teu conservo, e de teus irmãos, que têm o testemunho de Jesus. Adora a Deus; porque o testemunho de Jesus é o espírito de profecia” (Apocalipse 19.10 – grifos nosso).

Profetada não se cumpre na íntegra, profecia sim: “E, se disseres no teu coração: Como conhecerei a palavra que o Senhor não falou? Quando o profeta falar em nome do Senhor, e essa palavra não se cumprir, nem suceder assim; esta é palavra que o Senhor não falou; com soberba a falou aquele profeta; não tenhas temor dele” (Deuteronômio 18.21,22).

A profecia só é verdadeira se for de acordo com a Bíblia. Deus não entra em contradição. Ele não afirma alguma coisa que vá de encontro ao que já falou, apenas para agradar a alguém. Qualquer profecia tem que estar de acordo com a sua Palavra. Veja o que apóstolo Paulo diz: “Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema. Assim, como já vo-lo dissemos, agora de novo também vo-lo digo. Se alguém vos anunciar outro evangelho além do que já recebestes, seja anátema” (Gálatas 1.8,9 – grifos nosso).

Só lembrando: anátema é o mesmo que maldição! 

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Anonimato

Foto: Magna Borges
Dário José

Quem é esse senhor? 
Não sei quem é. 
Seu nome, sua origem? Desconheço!
Quantos anos têm? 
Qual é a sua história?
Quantos verões, invernos,
Primaveras e outonos já viveu?
Também não sei.

O anonimato lhe incomoda?
Penso que não!
Está indo a algum lugar
Ou está voltando pra casa?
Ou vice-versa?
Não sei. Também não sei
Nada da sua família...

Mas... o anonimato não lhe incomoda?
Sinceramente? Não!
Acredito que lhe faz bem!
A maioria das pessoas vive
Anonimamente...
A fama dura tão pouco,
Há quem diga que apenas 15 minutos!

Foto em preto e branco
Carrega certa carga de saudosismo...
Nostalgia ou saudade são
Amigas de gente experiente e vivida!
O senhor anônimo dessa foto,
Clicado através da câmera de minha filha,
Aparenta ter marcas de quem tanto viveu... E viveu bem!

Fotografia tirada em 20 de junho, pela minha filha Magna Borges da janela da casa onde moramos.

quarta-feira, 17 de junho de 2015

O perigoso culto à personalidade

Dário José

Cultuar a própria personalidade é admirar excessivamente a si mesmo. O culto à personalidade existe desde a queda do primeiro homem (Gênesis 3). Cultuar a si é criar sua própria verdade e viver em torno dela. Caim, o primogênito de Adão e Eva, tinha sua vontade como objeto de culto, pois ao oferecer sacrifício, à sua maneira, foi rejeitado por Deus; mesmo tendo a oportunidade de oferecer ao Senhor uma correta adoração, recusou e assassinou seu próprio irmão Abel por inveja (Gênesis 4.1-12).

Lameque, filho de Metusael e um dos descendentes da quinta geração do maligno Caim, também se autocultuava. Este, que foi o primeiro polígamo (Gênesis 4.19), também foi um assassino frio que fazia poesia das suas atrocidades em tom de auto justiça e vangloria (Gênesis 4.23,24). Apesar de Caim, Lameque e seus descendentes deixarem grandes progressos à história da humanidade (Gênesis 4.20-22), infelizmente, também deixaram a marca e a influência das práticas pecaminosas, não legando nenhuma espiritualidade sadia às futuras gerações.

O culto à personalidade existe há muito tempo. A empoeirada História nos revela o desenvolvimento de estratégias propagandistas “confeccionadas” para exaltar e divulgar sempre de maneira positivista as virtudes, reais ou não, de conquistadores de antigas dinastias, monarcas, governantes, ditadores, políticos, líderes religiosos através de pinturas rupestres, altos e baixos relevos em pedras, esculturas, desenhos, etc.

Dos monumentos antigos às modernas imagens midiáticas, só comprovam que a alma humana continua a mesma: desejosa de ser cultuada. Alma é personalidade. E personalidade é o conjunto das características que marcam uma pessoa, determinando o padrão de individualidade pessoal e social, referente ao seu pensar, sentir e agir.

Todo culto à personalidade é doentio. É doente quem presta culto a outros ou a si; é doente quem recebe culto de homens. Isso nos faz lembrar as palavras de Moisés usadas mais tarde por Jesus quando foi tentado pelo Diabo: “... porque está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mateus 4.10; Deuteronômio 6.13).

Vejamos algumas características de quem cultua a própria à personalidade:

Concentra todo poder em torno de si. Quem age assim sempre quer ter a última palavra. Não sabe ouvir um “não”. É incapaz de se submeter aos pontos de vista, as opiniões e liderança de outras pessoas porque já “sabe” tudo. Se alguém se propõe a ajudar identificando seus pontos fracos, não aceita porque não cogita a ideia de ter pontos fracos. Consciente ou não, age como uma figura messiânica. Até pede  e ouve opiniões alheias, mas no final o que prevalece é a sua vontade.

Nunca é uma pessoa acessível. No exercício da sua liderança, não se acessibiliza a ninguém, pois busca deixar a impressão de que é “mais santo, iluminado, separado, qualificado” do que os demais. Essa “loucura” o leva um isolamento invisível. Estar rodeado de centenas de pessoas, mas sozinho.

Faz acepção de pessoas. Se “blinda” negando atender ou estar com pessoas que tem problemas; que são humanas; que pensam; que se quebrantam; que são “simples mortais”. Gente assim não são “úteis” aos seus propósitos; não falam a mesma linguagem, andam na contramão.  

Não é transparente. Quem não se deixa conhecer com franqueza embaça a transparência do próprio comportamento! Não agir com transparência e sabedoria, é criar cultura legalista. É impossível alguém ser persuadido a acreditar nas verdades do Evangelho pregado por alguém que não as cumpre integralmente nas suas atitudes diárias! Mas quem age assim, você nunca sabe quando mente ou fala a verdade.

Estar sempre na defensiva. Alguém que usa “todos os meios” para aparentar que tudo vai “a mil maravilhas”, quando na realidade nada está bem. A atitude defensiva se externa através de desconfianças de outros quando há desgastes comportamentais. Pessoas sinceras enfrentam os problemas sem se defender, pessoas inseguras colocando-se sempre na defensiva. Vivem preocupadas de como vencer, impressionar, manter-se impune ou, então, como reduzir ou evitar o risco de ser “descoberta” por antecipação.

Se sente insubstituível. Se morresse hoje, o que aconteceria com toda “sua” liderança? Todo “seu” ministério ou serviço sofreria solução de continuidade? Mas o insubstituível se sente indispensável; único; multifacetado...Na sua cabeça nunca paira a ideia de preparar ou ter um sucessor.

Procura evidenciar a própria marca. Os artistas, políticos, desportistas  costumam fazer o próprio marketing pessoal, desejando “lucros” do seu público. Mas há também gente menos conhecida, querendo só “benesses”. Há pastores, pregadores, conferencistas e cantores que buscam evidenciar seus nomes e seus rostos em DVDs, CDs, livros, periódicos, websites, materiais gráficos. Tem currículo extenso; tem ministério com “M” maiúsculo; tem logotipo próprio; faz propaganda das próprias “performances”; seus ternos, gravatas, camisas, sapatos, relógios, anéis, estilo de cabelo, porte físico, linguajar diferem dos demais mortais; faz superexposição (“toca trombeta”) de tudo que faz (Mateus 6.1-18; I Coríntios 10.31).

Não sabe lidar com as críticas. Os críticos tornam-se potenciais alvos de futuras punições. Tenta reverter tudo, não assume as próprias falhas e joga para os outros a culpa. Mesmo se as críticas forem saudáveis, buscará a oportunidade para uma futura retaliação. Faz citações e orações imprecatórias para que todos os críticos sejam destruídos por Deus, pois se vê como “protegido” dEle. Nunca permite meios para um feedback com aqueles que, além de amar a Deus e a sua Palavra, também lhe ama. Amar também é não concordam com os erros.

Deus só exalta quem se humilha (Mateus 23.12). Só aprova quem não louva a si mesmo (II Coríntios 10.17,18). Você aceita, de coração, seguir a orientação bíblica de procurar sempre direcionar toda a atenção, todo poder, toda glória, todo controle para o Senhor Jesus? Você permite se diminuir para que Ele possa crescer? (João 3.30).

Precisamos agir como Eliseu que rejeitou bajulação e presentes de Naamã sabendo de Quem vinha o poder do seu ministério (II Reis 5.9-16).

Precisamos viver como João Batista, que tanto anunciou a vinda do Messias como denunciou o pecado de Herodes e Herodias, mesmo vindo a perder a própria vida (Marcos 6.17-29).

Precisamos nos portar como Pedro, que ao pregar a Palavra de Deus na casa de Cornélio, foi tratado com honras além do que merecia a ponto do gentio prostrar-se aos seus pés para adorá-lo. Pedro recusou tal adoração e disse: “... Levanta-te, que eu também sou homem” (Atos 10.26). Até mesmo um anjo, que supera-nos em força e glória, recusa-se também a ser adorado (Apocalipse 19.10; 22.8,9).

Precisamos saber lidar com os elogios como Paulo e Barnabé, que pregando e sendo um canal de Deus para a cura de um paralítico em Listra, e em seguida, ao serem confundidos e saudados pela multidão como deuses mitológicos, recusaram tal “reconhecimento” rasgando as próprias vestes, desprovidos de qualquer ambição e sem se aproveitarem do momento para manipular e explorar a massa incauta (Atos 14.6-21). O mesmo apóstolo fala de um “espinho na carne” que lhe foi dado para que não se ensoberbecesse com as revelações grandiosas que recebera do Senhor (II Coríntios 12.1-9).

Dos antigos registros da história mundial aos fatos atuais que nos rodeiam, encontramos o homem sempre apontando os erros alheios para justificar suas próprias ações, e, ao mesmo tempo, buscando desenfreadamente exaltar a si mesmo; de cidadãos comuns a guerreiros, reis, profetas, políticos, governantes, juízes e líderes religiosos, todos são feitos da mesma matéria adâmica – pó (Salmos 103.14).

Eu e você, às vezes esquecemos que somos vasos de barro! Precisamos constantemente ser lembrados pelo Espírito Santo que não passamos de matéria frágil: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus, e não de nós” (II Coríntios 4.7). 

segunda-feira, 8 de junho de 2015

Corrupção versus integridade

Dário José

Integridade é a particularidade ou condição do que está inteiro; qualidade do que não foi alvo de diminuição na sua inteireza. O íntegro não sofre alteração na sua honestidade.

A corrupção é o antônimo de integridade. O corrupto é alguém que tem o seu caráter alterado ao longo do tempo, "vendendo ou negociando a sua alma”. Sofre corrupção tudo aquilo (coisa) ou aquele (pessoa) que era saudável, mas ficou doente; era limpo e tonou-se sujo; era são e ficou apodrecido, etc.

Nos dias atuais, se escancaram inúmeros escândalos e corrupções, que são geradores de uma grande crise de integridade moral, espiritual, política, social solapando instituições seculares, governamentais e religiosas ao redor do mundo. Diante disto, como cristãos, nunca podemos esquecer-nos da advertência bíblica que alerta a cada um de nós quanto à manutenção da  vida de integridade:

“Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia. Não veio sobre vós tentação, senão humana; mas fiel é Deus, que não vos deixará tentar acima do que podeis, antes com a tentação dará também o escape, para que a possais suportar” (I Coríntios 10.12,13 – Almeida Corrigida e Revisada Fiel, grifos nosso).

Vejamos algumas ações de pessoas íntegras e de corruptas e o que resultam de seus comportamentos, à luz da Bíblia:

O íntegro mantém sua esperança unicamente em Deus, pois sabe que “Ele reserva a sensatez para o justo; como um escudo protege quem anda com integridade” (Provérbios 2.7), e que, “O Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor concede favor e honra; não recusa nenhum bem aos que vivem com integridade” (Salmos 84.11).

O íntegro busca ser fiel a Deus, mesmo recebendo o mal ao fazer o bem e até padece por amor da justiça, pois entende que o apóstolo Pedro não se enganou quando disse: “... tendo uma boa consciência, para que, naquilo em que falam mal de vós, como de malfeitores, fiquem confundidos os que blasfemam do vosso bom porte em Cristo. Porque melhor é que padeçais fazendo bem (se a vontade de Deus assim o quer), do que fazendo mal” (I Pedro 3.16,17).

O íntegro não precisa revelar álibis nem apresentar desculpas, pois “A integridade dos justos os guia, mas a falsidade dos infiéis os destrói” (Provérbios 11.3).

O íntegro não faz simplesmente o que as leis civis ordenam como correto ou deixa de fazer o que as leis religiosas condenam como errado, mas o que a lei moral (do seu coração) observa segundo as Escrituras, podendo dizer: “Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti” (Salmos 119.11).

O íntegro não é gerenciado pela presença de outros. Suas motivações são internas e não externas, sabendo que “Quem anda com integridade anda com segurança, mas quem segue veredas tortuosas será descoberto” (Provérbios 10.9).

O íntegro conduz o seu pensamento ao que é bom, pois sabe que isto afeta o seu falar e o seu agir e trarão implicações no mundo natural, espiritual e na eternidade: “Quanto ao mais, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensai” (Filipenses 4.8).

O íntegro constrói seu caráter sobre base sólida, não em terreno pantanoso, pois “Quem procede com integridade viverá seguro, mas quem procede com perversidade de repente cairá” (Provérbios 28.18).

O íntegro abdica de certos “benefícios” que podem macular seu caráter, sabendo que “Melhor é o pobre que vive com integridade do que o tolo que fala perversamente” (Provérbios 19.1).

O íntegro se afasta do pecado, não aprova o engano, não se justifica e, se possível,  morre pelo que defende: “Não falarão os meus lábios iniquidade, nem a minha língua pronunciará engano. Longe de mim que eu vos justifique; até que eu expire, nunca apartarei de mim a minha integridade” (Jó 27.4,5).

O íntegro é diante dos homens o que ele é primeiramente diante de Deus, “... pois estamos tendo o cuidado de fazer o que é correto, não apenas aos olhos do Senhor, mas também aos olhos dos homens” (I Coríntios 8.21).

O íntegro, independente de querer ou não, de ser líder ou ser liderado, torna-se exemplo aos que estão a sua volta: “Em tudo te dá por exemplo de boas obras; na doutrina mostra incorrupção, gravidade, sinceridade, linguagem sã e irrepreensível, para que o adversário se envergonhe, não tendo nenhum mal que dizer de nós” (Tito 2.7,8).

O íntegro é mantido por Deus e goza da sua intimidade: “Por causa da minha integridade me susténs e me pões na tua presença para sempre” (Salmos 41.12).

Que o Senhor nos ajude sempre!

quarta-feira, 3 de junho de 2015

Por que Deus quebra “navios”?

Dário José

“Fez Josafá navios de Társis, para irem a Ofir em busca de ouro; porém não foram, porque os navios se quebraram em Eziom-Geber.” I Reis 22.49 (Almeida Revista e Atualizada  – grifos nosso)
“... E os navios se quebraram e não puderam ir a Társis.” II Crônicas 20. 37 (Almeida Revista e Atualizada – grifo nosso)

Por que onde um servo de Deus é bem sucedido, outro tropeça? Um conquista seu intento, outro fracassa? O rei Salomão já havia, em tempos passados,  ido a Ofir (cidade na Arábia meridional na rota comercial, onde se trocava ouro por mercadorias), em busca de preciosidades, e tivera sucesso (II Crônicas 8.17,18). Mas, por que o rei Josafá muitos anos depois não logrou êxito fazendo o mesmo?

Atualmente, Deus ainda “quebra navios”? O que se entende por quebra de navios em nosso contexto atual? O “navio” aqui não é literalmente uma embarcação, é claro,  mas pode ser visto como projeto, ideia, plano, relacionamento, consórcio, liderança, investimento, exercício de governos, etc. A “quebra” deles nada mais é do que a “frustração” gerada única e exclusivamente por Deus, pois Ele sabe colocar “areia” nas “engrenagens”.

Podemos elencar abaixo algumas razões que levam Deus a quebrar “nossos navios”, como fez com os do rei Josafá.

Deus quebra os navios de quem não lhe consulta. As naus de Josafá foram quebradas porque ele não buscou resposta em Deus para tal empreendimento (I Reis 22.49; II Cr 20.6). Em outros momentos da sua vida, Josafá consultara ao Senhor e obtivera respostas positivas (I Reis 22.5,7, 8; II Reis 3.11). Josafá também buscou consultar a Deus (mesmo que tardio), ao se aliar a Acabe (pai de Acazias) para batalhar contra Ramote Geleade, desconfiado das "profetadas" dos profetas de Acabe (I Reis 22.5-9).

Mas agora, se aliando a Acazias, viu os navios quebrados e intransitáveis porque não buscou resposta em Deus para tal construção (I Reis 22.49; II Crônicas 20.6). Quando não consultamos a Deus, seguimos o nosso próprio coração, temos 100% de chances de tudo dá errado (Provérbios 16.1-3).

Deus quebra os navios de quem se precipita. Deus permite a nossa ousadia até certo ponto, como aquele que segura uma pipa por fino cordão, deixando subir, subir, subir... Depois, intervém na sua subida e a puxa de volta. Há, na didática divina muito a se aprender: uma coisa é Deus “permitir” que empreendamos nossos projetos, outra coisa é Ele nos “dirigir” a realizarmos seus projetos. Ele até permite que façamos obtusamente nossos “navios”, mas eles com certeza se quebrarão e não irão a lugar nenhum (I Reis 22.49; II Crônicas 20.6.37).

Deus quebra os navios de quem faz parceria com pecadores. Josafá se aliou a Acazias, um rei tão mau quanto seu pai Acabe (I Reis 22.52-54; II Crônicas 20.6). Então, Deus usou um tal de Eliézer, filho de Dodavá, de Maressa, que  vaticinou contra Josafá o insucesso de todo esse investimento: “...Porquanto te aliaste com Acazias, o Senhor destruiu as tuas obras...” (II Crônicas 20.6.37 – grifos nosso).

A aliança com um idólatra é rejeitada pela palavra de Deus (Êxodo 34.12; Amós 3.3). Qualquer formação de pacto  ou união, da nossa parte, com os que andam na contramão de Deus, atrairá funestas consequências a nossa vida e ministério, caso não haja uma mudança de 180 graus. No NT, o apóstolo Paulo nos adverte do jugo desigual entre crentes e incrédulos (II Coríntios 6.14-16).

Deus quebra os navios porque só Ele tem propósitos definidos.  Eliézer, como voz profética, disse a Josafá: “... o Senhor destruiu as tuas obras...” (II Crônicas 20.6 – grifos nosso). Os navios foram construídos em Eziom-Geber e lá naufragaram. Eziom-Geber  era uma cidade próxima de Elate, na costa do golfo de Ácaba. Os israelitas acamparam nesse lugar (Números 33.35). Ali Salomão construiu seus navios (I Reis 9.26). Você leu e entendeu? O sucesso do nosso empreendimento não resulta de onde trabalhamos (Társis, Eziom-Geber e Ofir) ou do que lá fazemos (navios ou qualquer outra coisa), mas se a intenção interior que nos impulsiona a fazê-lo é para glória de Deus (I Coríntios 10.31).

Deus deu a Salomão a sabedoria que ele pediu, mas também lhe concedeu o que não desejava: riquezas e glórias (I Reis 3.5-15). Por isso, quando desejou buscar ouro em Ofir, não teve nenhuma dificuldade, pois tinha a aprovação de Deus (I Reis 9.26-28). Com Josafá foi o contrário. Todo o esforço e esperança da conquista de ouro se espalharam em forma de pranchas e vigas de madeiras, quebradas e a deriva junto à costa, resultando em grande perda e desperdício de tempo e de recursos monetários!

Mas Deus estava nesse negócio! Sua Soberania estabelece seus desígnios e intentos: dá vida e mata; faz empobrecer e enriquecer; rebaixa e também eleva; tira do lixo e devolve ao lixo... (I Samuel 2.6-8). Deus, que existe por Si só, tem o poder de “quebrar qualquer obra pronta” daqueles que não O consultam!

É melhor não construir navio nenhum antes de consultá-LO!

segunda-feira, 1 de junho de 2015

Vai chuver muito!

Dário José

- Tempestade à vista, irmão!
- É. Não se ver mais a secura do chão...

-Nuvens escuras se concentram,
No céu vejo o sinal da tormenta...

- Há abrigos seguros, meu caro irmão?
- Até as casas elevadas inúteis serão!

- O sólido do presente será no futuro fragmentos,
As águas subirão cobrindo de casebres a monumentos...

- Invadidos pela inundação,
Quantos “segredos” serão...

- Para onde iríamos “aportar”,
Se terras não poderemos avistar?

- Nadaremos até encontramos algum torrão!
- Como? Será universal e completa a inundação!

- Mas, não tem como evitarmos tudo isso?
- Não! A chuva já cai como chuvisco...

- Não há nenhum “jeitinho” de sermos poupados?
- Ei! Acorda! Não diga que nunca foi avisado?

- Avisos, avisos... Quem o devido respeito lhes daria?
- É... Mas, cadê os “loucos” que diziam que um dia choveria?

- Nós nos divertíamos e os “loucos” construíam um barco o tempo inteiro...
- É mesmo, lembro-me deles! Ainda não os vi sob todo esse aguaceiro!

- Veja! Está ainda lá no alto o barco deles! Ele nos salvará...
- Não, não adianta... Não poderemos mais entrar!