sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Ideias inatas ou copiadas?

Imagem: Internet
Dário José

Uma ideia é a representação mental de uma coisa. Pode ser de algo concreto ou abstrato. Numa ideia se têm pensamentos, imagens delineadas, esboços, concepções, planos.  As ideias são inatas, pois estão presentes nos indivíduos antes de quaisquer experiências anteriores.

A ideia é fruto do talento inventivo, imaginativo, engenhoso de uma pessoa. É a união do conceito e da opinião de alguém gerando a concepção primária de algo original a ser desenvolvido, como por exemplo, uma obra de arte, um livro, um móvel, uma marca (logotipo), um slogan, uma estória, uma peça publicitária, um projeto etc.

Alguém pode copiar ou se apropriar de ideias alheias? Sim! Essa pergunta não é retórica nem capciosa, mas apenas reflexiva, pois pensar é a IDEIA que desejo comunicar neste texto!

"Na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma” é uma antiga expressão atribuída ao químico francês Antoine Lavoisier, que se baseando em reações químicas experimentais, elucidou a conhecida a lei da conservação da matéria.

“Nada se cria, tudo se copia” é uma “cria”, me permita a proposital redundância, da já citada frase de Lavoisier. Foi o conhecido comunicador e apresentador brasileiro, José Abelardo Barbosa de Medeiros – o Chacrinha - que a celebrizou dizendo: "Na televisão, nada se cria, tudo se copia".

Na realidade, em todas as épocas e lugares, sempre haverá gente que cria e gente que copia. O criador sabe que é criador; o copiador também o sabe. Há o copiador que se vislumbra e se percebe “criativo” ao copiar, mas há o copiador que reconhece sua total falta talento, então, a única coisa que sabe fazer é copiar.

O que surpreende é que tais copiadores são muitas vezes aplaudidos e vistos como criadores e/ou até remunerados por suas “criações”.

Hoje em dia é muito fácil parecer criador sendo apenas copiador. A tecnologia ajuda muito e o bojo de informações disponibilizado na internet é imensuravelmente incalculável. Vídeos tutoriais ensinam até como fazer bomba caseira. Temos sites e blogs para tudo o que se possa imaginar. Vivemos a era do “copiou-colou”, o famoso Ctrl-C, Ctrl-V.

A “esperteza” do copiador o leva a pensar que nunca será descoberto. Mais cedo ou mais tarde, alguma coisa virá à tona, quando suas "fontes" forem acessadas por outros.

O criador tem a marca da diferença, nunca da mediocridade. Criar é difícil, exige sempre trabalho árduo, esforço, dedicação e talento. Combina-se muita transpiração com inspiração. Copiadores, por sua vez, são essencialmente preguiçosos, triviais, previsíveis, superficiais.

Criadores quando dão passos em solo desconhecido e geram estradas, não têm necessidade de colocarem placas comemorativas. Copiadores, só porque pisam caminhos já por outros trilhados, se esforçam para exporem em outdoors seus “créditos”.

Imagem: Internet
Com quase cinco décadas de vida, já cruzei com muitos copiadores de ideias. Já fui vítima de alguns deles. Mas, também, aprendi com eles que não vale a pena, por mais atraente que seja, copiar.

Lembro-me que quando cursava a quinta série do primeiro grau, houve um concurso de desenho na minha antiga escola. O tema a ser retratado era “o cuidado do pedestre e do motorista no trânsito”. Eu estava entre os poucos alunos que se escreveram para tal empreitada.

Fiz um desenho a princípio que não gostei. Quando ia me desfazer dele, um colega me pediu alegando que queria para guardar de lembrança.

Fiz outro desenho e entreguei a professora de educação artística com a minha inscrição para o tal concurso. Sem eu perceber, o citado colega apagou discretamente minha assinatura e colocou a dele no desenho que eu havia rejeitado, inscrevendo-se também.

Na outra semana, a professora entrou na sala de aula apreensiva e se desculpando, pois o envelope que continha todos os nossos trabalhos foi perdido no assento de um ônibus. 

Ficamos tristes com a notícia, mas ela nos acalmou dizendo que o prazo das inscrições ainda não tinha se esgotado e que cada um poderia refazer o seu próprio desenho.

E aquele colega que usou o meu desenho como sendo dele, lembra? Pois é... Pense na aflição do camarada ao tentar colocar no papel o que não foi fruto do seu talento criativo... Ele não tinha nenhuma aptidão para as artes plásticas. O fim dessa história fica por conta da sua imaginação.

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