terça-feira, 12 de abril de 2016

Vigilâncias trocadas?

Imagem: Internet
Dário José

O que é vigiar? É espiar, tomar conta de, observar atentamente a; estar prestando atenção; fazer guarda; proteger; fiscalizar; controlar. Vigiar no sentido figurativo é cuidar.

Somos tendenciosos a nos preocuparmos muito com "tudo aquilo" que reputamos ser valioso e que na realidade não é. Negligenciamos, porém, a não observância do que de fato deveria ser o foco de toda a nossa atenção, cuidado e desvelo. A não observância do que nos ensina as Escrituras Sagradas cria “embaraços” à nossa caminhada rumo aos Céus (Hebreus 12.1-3).

O apóstolo Paulo em sua carta aos cristãos de Éfeso descreve tanto o passado de morte espiritual que estes vivenciaram em relação ao pecado quanto à vivificação por serem salvos e pertencerem à Igreja de Cristo. Mas ele diz que há três forças poderosas reunidas contra os efésios que ainda age nos filhos da desobediência: o mundo, a carne e o diabo:

E vos vivificou, estando vós mortos em ofensas e pecados, Em que noutro tempo andastes segundo o curso deste mundo, segundo o príncipe das potestades do ar, do espírito que agora opera nos filhos da desobediência; Entre os quais todos nós também antes andávamos nos desejos da nossa carne, fazendo a vontade da carne e dos pensamentos; e éramos por natureza filhos da ira, como os outros também - Efésios 2.1-3 (Almeida Corrigida e Revisada Fiel - grifos nosso).

Mesmo havendo entre os cristãos conceitos e teorias diferenciadas sobre essas três influências, o que fica evidente é que as forças que se opõem contra os filhos de Deus sempre serão oriundas do mundo, da carne e do diabo.

Vigilâncias trocadas

É aí que reside o problema: trocamos as vigilâncias! Fortalecemos mais a guarda sobre apenas dois inimigos bíblicos que elegemos como mais perigossos: o diabo -"o príncipe das potestades do ar" que estar ao nosso derredor, e o mundo – “oposição de um ambiente hostil” - a nossa volta.

Por outro lado, enfraquecemos nossa vigilância quanto a um terceiro inimigo: as inclinações profundas para o mal -"os desejos da nossa carne"- que vem de nosso interior e só nós e Deus sabemos.

Pulsa em nós a curiosidade sobre a vida alheia. Somos tendenciosos a cuidarmos muito mais do que é dos outros. E de nós, cuidamos? Precisamos olhar, primeiramente, para nós mesmos (Mateus 7.1-5; Atos 20.28; I Coríntios 10.12; I Timóteo 4.16; II João 1.8). Sempre!

É no nosso interior que pode se engendrar e hospedar o mal (Tiago 1.13-16). O pior é que podemos nos tornar insensíveis, por descuidar da vigilância, ao ponto de expelirmos toda a sorte de males através da nossa conduta e, mesmo assim, demonstrarmos uma falsa piedade (II Timóteo 3.1-5). 

A frase "vamos dá uma espiadinha" de um famoso reality show da TV, aguça fortemente natureza humana. Sendo um programa de "conteúdo" pobre e apodrecido, mesmo assim mexe com a cabeça de muita gente que não consegue deixar de "espiar” um pouquinho da intimidade alheia "vendável" e "acessível".  O que é isso senão o círculo vicioso que “alimenta” a natureza humana decaída?

No universo das redes sociais não é diferente, pois nesse crescente mundo virtual somos tentados, pelas razões mais diversas, a exibirmos tanto as nossas mediocridades como espiarmos as dos outros!

Exibe-se o que se “reputa” como mais valioso e importante. Mas sendo sinceros com nós mesmos, perceberemos que a maioria das coisas que encontramos ou expomos nas redes sociais não são em nada valiosas. Não passam de lixo midiático. Será que tudo isso não é a evidência de que estamos sendo dominados e vencidos pela nossa própria natureza (a carne)?

O cuidado

Mesmo entendendo que através da fé em Jesus Cristo somos libertos do domínio dessas (três) forças, não podemos nunca esquecer que ainda não estamos totalmente livres de suas influências. Cada uma delas continua se opondo e tentando-nos a sucumbir diante das escolhas: ou pecar ou se santificar.

O mal assume muitas e variadas formas, que pode surgir tanto de dentro como de fora, pois enfrentamos inimigos tanto esfera física como na espiritual. Precisamos entender que a nossa vigilância deve ser plena em relação ao mundo, a carne e ao diabo. Enfatizar um dos três como sendo mais importante em detrimento dos outros pode ser perigoso e poderá levar-nos a “baixar guarda” na constante batalha espiritual.

Precisamos nos santificar! A santificação indica um processo pelo qual o Espírito Santo gradativamente vai mudando nossa vida e nos capacitando a vencer o pecado. É bom lembrar que não existe santificação teórica. A santificação é sempre prática e contínua (Romanos 6.19, 22; I Pedro 1.14-16).  Este processo atual de santificação dura enquanto vivermos sobre a terra (I João 1.8-10). Precisa-se resistir ao pecado sempre, pois estamos sendo santificados pelo poder de Deus.

Necessitamos nos equipar (nos armar) para resistir à vasta gama de forças do mal que conspiram contra nós e entendermos melhor o poder que advém de Cristo que nos capacita a vencê-las (Efésios 6.10-18; II Coríntios 10.3-6). 

Precisamos continuar  vigiando o diabo, o mundo e a nossa natureza humana!